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terça-feira, 12 de julho de 2011

Quem não acredita no amor entre pessoas do mesmo sexo

Faço questão aqui de repostar um texto do Vitor Angelo:

As redes sociais espalharam esse vídeo. Nele, um garoto que nunca viu um casal gay fica admirado como quem vê um rinoceronte ou um arco-íris pela primeira vez. E questiona:



O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau formulou, no século 18, a teoria do bom selvagem. Nela, todo homem nasce naturalmente bom, a sociedade é que o corrompe. O iluminista assim como o senso comum até hoje enxerga na criança um ser dotado de pureza. Mesmo com Freud, um século depois, sexualizando os pequenos, a imagem de inocência permanace no imaginário popular e de alguns estudiosos contemporâneos.

Mas um pouquinho distante dessas teses, o que podemos notar no vídeo é o trabalho que a criança faz com os dados que têm. Isto é, ela age como um viajante diante do desconhecido e usa referências que possui e conhece para entender o estranho, o estrangeiro. O menino se comporta quase como um antropólogo que visita pela primeira vez uma nova tribo e tem como regra estranhar o que é comum a ele e não aos índios, pois só assim ele entenderá a universalidade do conceito ser-humano.

O que a criança tinha de conhecimento? Um casal é feito por esposa e marido e ainda, eles ficam juntos porque se amam. Através dessas premissas, o menino conclui que pode existir casais do mesmo sexo - pois está vendo empiricamente um na sua frente -, e eles só são casais porque se amam. Ele só chega a esse resultado de pensamento porque alarga os conceitos de seu mundo, isto é, os estranha e permite a novidade. Com esse exercício, ele também ressalta a universalidade do amor, ela permanece intacta, para todos (o mundo do garoto e do casal gay / o que é conhecido e o que é estrangeiro) e em todos os tempos.

Essa lógica aparentemente simples feita pelo menino traduz a complexa construção mental dos que aceitam e dos repudiam casais do mesmo sexo. Os primeiros estão dentro da chave do amor, isto é, dos que permitem no seu mundo aquilo que é estranho e os segundos residem na intolerância pois nada que é diferente - o medo do estranho - ou estrangeiro a eles pode ter sua existência permitida, legalizada, vivenciada. Isso também explica – em parte - como muito do sentimento homofóbico está conectado com o racismo, a misogenia e a xenofobia, pois procedem da mesma raiz de pensamento.

Escrito por Vitor Angelo às 22h37

Assinadíssimo embaixo!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

13 de Fevereiro - Dia das Mães e Pais de LGBT

13 de Fevereiro:
Parabéns, mãe! =D

Pouca gente sabe, mas desde 2005 jovens gays de todo o Brasil dedicam um dia especial a seus pais e mães: é o dia 13 de fevereiro, Dia das Mães e Pais de LGBT. Manda a tradição entregar uma rosa amarela a cada um dos pais - se eles souberem da orientação do filho, a data é comemorada abertamente, com mais presentes e conversas sobre o tema.

Mas o legal é quando o pai ou a mãe não sabem ainda que são pais de um menino gay, de uma menina lésbica, e recebem a rosa mesmo assim. "Por que isso?", perguntam. E os filhos respondem: "Um dia você vai saber..."

Essa tradição começou num de nossos encontros do Grupo E-jovem em Campinas. O tema era a relação entre pais e filhos gays e lés e mais de 20 pessoas foram na nossa sede conversar. E o melhor é que tínhamos um pai e duas mães junto com a gente.

Foi um longo bate-papo sobre suas descobertas e de como lidaram (e ainda lidam) com o fato de seus filhos serem diferentes. Falamos de família, de preconceito (que, todos concordaram, é fruto da ignorância, da falta de informações que muitos pais têm sobre o que é homossexualidade, o que é ser homossexual), de rótulos, de amor, de respeito. O povo fez várias perguntas aos pais, que procuravam responder da melhor maneira possível.

Os pais depois declararam que se sentiram ótimos encontrando outros pais e mães de LGBT. Pois, geralmente, a vida de um pai de gay ou uma mãe de lésbica é muito solitária. Os filhos encontram certa facilidade de entrar na internet e encontrar seus semelhantes, formar grupos e tals, mas os pais se fecham e não conseguem conversar sobre esse assunto com os amigos, os parentes, os colegas de trabalhao... Muitos nem comentam com o marido ou a esposa. O armário dos pais de gays é mais fundo que o nosso e encontrar outra pessoa que passa pelo que eles passam, que os compreende, pra eles não tem preço.

E foi assim.

Então não se esqueça: No próximo dia 13 de fevereiro, dê uma rosa amarela para sua mãe e para o seu pai. Eles podem não saber (ainda) por que estão recebendo, mas você sabe por que está dando: porque você os ama e espera que eles te amem do jeitinho que você é, gay, lésbica, travesti, transexual ou bissexual. Quem sabe a rosa já não seja um pretexto pra começar uma loooonga conversa...?

E se você pertence a algum grupo, junte a galera e celebre a data junto com suas mães e pais - eles merecem! E vão adorar a homenagem.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Jovens gays sofrem tentativa de homocídio em Hortolândia (SP)

Repassando e-mail do meu amigo Fábio Silva, vice-presidente da UJS/Campinas e professor de WebTV da Escola Jovem LGBT:

Na madrugada desta terça-feira, 30, em Hortolândia, cidade da região metropolitana de Campinas (SP), ocorreu um ato de homofobia, dando sequência a uma tentativa de homocidio(homicídio contra homossexuais, motivado por homofobia), seguido de assalto.

As vítimas, Fábio Silva (25) e L. (19), estavam no portão da casa de Fábio, quando foram abordados por dois homens armados. O primeiro perguntou "vocês são viados?", ao que L. respondeu "E se for, tem algum problema?"


