Valeu, valeu, valeu valeu, valeu!!
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Meu amigo Luan Santana
Será que o Luan acredita na fita crepe da Globo?
Lembram do meu amigo eleitor do Serra? Que é a CARA do Luan Santana? Pois então... A gente bem que podia ter uma nova conversinha essa semana, hein?
Temos que continuar o papo da outra vez, claro, e tem algumas questões que eu gostaria de fazer... Por exemplo, será que ele acredita na tal fita crepe que só a Globo e o perito que ela contratou viram? O que será que ele achou desse circo todo?
Vou ver se marco um rolé com ele... =D
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Estou me sentindo meio São Sebastião hoje...
São Sebastião, padroeiro das gay
Estou me sentindo estranho hoje...
Meio contemplativo... E meio preso, com algumas coisas me espetando, me incomodando, e eu sem poder removê-las... É isso mesmo: amarrado e levando flechada (ou prestes a levar).
Meio São Sebastião.
Acho que é porque essa vai ser uma semana pesada, de muita correria e muitas decisões. Decisões que nem todas EU vou tomar - acho que é daí que vêm as cordas. Espero que as flechas sejam doces.
No mais
A campanha do segundo turno segue a todo vapor. Hoje eu li que o tracking interno do PT já aponta para um aumento da margem entre Dilma e Serra, para a casa dos 10 pontos. Isso mostra que Dilma teria invertido sua tendência de queda e estaria subindo, enquanto Serra, agora, cai. Música para meus ouvidos.
Mas uma matéria muito interesante saiuhoje no Estadão, "A cor do voto": mostra que, nas classes baixas, todos votam em Dilma, brancos e negros. Mas conforme a faixa salarial vai subindo, os brancos vão indo mais pra Serra. Já os negros, mesmo os muito ricos, permanecem votando em Dilma. O mesmo acontece com a escolaridade: brancose negros com baixa escolaridade votam Dilma, mas brancos com ensino superior votam Serra, enquanto negros com ensino superior continuam votando Dilma.
Achei interessantíssima essa pesquisa. Mostra que a diferença entre classes continua mais viva do que nunca - mas que questão racial não é tampouco desprezível...
Por falar em questões étnicas, uma notícia que me preocupou: Angela Merkel, chanceler da Alemanha, acaba de afirmar que "a tentativa de criar sociedade multicultural na Alemanha 'fracassou'". E que os imigrantes devem se esforçar para aceitar a língua e os valores alemães - pricipalmente os valores cristãos. Recado claríssimo à crecente população turca/muçulmana.
Mas complicado né? Será que a Alemanha não aprendeu nada com a sua própria intolerância no século passado? Ou está desaprendendo?
Enfim, é torcer para que esses ventos (que já se alvoroçam por aqui também) sejam devidamente dispersados. Aqui, só a vitória da Dilma salva.
Vamo que vamo!! =D
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Conversa com um eleitor do Serra
Os cabos eleitorais do candidato do PSDB:
alguém duvida que essa gente vote no Serra?
Ontem eu saí pra tomar uma cerveja com um grande amigo meu. Nos conhecemos há 10 anos. E, como nem tudo é perfeito, ele é ferrenho eleitor do Serra.
O assunto da noite, claro, foram as eleições.
Uma coisa boa, que acho importante salientar, é que esse meu amigo (vamos chamá-lo de Luan - ele é a cara do Luan Santana) não se encaixa em nenhum dos grupos extremistas ilustrados acima, graças a Antínoo!, muito pelo contrário: ele é gay, extremamente inteligente, bem informado, recém-formado em uma das mais importantes universidades de SP, bom nível sócio-financeiro-educacional etc. Aproveitei a conversa pra saber por que diabos alguém vota no Serra e, mais importante, por que ele não vota na Dilma.
Começamos pelas semelhanças entre os candidatos. Concordamos que, qualquer um que ganhe, não será o fim do mundo. Nenhum dos dois, pessoalmente, é extremamente reacionário. Ambos apoiam a descriminalização do aborto e os direitos dos homossexuais (mesmo que ande circulando por aí várias informações ao contrário - muito do que se diz agora é campanha, da boca pra fora). Ambos são democratas e orbitam o espectro político ali pelo centro - sendo o Serra mais pra centro-direita e a Dilma mais pra centro-esquerda.
