Mostrando postagens com marcador Dimmy Kier. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dimmy Kier. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de maio de 2010

O fim de semana do E-CAMP


Esse fim de semana foi pancadaria pura pro E-CAMP, o E-jovem aqui de Campinas. Eu não participo diretamente - a gurizada tomou conta completamente do negócio já -, mas muitas reuniões acontecem na casa da frente da minha e não tem como não acompanhar - afinal, meu maridex é o presidente da bagaça. =D

Com vocês, um gostinho do que rolou:

SEXTA-FEIRA
Dia de reunião ordinária do E-CAMP, na Escola Jovem LGBT. Na pauta, informes sobre a Parada, sobre a Marcha, sobre o Congresso da UJS, problemas com alguns membros do grupo e exposição dos coordenadores sobre suas respectivas áreas. Na foto, Saraivetty, coordenadora de Saúde, expõe os dados da última reunião entre o Programa Municipal de DST/Aids e as ongs aids de Campinas.

Saraivetty (mão): jovens estão se infectando mais


Após a reunião, a galera saiu pra panfletar no Sucão: no dia seguinte haveria um grande festival de juventude, onde ocorerria o Congresso da UJS, e o E-jovem, além de concorrer à direção, teria um estande e apresentaria vários shows.

Galera animada indo panfletar em escolas e nos points gays da cidade

SÁBADO
Sábado cedinho, galera se reuniu na Estação Cultura (uma antiga estação de trem) para montar o estande. O E-jovem ficou ao estrategicamente ao lado da UJS.

Muitas garotas pegaram dicas de maquiagem com as drags do E-CAMP

Só as bunitas: Chesller, presidente do E-jovem;
Denílson, diretor LGBT da UNE (e membro do E-jovem)
e Tuthu, diretor de secundas da UPES

Estande do E-jovem bombou o dia todo

À tardinha, lá pelas quatro horas, começou o Congresso da UJS, apresentado por Lohren Beauty. Na plateia, presença ilustre de Netinho de Paula, pré-candidato ao Senado pelo PCdoB (de azul, na primeira fila) e Gustavo Petta, pré-candidato à Câmara Federal, além do presidente do PCdoB, do ex-presidente do PT e de juventudes do PMDB e do PSB. Fora a galera da UJS, da UNE e da UPES, é claro!

Lohren apresentou todo o Congresso: mudança no formato

No final, elegemos a chapa da qual o E-jovem fazia parte - acho que nunca houve uma diretoria municipal daUJS com tantas drag queens na história da entidade!! =D

Galera da nova direção da UJS/Campinas

Ea presidente eleita, quem foi? Lohren Beauty, que já assume com a missão de mobilizar para os congressos estadual e nacional da UJS, além de reerguer a UCES (União Campineira de Estudantes).

Netinho e Lohren

Já à noite, show com as drags do E-CAMP, muitas recém eleitas diretoras da UJS!!

Jade, Karina Beauty, Lohren Beauty, Tuthu e Leona Lupon

Lohren abre o show

Dimmy Kier veio em seguida - aloca!!

DimmyKier no Congresso da UJS? Não!! É que depois do fervo todo na Estação Cultura, uma galera ainda foi esticar na PRIDE, que estava rcebendo a diva do BBB. Boate bombando, galera bonita se jogando, o sábado foi terminar só às 8 da manhã....

Lohren e Dicesar

DOMINGO
Domingo é dia de reunião do Projeto Galera E-jovem, que forma agentes jovens de saúde LGBT e também acontece na Escola Jovem (onde também é a sede do E-jovem em Campinas...). O tema desse domingo era Esportes e Homossexualidade.

Gay pode jogar bola? E travestis, em que time jogam?

Max Rodrigues, 14, coordenador geral do E-CAMP

Ficamos discutindo das 10h às 18h e depois a galera ainda saiu pros points gays da vida...

Eu fui me jogar na cama com o maridex, que tá de cama até hoje, com a garganta ruim... Vai abusar, vai!! =D

Só um pouco das pessoas e do dia a dia de uma ong de adolescentes e jovens LGBT... Aqueles mesmos que a Veja disse que não gostam de militar ou fazer parte de grupos... =P

Só ligados ao E-jovem, são mais de 20 grupos desses espalhados pelo Brasil.

beijo do Deco =]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Polêmico beijo gay acontece logo na primeira festa do "BBB10"

  
da Folha Online
 
O tão esperado beijo gay aconteceu logo na primeira festa da décima edição do "Big Brother Brasil", e foi protagonizado pelos participantes Sérgio e Dicesar um pouco antes da meia-noite de quarta-feira.