Fabio Silva narra a sequência dos fatos: "O comparsa estava na esquina vigiando, após a resposta de L., o agressor avançou sobre ele, puxando-o pelo pescoço, jogando-o na calçada da minha casa. Fui pra cima pra defendê-lo, quando ele sacou a arma, soltou a trava de segurança, mirou no rosto do L. e puxou o gatilho. Eu estava esperando o barulho do tiro mas só ouvi o "click". Pedi desesperado pra ele deixar disso. O criminoso homofóbico mandou a gente sentar na calçada e pediu meu celular. Ele nos manteve ali por muito tempo, falando coisas horríveis. Não passou nenhum vizinho, nenhum carro, nenhuma viatura policial. Pensei que iámos morrer. O L. mora próximo a minha casa e eu sempre vou buscá-lo no ponto de ônibus quando ele chega do trabalho, à uma da manhã. Naquele dia, ele quem me acompanhou até casa, fazendo o inverso da nossa rotina. E aí foi o azar. Não estávamos expostos, sequer estavamos demonstrando um comportamento que pudesse levantar suspeitas, quando os agressores surgiram".


O caso foi registrado na delegacia de Hortolândia apenas como assalto. As vítimas estão encaminhando uma denúncia formal de homofobia ao Centro de Referência LGBT de Campinas e à Defensoria Publica do Estado De Sao Paulo.

Comentário: Primeiro os pais dizem que preferem "filho morto do que filho viado". Depois as igrejas afirmam que "homossexuais são coisas do demônio". E um deputado federal diz que pro filho deixar de ser gay é só "dar umas palmadas nele". Daí pro povo sair matando gays na rua é um pulo. Em 2010 bateremos o recorde de LGBT assassinados no país, mais de 200.

Até quando?

ATUALIZAÇÃO: Este é Fábio Silva:
Como diria o Entei, ta tudo bem agora...

domingo, 15 de agosto de 2010

E-JOVEM apresenta carta-compromisso aos candidados

Telão armado no meio da praça:
E-jovem indo onde a juventude está

Na última sexta-feira, a galera do Grupo E-jovem em Campinas (E-CAMP) fez um evento em praça pública para apresentar e aprovar a carta-compromisso que será oferecida aos candidatos dessas eleições.

A carta, cujo conteúdo foi escrito pelos próprios jovens, reúne suas demandas mais importantes. "Nos dividimos em grupos e levantamos as lutas que gostaríamos que todos os candidatos abraçassem conosco," explica Karinna Beauty, 14, coordenadora do E-CAMP. "Depois, cada grupo precisou apresentar e defender sua proposta. De 21 ideias, fechamos em 5, sendo a prioritária a criação de Planos e Conselhos LGBT."

Bruna Baby explica as funções de um Conselho

Essa proposta foi defendida por Bruna Baby, coordenadora de travestis adolescentes do E-CAMP. "Nos conselhos nós podemos elaborar todas as outras propostas, além de ficar de olho no governo pra ver se eles estão cumprindo o que prometeram," afirma a jovem travesti.

Galera parou na praça do Sucão pra assistir

A apresentação, na praça Bento Quirino, tradicional ponto de encontro gay de Campinas, atraiu o interesse da juventude LGBT, que parou para ouvir seus colegas e aprovou as propostas por unanimidade. Binho Silva, vice-presidente da União da Juventude Socialista de Campinas, e Denílson Jr., diretor LGBT da União Nacional dos Estudantes, também estiveram na praça e se impressionaram com a movimentação.

Binho, da UJS: juventude unida contra a homofobia

"A UJS também luta contra a violência homofóbica, que nos atinge mesmo quando pensamos estar mais seguros," disse Binho ao microfone, apontando o bar CampChopp, ao lado, onde o jovem Jonathan Prado foi agredido há um mês.

Denílson Jr., diretor LGBT da UNE

"Não é de hoje que a UNE luta contra o preconceito nas universidades e o E-jovem sempre é um exemplo de mobilização juvenil LGBT," falou Denílson.

Confira abaixo a íntegra da carta-compromisso. Candidatos interessados em assiná-la podem imprimir, assinar e mandar por e-mail para voto2010@e-jovem.com. Todos serão indicados como candidatos amigos das gay.

Por um amanhecer mais colorido

Combater as desigualdades e promover a luta pelos direitos das pessoas: essas bandeiras são o norte das propostas do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados aos candidatos às eleições proporcionais e majoritárias de 2010.


O E-jovem entende que o espaço legislativo, mais do que administrar leis e servir como ponto de equilíbrio para o poder executivo, é, em essência, o palco para a construção de uma sociedade justa e igualitária, formada por um povo soberano.

Nesse sentido, a atuação da sociedade civil organizada e de seus representantes eleitos deve ser sempre para garantir que em cada projeto aprovado, em cada elemento orçamentário, esteja em foco a felicidade das pessoas.

A política, mais do que qualquer outra área das relações humanas, deve ser isso: uma fonte geradora de felicidade. Elementos contrários a isso não faltam.

Por isso, estaremos lá para combater esses sentimentos ultrapassados de preconceito e discriminação. Juntos na construção de uma sociedade mais justa, o E-jovem propõe aos cantidatos a Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores, Governador e Presidente que a juventude LGBT seja lembrada. Por um horizonte mais colorido.

Essa juventude LGBT, reunida no E-jovem para avaliar suas prioridades para 2011, elencou a criação de Conselhos e Planos LGBT em todas as esferas, como estratégias de atuação. Para, principalmente, fazer avançar temas como o casamento civil, defesa dos direitos de filhos de casais homossexuais, combate à homofobia nas escolas e o combate à violência homofóbica.

Portanto, como candidato, declaro publicamente que:


SOU um candidato que apoia a criação e o funcionamento de Conselhos e Planos LGBT – Os conselhos são a nova forma de controle social disponível a uma comunidade. Para que todas as demandas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) sejam devidamentge implantadas, monitoradas e avaliadas, é essencial que seja estimulada a criação de Conselhos LGBT em todos os níveis (municipal, estadual e federal). Esses conselhos deverão formular o Plano LGBT local, discutido com a comunidade, e apresentá-lo ao executivo e ao legislativo, para que seja implantado.