Aí veio o primeiro tensionamento. O Luan resistia muito em assumir que o Serra representa a direita e Dilma, a esquerda. Às vezes ele flertava com a ideia de que "não existe mais direita e esquerda no Brasil" (uma noção falsa, que favorece a direita), outras vezes assumia a diferencação, mas com outros nomes: Serra seria liberal (a favor da autoregulação do mercado, das privatizações), enquanto Dilma seria mais a favor da presença do Estado na Economia. O que dá no mesmo.
Mas percebi que, pra esse tipo de eleitor esclarecido do Serra, a noção de "esquerda" ainda é mais positiva que negativa, e a de "direita" ainda é mais negativa que positiva. Daí a resistência em se aliar imediatamente com a direita e deixar a Dilma ser de esquerda.
Essa resistência é reinforçada por uma certa demonização do PT. Ele falou de projeto de poder de 70 anos, de PRI, ditadura populista etc. E das alianças do PT com setores conservadores, religiosos etc.
Foi quando comecei a me dar conta de outro aspecto: apesar do Luan ser extremamente bem-educado e informado, sua informação era extremamente seletiva. Ele estava afiadíssimo em tudo de ruim que o PT havia feito nos últimos 8 anos - mas ignorava qualquer irregularidade do PSDB e suas lideranças. Já tinha "ouvido falar" em Paulo Preto, mas não sabia o que ele tinha feito. Não tinha conhecimento das declarações do Índio da Costa contra os direitos gays e nem sabia da prisão do candidato a deputado do PCC, antes das eleições. A propósito, ele não acredita que o governo de SP tenha favorecido o florescimento do PCC e acha que essa história de imprensa golpista é conto de fadas.
Ou seja, mesmo não pertencendo a grupos de extrema direita, ele era totalmente pautado por esse grupo. Parecia que eu estava sentado frente a frente com o Reinaldo Azevedo. E, como tal, não dá crédito à sociedade civil organizada ("é tudo aparelhada pelo PT") e menos ainda ao controle social ("é só pra inglês ver, pra acalmar os ânimos, mas não tem efetividade prática").
Em resumo: Por que não votar na Dilma? Basicamente por medo do PT. Medo do PT querer ficar anos e anos no poder ("é preciso haver alternância!"), medo da relação do PT com as massas ("o PT acha que deve guiar as massas, como prega o marxismo"), medo da Dilma "não segurar o PT" (no fortalecimento do Estado, no PNDH3 etc).
Tadinho do "Luan"... Tão bonitinho e tão perdido!
Bom, eu precisava contra-argumentar. Primeiro ressaltei que essa visão do PT como a raiz de todos os males é uma demonização orquestrada pela mídia. O PT não é melhor nem pior que nenhum outro partido e sofre o preconceito de classe de ainda ser o principal representante da classe trabalhadora no país. Aliás, essa questão de classe permeou toda a conversa e, ao contrário do que muitos querem fazer parecer, está mais viva do que nunca.
Segundo, sobre o projeto de poder do PT. O PT não quer ficar 10, 20, 70 anos no poder. Quer ficar 100, 200. Assim como TODOS os partidos, ora bolas. Afinal, não são eles as únicas instituições constitucionalmente habilitadas a disputar o disputar o poder? E qual o propósito dessa disputa senão o de permanecer no poder o maior tempo possível? Sobre alternância de poder: Hello-o! em que estado vc vive mesmo, Luan? São Paulo? Há quantos 20 anos o PSDB está no poder mesmo?
Sobre o PT e as massas: a partir do momento que o Estado começa a aceitar o controle social, ou seja, que a sociedade civil passe a fiscalizar e pressionar o Estado por mudanças ou pela manutenção de suas conquistas, esse espaço torna-se também um espaço de poder. E um espaço de poder que, se não for ocupado por um lado será, ireemediavelmente, pelo outro. A direita no Brasil (ainda que resita o título de direita) é recalcada porque nunca teve o diálogo com os movimentos sociais que esquerda sempre teve. A direita nunca teve militância, povo de verdade na rua (veja que triste é uma passeata pró-Serra - alguém ali não era pago? - e olha que o vídeo é da Folha...). Que as massas se identifiquem com Dilma e o PT é natural, pois o partido sempre esteve com eles, como o PCdoB e outros. Aliás, quem acha que pode "liderar as massas" e se coloca acima delas, numa arrogante superioridade, é justamente o PSDB...
E, finalmente, sobre "Dilma não segurar o PT", parte disso tem a ver com a tal demonização, parte tem a ver com a pauta da direita mais extrema. essa centro-direita moderada, à qual pertence o Luan, não sabe exatamente o que o pode acontecer de fato caso a "Dilma não segure o PT". É só uma sensação vaga de medo. Conhece pouco do PNDH3, por exemplo, e só sabe rerpoduzir o que sai na mídia mais oposicionista. Acha que se Dilma ganhar, o Brasil vira uma Cuba ou uma China.