Enquanto dançavam a música "I Will Survive", de Gloria Gaynor --tida como um hit gay--, Sergio e Dicesar, conhecido como a drag queen Dimmy Kieer, deram um "selinho".

Resta saber se a Globo mostrará ou não o beijo na edição que vai ao ar nesta quinta-feira (14).

Em resposta às dezenas de mensagens que vinha recebendo sobre um possível beijo homossexual no "BBB", Boninho, o diretor do programa, afirmou em seu perfil no Twitter que, caso acontecesse, seria exibido "sem preconceito".


Beijo entre Dicesar e Sérgio no "BBB10"
 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os Coloridos

     
"- Dos meninos, qual você gostou mais?
Se eu fosse hétero, do Rafael." 
~ Angélica respondendo à Dimmy Kier, durante a primeira prova de resistência do Big Brother Brasil (BBB 10)


A drag Dimmy Kier, a lésbica Angélica e o gay Serginho

A Globo se superou esse ano. PELO MENOS dois gays, uma lésbica e uma bissexual fazem parte do elenco do BBB 10 - e um desses gays ainda é uma drag queen. Digo "pelo menos" porque dos outros participantes, há pelo menos mais duas suspeitas entre as meninas (uma delas é dona da comunidade Homofobia Já Era, do Orkut) e, dos meninos, um já foi gogo boy e estampou a capa de uma revista gay, outro é modelo e outro já foi assistente de palco de um programa GLS...

Não me surpreenderia se TODOS os participantes fossem gays - já pensou que diferente?!?

Mas o mais interessantes é o termo usado pelo Bial (ou seja, pela Globo) pra se referir aos LGBT assumidos da casa: os Coloridos.

Vibrei, claro.

Já há algum tempo venho dizendo que o Movimento LGBT precisa trabalhar melhor sua comunicação e que LGBT e nada é a mesma coisa. Aí, pra ilustrar, escrevi um texto (que reproduzo abaixo) onde acabo chamando os LGBT justamente de "coloridos".

Bem que a moda podia pegar! =D

Segue o texto:




O Movimento AVA
Uma fábula de Deco Ribeiro 





Era uma vez um mundo Preto e Branco. Que tinha horror ao que era diferente. 


Como o Azul, o Vermelho e o Amarelo. 


“Azulão!”, diziam os Brancos. “Vermelhado!”, xingavam os Pretos. “Amarelento!”, riam ambos. Era muito preconceito. 


Por muitos anos o Azul, o Vermelho e o Amarelo sofreram em silêncio. Foram perseguidos e humilhados. Mortos em fogueiras e campos de concentração. 


Até que uma revolta num bar mostrou pela primeira vez que Azuis, Vermelhos e Amarelos podiam se unir contra o preconceito Branco e Preto. 


E assim foi.


Surgiu o Movimento AVA – Azul, Vermelho e Amarelo. E o Movimento cresceu, lutando pelo direito à diferença, mostrando que Azul não era pecado, Vermelho não era sujo, Amarelo não era doença. Um movimento que tinha tudo pra dar certo, pois lutava contra a injustiça e por um tratamento equalitário. No combate à avafobia.


Até os Verdes aparecerem.


Bom, o Verde sempre existira. Mas todos os consideravam uma mistura de Azul com Amarelo. Com certeza ele se encaixaria em um dos dois segmentos e se contentaria com isso.


Mas não. O Verde decidiu que o Azul via as coisas muito azuis e o Amarelo, muito amarelas. O Verde tinha uma visão diferente do problema – mais verde, obviamente. E sofria um outro tipo de preconceito. Era preciso que o Movimento se chamasse AVAV – Azul, Vermelho, Amarelo e Verde.


E assim foi.


Com o empoderamento do Verde, logo surgiram mais questionamentos. E o Laranja? Era um Vermelho-amarelado ou um Amarelo-avermelhado? Ou era simplesmente Laranja? E o Roxo?


Houve choro e ranger de dentes. Era inadmissível um Movimento que não contemplasse esses dois segmentos, se o Verde era contemplado. O Movimento deveria se chamar AVAVLR – Azul, Vermelho, Amarelo, Verde, Laranja e Roxo.