SOU um candidato que apoia o casamento civil igualitário – O casamento civil é um direito civil de todos os cidadãos brasileiros. Todos? Não. Uma parcela da população, devido a uma formulação equivocada na legislação, não possui esse direito: casais formados por dois homens ou duas mulheres. Vários países já estão corrigindo isso, como a Espanha, Portugal e Argentina. Chegou a hora do Brasil também estender esse direito a todos e todas.


SOU um candidato que defende os direitos de filhos de casais homossexuais – Muitos pensam na questão da adoção apenas do ponto de vista de quem está adotando. Poucos pensam nos direitos da criança. Uma criança, filhos de pais gays ou de mães lésbicas ou de um casal onde um dos pais é travesti, tem o direito de ser reconhecida como filho ou filha deste casal – e ter acesso a todos os direitos que essa filiação lhe confere.


SOU um candidato que apoia o programa Saúde e Prevenção nas Escolas – O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), do Governo Federal, precisa se tornar uma política de Estado. É preciso transformarf em lei essa parceria entre Saúde e Educação e os governantes precisam incluir essa ação na estrutura de ambas as secretarias. Os jovens estudantes precisam ter mais acesso aos seus direitos de usuários do Sistema Único de Saúde, e isso vai desde ter mais informações de prevenção às DST/AIDS até o combate à homofobia nas escolas. Um ambiente sem preconceito é um ambiente mais saudável.


SOU um candidato que fortalece a luta contra a homofobia – A cada 2 dias um homossexual é barbaramente assassinado no país. Esses crimes dificilmente são tratados como crimes homofóbicos porque esse é um tipo de crime ainda não tipificado no Brasil. É preciso aprovar o Projeto de Lei da Câmara 122, de 2006, que criminaliza a homofobia. É preciso que os governos apliquem, divulguem, fiscalizem e façam valer suas leis estaduais anti-homofobia, como a 10.948, que pune a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no Estado de São Paulo. O Governo de SP nunca produziu materiais de divulgação desse lei, mas espalhou por todo o estado a divulgação da Lei Anti-Fumo. Parece que, em SP, é pior fumar em locais coletivos que agredir uma lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual.

Data e Assinatura
Nome legível do candidato/Partido/Número

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Homofobia mata garoto de 14 anos no RJ e E-JOVEM divulga como o Estado pode melhorar a Segurança Pública de LGBT

Eu ia escrever um longo e indignado post sobre o caso do Alexandre, mas, ao procurar fotos do garoto, me deparei com esse post que simplesmente diz tudo. Vou assinar embaixo e repostar aqui. 

Só dois comentários:

1) Numa matéria do jornal O Globo, a mãe aparece negando que o filho fosse homossexual. Respeitamos a dor da família, mas negar a sexualidade do filho não ajuda nesse momento. Sendo ou não gay, Alexandre morreu porque acharam que ele fosse - o que mostra que a homofobia é um risco a TODA a sociedade. É bom registrar que o Ilê (como os amigos o chamavam) participava do Grupo Atitude, que defende os direitos LGBT em São Gonçalo. Mesmo não sendo gay, era um grande e jovem Aliado.


2) O outro comentário é que o E-JOVEM fez uma Conferência de Segurança Pública & Juventude LGBT, ano passado. O que mostra que os jovens estão sim indignados com a falta de segurança e a vulnerabilidade a que estão sujeitos nas ruas. As diretrizes elaboradas nessa Conferência podem ser encontradas aqui e eu sugiro que fossem reforçadas pelo E-JOVEM e demais ongs LGBT ao longo deste ano.


Segue o post sobre o brutal assassinato homofóbico. Leiam.


Deco.

Morre brutalmente assassinado um jovem de 14 anos de idade, motivado pelo ÓDIO aos HOMOSSEXUAIS!


Alexandre Thomé Ivo Rojão, de 14 ANOS, foi SEQUESTRADO, TORTURADO e MORTO, no bairro da Califórnia, no Município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, na madrugada de segunda-feira.
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Alexandre saiu no domingo para ver o jogo do Brasil na casa de amigos, os quais teriam se envolvido numa briga. A turma do Alexandre registrou queixa na delegacia e depois voltaram para festa. As 2:30hs Alexandre voltava para casa quando foi surpreendido e interceptado, culminando no brutal assassinato. Seu corpo foi deixado num terreno baldio.
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O delegado Geraldo Assed, da 72ª DP (Mutuá), suspeita que o crime tenha sido praticado por skinheads e motivado por intolerância a orientação sexual.
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De acordo com a polícia, Alexandre foi torturado comcrueldade. No laudo cadavérico consta que ele foi morto por:
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1- asfixia mecânica;

2- enforcado com sua própria camisa;