Minha resposta a isso é uma só: quero mais é que não segure mesmo. Lula não fez nem metade do que poderia ter feito justamente porque segurou. É por saber que Dilma não vai segurar que a extrema direita está em pânico - diferentemente da centro-direita moderada, a extrema sabe muito bem o que tem a perder com a chegada definitiva do povo no poder: sua hegemonia.
E é por isso que o povo ali de cima - milicos, neo-nazistas, TFPistas, integralistas, religiosos fundamentalistas, o PiG - vota tudo no Serra. E você, Luan? Vai realmente se juntar a eles?
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
NEM aborto, NEM Marina são importantes para o segundo turno
Passada a ressaca eleitoral (em SP, o campo progressista deixou de ganhar uma cadeira no Senado, perdeu o Governo e ainda assistiu Dilma ir para o segundo turno - pra não falar na maioria absoluta na Assembleia que Alckmin vai ter...), que venha o segundo turno.
E parece que regredimos 30 anos. Nesta mesma data, mas em 1979, acontecia passeata de 50 mil em Paris em defesa da descriminalização do aborto. Aqui no Brasil, em 2010, fica essa histeria dos boatos anti-Dilma no primeiro turno (engraçado que foi o Serra o único candidato que LEGALIZOU o aborto no Brasil, quando era ministro da Saúde em 1998) e todo mundo jurando que esse será O Grande Tema do segundo.
Bom, não vai ser. E eu explico por quê.
A boataria anti-aborto foi deflagrada por setores religiosos no finalzinho do primeiro turno e fez um monte de gente desesperada desistir de votar em Dilma. Só que esses votos não foram pra Serra. Foram pra Marina, uma candidata assumidamente evangélica, com um perfil, religiosamente falando, conservador. Porque os votos não foram pra Serra? Porque essas pessoas, religiosamente conservadoras, já não confiavam no Serra (e por isso estavam com a Dilma em primeiro lugar).
No segundo turno, no entanto, Marina não é uma opção. A escolha agora é Serra ou Dilma e, na cabeça dessa parcela religiosa, nenhum dos dois oferece certezas de que vai brecar o aborto. Então essa questão, aborto, cai por terra. É, na visão deles, uma escolha pelo "menos pior". Os votos dilmistas tendem a voltar pra Dilma sem muito esforço.
Marina
Agora vamos ver por que o apoio da Marina também NÃO É importante para o segundo turno.
Ora, a história de Marina no PV é muito recente. E o PV não é um partido que tem, nacionalmente, 20 milhões de votos. Basta ver a pouca votação que tiveram os deputados, senadores e governadores do PV. A grande "onda verde" alardeada pela imprensa se deu mais pelas pessoas assustadas pelos boatos e como uma forma de protesto à polarização do debate.
Ou seja, não são votos "da Marina". Não foram atraídos pelo charme e graça da candidata do PV e, principalmente, não dão a mínima pro apoio dela. Os verdes do Nordeste já estão com Dilma; os de SP e do Rio, com Serra; e por aí vai, regionalmente, cada um seguindo suas convicções. Por isso até que a Marina, que não é boba nem nada, deve acabar optando por permanecer oficialmente neutra no segundo turno (ainda que tudo leve a crer que, por uma questão de coerência política, no escurinho da urna ela acabe indo de Dilma).
E outra: Se os "verdes" quizessem realmente que Serra ganhasse, teriam todos votado nele - e ele teria ganhado.
No entanto, Serra teve menos votos que a soma das abstenções, brancos e nulos (33 milhões x 34 milhões). A onda verde foi pouco maior que metade dessa onda branca de quem simplesmente não quis ou não pôde votar. Só as abstenções são maiores que os votos da Marina (20 milhões x 19 e pouco).
Ou seja, não só os votos da Marina que estão em jogo, mas esses 20 milhões que não votaram (34 milhões, se somarmos os que votaram em branco ou nulo).
Dilma precisa conquistar 5 milhões de votos para ser eleita. E muitos desses que não votaram podem ser dilmistas. Que agora estão com a mão na cabeça, "Putz, por que eu não fui votar!" A reconquista de parte desses votos já é suficiente para Dilma levar a eleição.