E assim foi.


Mas não sem protestos. Afinal eram poucos os Laranjas e Roxos. Justificaria incluí-los na sigla? Uns adotaram o AVAVLR. Outros maniveram-se fiéis ao AVAV. E outros já propunham uma volta ao bom e velho AVA.


“Pera lá,” disse o Vermelho. “Porque o Azul na frente? O Vermelho está no nível mais baixo do espectro visível e sempre foi oprimido pelos outros! O Movimento deve se chamar VAAV e não AVAV.” Houve chiadeira dos Azuis. Os Verdes, por outro lado, já renunciavam ao combate à avafobia e começava a citar a verdefobia em seus manifestos. Logo seguiram-se a laranjofobia e a roxofobia.


Multiplicaram-se os eventos AVAV, as paradas de orgulho VAAV, as caminhadas Verdes, os festivais de cinema AVAVLR, os meses da diversidade VAAVLR... O Dia Nacional de Combate à Avafobia, uma das vitórias do Movimento, era grafado pelos mais politicamente corretos de Dia Nacional de Combate à Avafobia, Verdefobia, Laranjofobia e Roxofobia. Ninguém entendia mais nada. A imprensa, alheia a essas brigas internas, chama tudo de AVA e pronto, apesar dos protestos. Surgiram outras siglas, baseadas em outras línguas: RGB, CMYK.


Foi quando o Azul-Claro começou a exigir um espaço próprio dentro do movimento. Afinal, os Azuis mais escuros tinham uma clara clarofobia e nunca pensavam nos tons mais suaves do espectro.


Foi a gota d'água.


O Movimento, que fora tão bem-sucedido no passado, começava a emperrar. Perdia-se um tempo precioso em discussões de segmentos e não no combate à avafobia. Reuniões sérias, de proposição de soluções a desafios importantes, empacavam na grafia da carta-manifesto: o título seria “Avafobia Mata!” ou “Avafobia, Verdefobia, Laranjofobia e Roxofobia Matam!”??


A sociedade em geral via a todos como aberrações. “É tudo Vermelhado mesmo!” Nem os próprios AVAVLR, os não-militantes, sabiam o que significava a sigla ou qual sigla era a mais em voga da vez. Potenciais aliados Brancos e Pretos eram constantemente corrigidos – às vezes, e deselegantemente, em público – e não entendiam o porquê. Não estavam lutando todos pela diversidade? Por que confundir tanto?


Era preciso fazer alguma coisa.


Foi chamado um grande Encontro pelo presidente Preto (o primeiro, depois de mais de um século de presidentes Brancos), exclusivamente para se discutir a questão AVAVLR. O presidente sabia das coisas, tendo vindo de um passado de militância.


“Companheiros,” discursou o presidente na abertura do evento, “É preciso sim reconhecer e respeitar as diferenças de cada segmento. Mas é fundamental que vocês, enquanto Movimento, encontrem e se concentrem naquilo que os une, não no que os diferencia.”


Isso ficou na cabeça de muita gente. E enquanto alguns continuavam a discutir as letrinhas ou quantas fobias diferentes cabem numa frase, esses outros passaram a buscar a tão sonhada união. Uma unidade na diversidade.


“O que somos TODOS?", "O que nos distingue da sociedade?”, "Temos algo em comum?", "Podemos expressar isso numa só palavra?", pensavam.


A resposta veio como um raio. Não ficou registrado quem foi o primeiro a dizer a frase em voz alta, mas ela logo corria o Movimento. “Somos CORES.”


Vermelho é uma COR. Azul é uma COR. Amarelo, Verde, Laranja, Roxo, Azul-Claro... CORES.


O Movimento passou a se chamar MOVIMENTO COLORIDO. E, como símbolo, foi escolhida a bandeira do arco-íris.


A União entre as CORES, um desejo antigo do Movimento, foi finalmente aprovada pelo restante da sociedade. Assim como a Criminalização da Corfobia. Em poucas gerações, Brancos e Pretos já aceitavam as CORES como parte de si.


E viveram todos felizes para sempre.


“O que somos TODOS?", "O que nos distingue da sociedade?”, "Temos algo em comum?", "Podemos expressar isso numa só palavra?"


Será que um dia seremos simplesmente CORES? Ou estamos fadados a ser eternamente um Movimento que não ousa (porque não sabe) dizer seu nome?


Deco Ribeiro