3- com graves lesões no crânio do adolescente, provavelmente causadas por agressões com pedras, pedaços de madeira e ferro.
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Três suspeitos foram identificados por meio de ligações do Disque Denúncia. Os telefonemas informavam que o corsa branco KQH 4119, que pertence a um deles, foi visto próximo ao local onde o corpo da vítima foi encontrado. Segundo o delegado os suspeitos pregam na rede social ódio contra homossexuais.
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A Justiça decretou nesta quarta-feira a prisão temporária dos três suspeitos. São eles, Eric Boa Hora Bedruim, Alan Siqueira Freitas e André Luiz Cruz Souza, todos de 23 anos, acusados de praticar homicídio duplamente qualificado por motivo torpe.
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Em blog de pessoa que parece ser próxima dos familiares da vítima afirma que será realizado no próximo domingo, dia 27, um ato de protesto e pedido de justiça, na praça Zé Garoto, São Gonçalo, as 15hs, quando ocorrerá o evento da Parada Gay local.
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Em entrevista ao RJTV, a mãe inconformada, D. Angélica(foto acima), segurava o retrato do menor e dizia sobre o horror de ver o rosto do filho totalmente desfigurado, no momento de reconhecer o cadáver no IML, e da crueldade dos assassinos.
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D. Angélica pediu justiça e alegou que não pode passar despercebido esse crime:
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"... agente tem que ser livre... , as pessoas tem que ter o direito de ir e vir, não interessa se voce gosta de vermelho, eu gosto de laranja e ele gosta de branco".
/A ausência de lei que criminalize o crime de ódio contra homossexuais é um incentivo para que bárbaros pratiquem crimes brutais como este. Que PESE NA CONSCIÊNCIA dos Senadores da República que se OMITEM e são contrários ao projeto de lei 122/2006 este crime!!!
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Uma lei penal não muda o pensamento homofóbico de uma sociedade preconceituosa, mas seu caráter punitivo e preventivo, serve ao menos como recado de severa punição pelo Estado para que animais criminosos como estes.
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Ao se negar legislar, se omitindo, o Estado manda recado oposto para esses vândalos.
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Alexandre Ivo poderia estar vivo hoje. Não está.
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Por mais que se grite, chore, berre, denuncie não mudará o fato de Alexandre Ivo, com apenas 14 anos de idade, com muita história por realizar, ter sido brutalmente assassinada por puro preconceito aos homossexuais, diante dos olhos omissos do Estado, tão preconceituoso quanto os assassinos desta criança.
  
Carta de Campinas
Esses foram os sete princípios que deveriam ser abraçados pela Segurança Pública, de acordo com a Juventude LGBT - e as 21 diretrizes para se atingir esse objetivo:

"Nós, adolescentes e jovens do Estado de SP, reunidos em Campinas para a Conferência Livre de Segurança Pública e Juventude LGBT, organizada pelo Grupo E-JOVEM, deliberamos que:
 
PRINCÍPIOS
A Segurança Pública DEVE:
 
• Ser menos homofóbica

• Ajudar a diminuir a desigualdade social

• Ser acessível a todos

• Ter trabalhos de conscientização junto à sociedade

• Ter um caráter mais preventivo do que corretivo em relação à violência

• Capacitar permanentemente seus agentes para que impeçam a prática da homofobia

• Mobilizar Guardas Municipais e Policiais Civis e Militares, em geral, em relação aos direitos de proteção dos LGBT

 
DIRETRIZES
Para que isso ocorra, o Estado deve:
 
• Articular com os diversos setores do poder público a aprovação do PLC 122/06, que inclui a orientação sexual e a identidade de gênero entre as características protegidas de discriminação;

• Realizar palestras e encontros de treinamento para policiais, delegados e demais agentes de segurança pública visando a mudança de mentalidade dos mesmos em relação aos homossexuais;

• Investir em recrutamento e seleção de policias, visando identificar personalidades homofóbicas e não efetivando pessoas com esse perfil;

• Investir na ampliação e manutenção de rondas comunitárias em locais de freqüência LGBT;

• Capacitar policiais para tender de forma igualitária a população, independente de classe social, orientação sexual ou qualquer outra característica;

• Financiar cursos de capacitação para agentes de segurança pública, oferecido por ONGs LGBT;

• Ter programas que incentivem a aproximação entre policiais e a sociedade, de forma que esses agentes conheçam melhor os membros da comunidade na qual trabalham, fortalecendo a confiança em ambas as partes;

• Criar uma Coordenadoria específica para monitorar esse treinamento em Direitos LGBT e o combate à Homofobia dentro dos órgãos de Segurança Pública; 

• Mudar a forma de abordagem policial com relação aos LGBT, principalmente às travestis, que só deveriam ser abordadas por policias femininas;

• Criar e implantar programs anti-homofobia nas escolas;

• Divulgar os direitos da população LGBT nas escolas e dar condições para que os alunos exerçam esses direitos sem homofobia;

• Promover, nas escolas, grupos de discussão para formação e informação de jovens que desejem combater a homofobia;

• Educar para a segurança, incluindo essa temática no currículo de escolas e faculdades.
• Realizar campanhas contra a homofobia na TV e em outras mídias;

• Criar uma delegacia especializada para crimes de homofobia e violência contra LGBT;

• Convocar pais e/ou responsáveis por crianças e adolescentes para participarem de debates e palestras sobre a população LGBT e o combate à homofobia na comunidade;

• Divulgar, através da mídia em geral, nas comunidades e em todo o país, a existência e os trabalhos dos grupos de apoio ao movimento LGBT;

• Criar projetos que aumentem e facilitem o contato e aproximação da sociedade com a população LGBT;

• Financiar campanhas educativas desenvolvidas por ONGs especializadas em trabalho anti-homofobia;

• Implantar programas de geração de renda e inclusão social para pessoas em situação de risco, com ênfase em pessoas que sofrem discriminação em virtude de sua orientação sexual e identidade de gênero, evitando que tais pessoas refugiem-se na criminalidade como meio de vida;

• Divulgar maciçamente, na mídia, todos os projetos e ações contra a homofobia desenvolvidos pelo Estado.

Campinas, 26 de julho de 2009"

terça-feira, 11 de maio de 2010

O capa de Veja

E eu, que descobri só ontem (#leso) que o capa da Veja dessa semana é do E-JOVEM? Coitado do moço, ele todo feliz (capa da Veja e talz) e eu metendo o pau na revista... =D
Nada pessoal, Luh!!
Vejam a fala dele, SUPER verdadeira:

Miriam Fichtner
Ele conta tudo no Twitter: "Solitário, aos 14 anos resolvi dividir com a minha irmã aquilo que já era muito claro para mim: gostava de meninos, e sabia que isso decepcionaria minha família. Ela chorou, disse que logo essa fase passaria, e o pior: contou para todo mundo. Minha família chegou a me encaminhar ao psicólogo. Depois, à igreja. Não foi fácil, mas o alívio de compartilhar a situação me transformou em outra pessoa. Pouco falo sobre meus namoros, e agiria da mesma forma se eles fossem com meninas. Fico, no entanto, bem à vontade para falar de minha vida amorosa no Twitter, no qual tenho mais de 1 700 seguidores. De onde menos se espera às vezes ainda vem uma agressão gratuita, mas a coisa está mudando para melhor."~ Lucas El-Osta, 17 anos, estudante do 2º ano do ensino médio no Rio de Janeiro

Sem dramas? Não sei ONDE que a revista viu isso como uma "vida sem dramas"...