O que eu faria se estivesse na campanha da Dilma:
Mais sobre isso - e outras análises sobre os votos de Marina - vc pode ler também no (ótimo) blog do Rodrigo Vianna (ex-repórter da Globo que se voltou contra o PiG), aqui ("Voto não foi ecológico nem evangélico") e aqui (“Votos de Marina vão se dispersar”).
E parece que regredimos 30 anos. Nesta mesma data, mas em 1979, acontecia passeata de 50 mil em Paris em defesa da descriminalização do aborto. Aqui no Brasil, em 2010, fica essa histeria dos boatos anti-Dilma no primeiro turno (engraçado que foi o Serra o único candidato que LEGALIZOU o aborto no Brasil, quando era ministro da Saúde em 1998) e todo mundo jurando que esse será O Grande Tema do segundo.
Bom, não vai ser. E eu explico por quê.
A boataria anti-aborto foi deflagrada por setores religiosos no finalzinho do primeiro turno e fez um monte de gente desesperada desistir de votar em Dilma. Só que esses votos não foram pra Serra. Foram pra Marina, uma candidata assumidamente evangélica, com um perfil, religiosamente falando, conservador. Porque os votos não foram pra Serra? Porque essas pessoas, religiosamente conservadoras, já não confiavam no Serra (e por isso estavam com a Dilma em primeiro lugar).
No segundo turno, no entanto, Marina não é uma opção. A escolha agora é Serra ou Dilma e, na cabeça dessa parcela religiosa, nenhum dos dois oferece certezas de que vai brecar o aborto. Então essa questão, aborto, cai por terra. É, na visão deles, uma escolha pelo "menos pior". Os votos dilmistas tendem a voltar pra Dilma sem muito esforço.
Marina
Agora vamos ver por que o apoio da Marina também NÃO É importante para o segundo turno.
Ora, a história de Marina no PV é muito recente. E o PV não é um partido que tem, nacionalmente, 20 milhões de votos. Basta ver a pouca votação que tiveram os deputados, senadores e governadores do PV. A grande "onda verde" alardeada pela imprensa se deu mais pelas pessoas assustadas pelos boatos e como uma forma de protesto à polarização do debate.
Ou seja, não são votos "da Marina". Não foram atraídos pelo charme e graça da candidata do PV e, principalmente, não dão a mínima pro apoio dela. Os verdes do Nordeste já estão com Dilma; os de SP e do Rio, com Serra; e por aí vai, regionalmente, cada um seguindo suas convicções. Por isso até que a Marina, que não é boba nem nada, deve acabar optando por permanecer oficialmente neutra no segundo turno (ainda que tudo leve a crer que, por uma questão de coerência política, no escurinho da urna ela acabe indo de Dilma).
No fundo, no fundo, sabemos para QUAL projeto Marina torce... =D
No entanto, Serra teve menos votos que a soma das abstenções, brancos e nulos (33 milhões x 34 milhões). A onda verde foi pouco maior que metade dessa onda branca de quem simplesmente não quis ou não pôde votar. Só as abstenções são maiores que os votos da Marina (20 milhões x 19 e pouco).
Ou seja, não só os votos da Marina que estão em jogo, mas esses 20 milhões que não votaram (34 milhões, se somarmos os que votaram em branco ou nulo).
Dilma precisa conquistar 5 milhões de votos para ser eleita. E muitos desses que não votaram podem ser dilmistas. Que agora estão com a mão na cabeça, "Putz, por que eu não fui votar!" A reconquista de parte desses votos já é suficiente para Dilma levar a eleição.
"Putz, por que não fui votar na Dilma??"
Você tem mais uma chance...
O que eu faria se estivesse na campanha da Dilma:
- Daria mais divulgação à plataforma Verde do governo Lula - que será seguida pela presidente Dilma e pode ser encontrada em detalhes no resultado da última Conferência Nacional de Meio Ambiente. Uma plataforma que tem tudo pra agradar os eleitores da Marina que estão realmente preocupados com o meio ambiente. Tá tudo lá. O texto, inclusivo, é ASSINADO pela Marina - que ainda era ministra na época. quer compromisso maior que Dilma encampar as propostas de uma Conferência capitaneada pela candidata do PV?
- Esqueceria o tema aborto. Não é uma discussão a ser feita em 20 dias. E não vai influenciar em nada, como apontei acima. Falar sobre isso só gera mais ruído na imprensa (e esse é o jogo do PiG).
- Faria umas peças de campanha voltadas aos dilmistas que não votaram. No estilo, "PRecismos do voto de TODOS nessemomento. Se você vota Dilma, não deixe de votar." Se, de cada 6 que não votaram, UM resolver votar na Dilma, ela leva.
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