E ele ainda falou um monte de homofobia e militância e tal, que não entrou. Uma pena.
Mas arrasou no close, Luh!
 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Jovens LGBT saem às ruas e lutam por direitos

  
Tradicional ponto de chegada da Parada LGBT de Campinas,
o Largo do Rosário foi um dos palcos de protestos
Foi lindo.

Era um domingo comum, pra muita gente. Mas pra dezenas de jovens gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros foi dia de sair às ruas e lutar por seus direitos. Por mais direitos? Não, pelos direitos que já lhe pertencem e são cotidianamente negados.

Galera toma uma das principais avenidas de Campinas
para lutar pelos direitos dos jovens LGBT

"Direito de estudar, por exemplo," cita a drag queen Lohren Beauty, presidente do E-JOVEM. "Muitos largam a escola por sofrerem homofobia ou por não aguentarem as piadinhas sobre sua sexualidade - que muitas vezes acabam virando agressões verbais e até físicas."

O E-CAMP, Grupo E-jovem em Campinas, ocupando o monumento a Carlos Gomes, no marco zero da cidade (e ponto de encontro LGBT), a Praça Bento Quirino. Sentada, de guarda-chuva, Lohren Beauty

"Muita gente não sabe ou tem vergonha de ir pra rua protestar," afirma Max Rodrigues, de apenas 13 anos, coordenador do E-CAMP. "Mas esse é mais um direito nosso, além de saúde, educação e respeito da família."

Vitória, 15 anos, estava na manifestação lutando pela visibilidade de adolescentes e jovens transexuais. "Jovens trans existem. Não finjam que não veem," escreveu ela em seu cartaz.

Vitória com seu cartaz na passeata:
"Jovens trans existem - não finjam que não veem"

Todos os participantes puderam fazer cartazes e colocar pra fora toda a sua indignação com a falta de respeito aos direitos dos jovens LGBT. Um deles chamava para a família a responsabilidade pelos jovens gays que se suicidam. Muitos clamavam por direitos iguais para todos, por respeito, por liberdade.


Antes da manifestação, Oficina de Cartazes. À esquerda, Max Rodrigues, 13,
coordenador do E-CAMP (incorporando seu alter ego Karina Beauty)

No final, ficou, em muitos, a descoberta de que é botando a boca no mundo que se começa a fazer alguma coisa de concreto para mudar a nossa realidade. Ficou o aprendizado de como fazer uma mobilização e o gostinho de "Quando vai sera próxima?"

Essa é uma galera que já tem passage garantida pra Marcha LGBT a Brasília, em maio deste ano...

Parte da galera E-jovem, pouco antes de sair pra manifestação,
onde todos vestiram rosa em protesto contra a heteronormatividade
    

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mais um 'homem' vai dar à luz nos Estados Unidos

Mais um 'homem' vai dar à luz nos Estados Unidos

Scott Moore e Thomas

Aconteceu de novo. Mais um "homem" dará à luz no Estados Unidos. Scott Moore - o segundo caso conhecido - está "grávido", segundo o jornal "Daily Mail". O transexual será submetido a trabalho de parto em fevereiro. Ele e o companheiro Thomas, que também nasceu mulher -, já escolheram o nome do menino, concebido sob inseminação artificial: Miles.

Os dois são legalmente casados porque Scott, de 30 anos, manteve o "sexo feminino" na certidão de nascimento.

"Eu sei que muitas pessoas vão nos criticar, mas estou imensamente feliz e sem qualquer vergonha", disse Scott, segundo o "Daily Mail".

O casal transex da Califórnia já tem dois filhos - um de 12 anos e outro de 10 -, gerados artificialmente no útero da antiga companheira de Thomas, que já faleceu.

Scott e Thomas

Scott, que nasceu Jessica, disse que desde os 11 anos percebera que gostaria de ser um homem. Os pais pagaram o equivalente a 13 mil reais para que os seios da filha/filho fossem removidos.

Thomas, que já foi Laura, fez cirurgia para mudança de sexo no ano passado, quando removeu o útero.

O primeiro caso conhecido de "homem" dar à luz foi o de Thomas Beatie, do estado do Oregon, que causou grande polêmica. A filha Susan nasceu em julho de 2008.

Recapitulando: Duas mulheres se tornaram "homens" e formam um casal. Um deles está "grávido". Entendido?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mulher procurava seu pai perdido e encontrou uma Travesti



Emily Wallis e Chloe Harrison


Quando Emily Wallis procurou o pai que ela nunca conheceu tinham mais em comum do que ela esperava ... incluindo o seu gosto em sapatos, vestidos e maquiagem.

Em vez do 'Garanhão Italiano" como sua mãe Ann tinha descrito, Clive Harrison é agora uma Travesti que se chama Chloe, e tem oitenta e dois pares de sapatos de salto alto.

Emily, 22, diz: "Chloe estava espremida em um vestido prata e usando maquiagem e uma peruca". Eu não tinha ideia do que fazer, então eu disse, "Você parece melhor do que eu ... e eu realmente gosto de seus sapatos".

Emily acrescenta: "Durante anos eu tinha sonhado com todos nós juntos. Eu ainda nutria uma secreta esperança de que Clive e minha mãe poderiam ficar juntos novamente. Mas quando vi meu pai eu percebi que certamente não era isso que ia acontecer!"

Emily era uma adolescente quando sua mãe deu a notícia devastadora de que o homem que a criou não era seu verdadeiro pai. Depois de se recuperar do choque, ela imediatamente começou a procurar o boxeador tatuado que tinha se mudado para a Austrália antes de sua mãe poder dizer-lhe que estava grávida.

Desde a tenra idade Emily tinha uma estranha sensação de que ela não pertencia inteiramente para a família com que ela cresceu, com uma irmã mais velha e dois irmãos mais velhos.

Mas ela continuou a ver o homem que ela pensava ser seu pai, mesmo depois que seus pais se divorciaram quando ela tinha sete anos.

"Meu pai sempre esteve mais perto de minha irmã, mas não tinha ideia de que eu não era sua filha", diz Emily. "Ele não sabia que minha mãe tinha tido um caso com Clive quando ele esteve na nossa casa.

"Quando eu era jovem, eu me lembro de pensar que não se parecia com a minha irmã. Quando eu a via jogar com meus irmãos, eu pensava, 'Por que eu não gosto deles? "

No entanto, quando ela tinha 19 anos, sua mãe começou a contar-lhe sobre um antigo namorado chamado Clive.

"Ela me disse que ele era um homem alto, bronzeado, que ela o tinha apelidado de O Garanhão Italiano." Então, de repente ela falou: "Ele é seu pai verdadeiro."

"Meu queixo caiu, mas de repente tudo fez sentido. Houve muitas lágrimas e eu implorei a ela para me ajudar a encontrá-lo." Ann, que vive em Hastings, East Sussex, disse a Emily, que na verdade ela havia encontrado Clive um ano antes, em 2005, em sua cidade natal de Herne Bay, em Kent.

Ela também disse que ele tinha uma filha mas pediu-lhe que ele não entrasse em contato com Emily.

"Ele tinha deixado o seu número de telefone com a minha mãe, mas ela perdeu", diz Emily. Durante dois anos, Emily embarcou em uma jornada para reunir sua mãe com o seu "verdadeiro amor."

Mas foi só no início deste ano que um velho amigo, disse à Ann que Clive agora estava de volta em Margate ... e soltou a bomba que ele estava vivendo como uma mulher.

"Minha mãe entrou em contato com ele e ele pediu para dizer-me que estava com medo de que eu estaria envergonhada. Levou três meses para minha mãe convencê-lo de que eu ficaria bem com ele".

"Fiquei muito nervosa quando fui ao seu encontro em um bar perto do seu apartamento. Quando ficamos cara a cara, o encontro foi muito emocionante".

"Nós nos abraçamos e não conseguiamos parar de chorar. Então reparei que tinhamos o mesmo queixo. Chloe dizia que estava arrependida, mas eu não estava com raiva," diz ela.

Clive disse que ele era casado quando começou o caso com Ann, mas ele tinha lutado com a sua sexualidade todos esses anos.

Com cinco anos de idade ele secretamente se vestia com roupas de sua mãe. Desde então, ele passou por três casamentos, satisfazendo seus desejos secretos depois de escurecer, vestido de mulher.

Em 2003 ele tornou-se tão revoltado com sua genitália masculina que ele tentou realizar uma mudança de sexo tentando empurrar seu pênis para dentro de si.

Perdeu a libido e tornou-se completamente celibatário e começou a se vestir como uma mulher da noite.

Passou a se chamar Chloe e sentiu-se finalmente livre. Ela agora está à espera de uma operação de mudança de sexo completa.

Emily não poderia estar mais feliz por ter encontrado seu pai biológico. "Eu não a vejo como pai ou outra mãe, ela é apenas Chloe e sou grata por tê-la em minha vida."Estou orgulhosa dela e estarei ao seu lado no leito do hospital quando ela fizer a operação de mudança de sexo.

Ann, 47, diz: "Estou triste que Clive não está mais próximo, mas eu sou a melhor amiga de Chloe agora. Eu sempre acreditei que ele era o meu verdadeiro amor. Quando nos encontramos de novo fiquei chocada ao vê-lo vestido como uma mulher e obviamente, nunca vai acontecer de ficarmos juntos novamente".

Chloe emocionada acrescenta: "Emily diz que me ama". Eu não posso acreditar como sou sortudo. Cinco anos atrás, eu estava tão infeliz, eu queria morrer, mas agora tudo está dando certo".

"Eu estou na lista para uma mudança de sexo e eu encontrei Emily. É como ser uma nova mãe na idade de 52 anos."

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Psiquiatra explica como reagir quando seu filho faz troca-troca




Em consultórios de especialistas que trabalham com sexualidade, vez por outra aparecem pais e mães literalmente arrasados. Flagraram ou suspeitam que o filho faz troca-troca com coleguinhas. Junto, quase sempre arrastado, o menino humilhado. É de doer.

A preocupação com essa questão já lhe passou pela cabeça? O seu filho ou seu sobrinho já esboçou necessidade de esclarecer alguma dúvida sobre troca-troca? O que você fez? Já pensou o que responderá quando ele voltar a tocar no assunto? E se você eventualmente surpreendê-lo na hora H, o que fará?

Tais situações são frequentes e exigem informação e maturidade do pai e da mãe. Para esclarecer essas e outras questões sobre o tema, o site Viomundo entrevistou a médica psiquiatra Carmita Abdo, especialista em Medicina Sexual.

Carmita é professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Viomundo – Doutora, o troca-troca entre meninos leva à Homossexualidade?

Carmita Abdo – Evitar o troca-troca não é garantia de que o menino será heterossexual quando for adulto. Também não é porque o menino vivenciou experiências de troca-troca que se tornará Homossexual. Ser Homo, Bi ou heterossexual não é uma opção. Ou seja, ninguém escolhe ser Homo, hétero ou Bi. A teoria mais aceita hoje em dia é a de que o indivíduo nasce com uma carga genética sobre a qual se assentam fatores educacionais, sociais e emocionais, que o vão moldando para a heterossexualidade, a Homossexualidade ou a Bissexualidade. Muitos estudos demonstram que alguns fatores que vão determinar a orientação sexual estão presentes muito cedo na vida, talvez até já ao nascimento. A Homossexualidade, assim como a heterossexualidade, é uma tendência, uma orientação sexual.

Viomundo – O que vem a ser exatamente o troca-troca?

Carmita Abdo – Como a própria expressão indica, é um relacionamento no qual há alternância de situação dos parceiros. Em determinada ocasião, um deles estará na posição de recepção; na outra, na de introdução. De longa data sabemos que isso acontece.

Viomundo – Em que idade costuma ocorrer?

Carmita Abdo – Quando os meninos começam a produzir os hormônios sexuais e a ganhar os caracteres sexuais secundários -- surgimento de pêlos, engrossamento da voz, aumento da musculatura, ereção peniana e ejaculação. Isso se dá por volta dos 11, 12 anos de idade; mais raramente aos 10, entre os mais precoces. Eles ainda não têm facilidade para abordar uma garota, mas já têm desejo sexual, vontade de manter contato físico, penetrar e ejacular. Para resolver essa necessidade e o impulso sexual acabam fazendo um acordo entre si, que é o chamado troca-troca: cada qual usufrui do prazer de penetrar, desde que também se submeta à penetração.

Viomundo – Que papel tem no desenvolvimento sexual do menino?

Carmita Abdo -- De iniciação. Frequentemente representa a primeira experiência sexual. Ela vai ser repetida algumas vezes, enquanto o menino desejar o ato sexual, mas ainda não tiver habilidade, experiência, disposição ou coragem para abordar uma garota. Antigamente, quando as meninas se resguardavam sexualmente até o casamento, muito tempo transcorria até que o garoto pudesse ter uma experiência heterossexual com alguém de sua idade. E como ele, em geral, também não tinha condição de pagar uma profissional do sexo, por um bom tempo resolvia o impulso sexual com o troca-troca.

Viomundo – Então antigamente o troca-troca ia até mais tarde?

Carmita Abdo – Sim. Mas, atualmente, com a liberdade sexual das meninas e das adolescentes, o troca-troca dos meninos está restrito à fase de iniciação sexual mesmo. Quando o garoto tem 11, 12 anos é muito imaturo; nenhuma menina tem interesse sexual nele e a alternativa é o troca-troca. Isso perdura até os 13, 14 anos. Em seguida, o troca-troca é substituído por iniciação sexual com garotas. Mesmo aqueles que serão Homossexuais costumam ter essa fase com garotas.

Viomundo – Ou seja, o troca-troca faz parte do desenvolvimento sexual?

Carmita Abdo – É um estágio natural e universal do desenvolvimento sexual de boa parte dos garotos, independentemente da cultura em que estão inseridos. Na puberdade, fase de transição entre a infância e a adolescência, os hormônios sexuais começam a ser produzidos. E o apelo biológico se torna incontrolável. Além disso, a educação dada aos meninos os leva a entender que a busca por sexo é um valor positivo. E como não têm como resolver essa questão com as garotas que os atraem, vão solucionando essa necessidade física entre eles.

Viomundo – Há alguma estimativa sobre a frequência atual?

Carmita Abdo – É difícil estimar um número preciso, porque não é uma atividade que os garotos comentem ou assumam publicamente, por receio de serem mal interpretados. Nega-se muito. “Eu nunca fiz, doutora”, muitos me dizem. Eu sei que pode não ser verdade, mas não retruco. O que podemos dizer é que a maioria dos meninos teria essa experiência pelo menos uma vez ao longo da vida.

Viomundo – Faz de conta que não faz?

Carmita Abdo – Existe um pacto de silêncio. O que dá prazer ao menino geralmente é a penetração. Ele penetra, mas também é penetrado, porque o outro menino também quer penetrar. Assim, ambos conhecem os dois lados e se satisfazem com parte da experiência. Agora, quando o garoto aceita ambas as práticas e se submete de forma mais receptiva e até se mostra interessado nesse contato físico, seu próprio grupo tende a estigmatizá-lo. Muitas vezes é considerado um Homossexual. Mas esse garoto – atenção! – não necessariamente terá orientação Homossexual.

Viomundo – Na cabeça dos meninos, Homossexual é apenas o passivo, o ativo, não?

Carmita Abdo – Geralmente pensam assim. Mas é um grande equívoco considerar que ser Homossexual masculino significa ter passividade sexual, ou seja, ser penetrado. O Homossexual pode ser ativo também. Na vida adulta, independentemente de ele penetrar ou ser penetrado, é a atração que define a tendência sexual. Homossexual – seja homem ou mulher – é aquele que tem preferência sexual por pessoa do mesmo gênero que o seu.

Viomundo – Vamos supor que o pai flagre a situação. O que ele deve fazer nessa hora?

Carmita Abdo – Primeiro, ter muita tranquilidade, não se angustiar. O grande medo dos pais é que essa experiência se torne a preferência sexual do filho. Na maioria das vezes ela é temporária. Segundo, não comece a investigar a vida do garoto de forma explícita e indiscreta. É a intimidade dele que estará sendo vasculhada. É muitíssimo desagradável estar exposto, ser interrogado, às vezes até sem nenhuma privacidade. Terceiro, seria interessante ainda o pai puxar um pouquinho pela memória e relembrar que deve ter vivido situação semelhante na sua puberdade ou no início da adolescência, e hoje nem se lembra.

Viomundo – Adianta xingar, dar bronca, brigar e até partir para a agressão física?

Carmita Abdo – De modo algum. Se o garoto se deixou ser pego, talvez ele quisesse mesmo que isso acontecesse, para abrir um canal de comunicação com o adulto. Pais, não percam essa oportunidade. Mas é só uma conversa mesmo, uma oportunidade de educação sexual em família, sem coações ou medidas repressivas que possam complicar o relacionamento familiar. Lembrem-se: na maioria das vezes, é apenas uma fase natural do desenvolvimento sexual do menino.

Viomundo – Os pais devem conversar com os filhos sobre essa questão ou esperar que perguntem?

Carmita Abdo – A melhor forma de educação sexual – começa na primeira pergunta da criança sobre sexo, o troca-troca e todas as demais questões – é tratar cada assunto à medida que for apresentado. Não adianta se antecipar sobre aquilo que o menino ainda não viveu. Ele vai estranhar, não vai entender. É a mesma coisa que falar para uma criança de 2 anos que um dia ela vai ler, escrever... Ela pode até ouvir, mas essa fala não será assimilada.

Viomundo – Como os pais devem proceder?

Carmita Abdo – Todas as perguntas sobre sexualidade devem ser respondidas à medida que aparecem. Não se deve fazer discurso, mas responder de forma direta, objetiva, sintética, pontual, a questão formulada. Os pais – leia-se pai e mãe – são os que têm melhores condições de dar educação sexual aos próprios filhos. Afinal, conhecem melhor do que ninguém as peculiaridades da personalidade do seu menino ou menina. Isso exige maturidade do pai e/ou da mãe para lidar com o tema.

Viomundo – Mas, por vergonha ou desinformação, muitos pais não conseguem. O que fazer?

Carmita Abdo – Independentemente de os pais estarem ou não atentos ao desenvolvimento sexual do filho, ele está ocorrendo. A melhor educação sexual é a que se recebe em casa. Por isso, o ideal seria que falassem abertamente com a criança sobre o assunto. Hoje em dia existem sites, livros, filmes capazes de fornecer informação de qualidade. Entretanto, se não se sentem à vontade para fazer esse papel, um caminho é pedir a outro familiar adulto que o faça. Em última instância, a educação sexual na escola pode ser a alternativa possível. É fundamental não apenas para o desenvolvimento sexual mas para a saúde geral da criança.

Viomundo – O que diria a um garoto que eventualmente leia a nossa entrevista?

Carmita Abdo – Primeiro, faria a seguinte observação: a sexualidade existe dentro de todo ser humano. É lícito que você se sinta sexualmente estimulado; isso faz parte naturalmente do seu desenvolvimento. Em seguida, daria três sugestões: 1) se tiver dúvida, procure dividi-la com um adulto da família que possa orientá-lo, de preferência seu pai ou sua mãe. Se sentir que não estão aptos, converse com outra pessoa adulta da família ou um professor; 2) seus primeiros contatos sexuais devem ser com pessoas da sua faixa etária; 3) nunca deixe de fazer sexo protegido, isto é, use sempre a camisinha. Sexo seguro é fundamental para a sua saúde e da sociedade como um todo.

Viomundo – O troca-troca tem que ser mesmo entre meninos da mesma faixa etária?

Carmita Abdo – Seguramente. Tudo o que foge disso pode causar dano físico e emocional à criança.

Viomundo – Explique melhor.

Carmita Abdo – Às vezes o garoto pensa que está fazendo troca-troca e não está. Por exemplo, quando ele, com 11, 12 anos, descobre a sua sexualidade com um adulto ou com um adolescente de 18, 19 anos. Não é uma experiência de troca, porque não existe liberdade de escolha. Aí, ele serve como objeto sexual, pois está submetido pela pessoa mais velha. Essa experiência pode ser violenta e machucar, prejudicar o menino física e emocionalmente. O troca-troca também é danoso quando o garoto é obrigado por outros maiores ou mais fortes a se submeter a essa prática. Troca-troca supõe livre escolha.

Viomundo – Sexo seguro supõe o uso de camisinha. Isso significa que troca-troca só com preservativo?

Carmita Abdo –Troca-troca é uma prática sexual, na qual há contato íntimo dos órgãos genitais e troca de secreções. É indispensável, portanto, que o garoto use camisinha, pois é impossível saber se o outro tem alguma doença sexualmente transmissível. Além disso, o pênis de quem penetra fica exposto ao conteúdo do reto [parte final do intestino] de quem está sendo penetrado. Alguém pode refutar: “Como chegar para um garoto de 10, 11, 12 anos e dizer: olha, isto aqui é uma camisinha; use-a quando fizer o seu troca-troca?” . Quando o assunto é sexo, a regra de que não se deve antecipar coisa alguma cai por terra. Às vezes o preço que se paga por não informar e educar é muitíssimo mais alto.

Viomundo – Como resolver esse impasse?

Carmita Abdo – Os pais precisam estar cientes de que os recursos para evitar o sexo de risco devem ser adotados desde a iniciação sexual. É melhor promover saúde e engajar-se na prevenção do que enfrentar, no futuro, as consequências do sexo de risco. Por isso, sistematicamente, os pais têm que bater na tecla da camisinha. Ela é o único recurso eficaz contra gravidez e doenças sexualmente transmissíveis, inclusive aids.


Viomundo – Nesse caso, o que aconselharia um pai ou uma mãe a dizer ao filho?

Carmita Abdo -- Tudo o que você faz na vida pode ser bom como ruim. Você às vezes saboreia um prato excelente, mas que pode lhe fazer mal. Por isso, é preciso sempre se prevenir. Você não coloca uma verdura ou fruta na boca do jeito que vem da feira. Você lava antes. Esse cuidado de se proteger deve se tornar hábito desde o início da vida sexual. Você não precisa dizer para o garoto: “quando você fizer troca-troca, use preservativo” . Mas você pode dizer que em toda relação sexual – seja qual for - é fundamental que ele use a camisinha. Pronto. Não precisa entrar em detalhes.

Viomundo – E se o garoto se mostrar insatisfeito com a resposta genérica?

Carmita Abdo – Você até pode aprofundar a resposta, caso o clima seja propício e o próprio garoto queira.

(fonte: http://centraldenoticiasgays.blogspot.com/2009/12/psiquiatra-explica-como-reagir-quando.html)