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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Travestis Adolescentes - Nota oficial do E-JOVEM

GRUPO E-JOVEM
de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados

Nota Oficial do GRUPO E-JOVEM

Foi com muita consternação que o GRUPO E-JOVEM de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados recebeu as notícias, recentemente veiculadas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, e pelo jornal Folha de S.Paulo, acerca de um grupo de travestis adolescentes de Belém (PA) que estavam sendo sexualmente exploradas em São Paulo (SP).

É notório que o destino de travestis jovens expatriadas geralmente seja cair na mão de cafetinas inescrupulosas, que as mantêm em estado de escravidão. Essa rede ‘descoberta’ em SP não é a única. São milhares de travestis vivendo dessa forma, em todos os grandes centros do país.

Ainda que seja louvável a preocupação com as adolescentes, a maioria entre 14 e 17 anos e que foram encaminhadas de volta às suas famílias, o simples ‘repatriamento’ dessas meninas trans não é a solução. Como mostra a reportagem “Sonhos de Belém”, publicada na Folha em 7/02/2011, muitas não possuem vínculos familiares e as que possuem com certeza enfrentam rejeição devido às suas orientações sexuais e identidades de gênero. Traduzindo: suas famílias não as aceitam como travestis, não apoiam as mudanças em seus corpos e, geralmente de forma violenta, contribuem para o rompimento do vínculo familiar.

Sim, elas vão voltar para São Paulo. E mais virão. Elas querem ir ao shopping montadas e serem bem atendidas pelo SUS. E elas têm esse direito, de buscar a felicidade, seja em Belém ou em São Paulo.

Como a única rede nacional integralmente dedicada ao movimento jovem LGBT, EXIGIMOS que o Estado ofereça as garantias necessárias de Saúde, Segurança e Assistência Social para que essas adolescentes não precisem fugir de suas realidades para terem seus direitos garantidos. É preciso ensinar essas famílias a conviver com a diversidade e a reconhecer suas filhas.

E, caso elas queiram realmente ir para São Paulo ou qualquer outro lugar, é preciso garantir que sejam bem recebidas e tenham seus direitos garantidos lá também – como cidadãos e cidadãs brasileiras que são, sem que a solução seja simplisticamente devolvê-las a famílias que as violentam.

O GRUPO E-JOVEM, através de seus núcleos em Belém e São Paulo, acompanhará de perto esse caso, dará apoio à esas meninas e buscará diligentemente tais garantias das autoridades competentes.

Esperamos que o Centro de Referência, Prevenção e Combate a Homofobia da Defensoria Pública do Estado do Pará, o Centro de Referência da Diversidade da cidade de São Paulo e a Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo sejam sensíveis a essas demandas. E aos desejos de Pamelas, Daianys, Natashas, Jessicas, Michellys e Samanthas.

Atenciosamente,

Chesller Moreira/Lohren Beauty, presidente nacional do Grupo E-jovem
grupo@e-jovem.com; (19) 9341-3764

Wander Júnior, presidente do Grupo E-jovem em São Paulo
wanderjunior.bs@hotmail.com

Daniel Prestes, presidente do Grupo E-jovem em Belém
e.belem@hotmail.com


Campinas, 7 de fevereiro de 2011
Sonhos de Belém
Sete travestis adolescentes do Pará que se prostituíam na capital paulista são resgatados pela polícia, mas já dizem que vão voltar a SP


ELIANE TRINDADE
DE SÃO PAULO


Eles têm entre 14 e 17 anos, nasceram em Belém (PA) e chegaram a São Paulo com documentos falsos e duas certezas: a de que iriam ganhar a vida como travestis e juntar dinheiro para fazer implante de silicone nos seios.

O sonho dos sete garotos foi interrompido por uma ação policial na última quarta-feira. "Eu tava tomando banho, o policial bateu na porta, eu abri e ele foi logo dando porrada na minha cabeça", conta Pamela, 17.

Em São Paulo desde agosto, ela foi descoberta, com as outras seis colegas, numa casa no Cambuci, onde pagavam uma diária de R$ 30 para dormir e comer. Os nomes são fictícios.

Cinco dos travestis adolescentes já voltaram para Belém no sábado, depois de serem ouvidos pelo Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado. "As autoridades paraenses foram acionadas para recebê-las e encaminhá-las de volta às famílias", afirma a secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda.


Duas delas estão ameaçadas de morte. É o caso de Daiany, 14, cuja família denunciou o esquema de exploração sexual que resultou na prisão de 80 travestis.


"Se ela voltar para Belém ou ficar vão acabar com ela", diz Pamela, sobre a amiga que está em SP há 15 dias.


A capital era uma descoberta. "Aqui a gente pode andar de ônibus e ir ao shopping sem ser xingada", diz Daiany. Mas também convivia com o espectro da violência. "Nunca se sabe se o cliente é psicopata ou se vai dar o cano." Já levou porrada e calote. Diz se defender com o salto das sandálias altíssimas sobre as quais oferecia seu corpo delicado na avenida Indianópolis.


MEIA-NOITE?
Todos os dias, o grupo de novatas fazia tudo sempre igual. "A gente tinha que sair de casa até as 20h e só podia voltar a partir das 5h", relata Natasha, rosto infantil bem maquiado, voz anasalada.


Por volta das 13h, a turma era acordada pela cozinheira para o almoço. "Dormia o dia inteiro. É muito cansativo", diz Jessica, 15. E lucrativo. "Quanto mais nova e magrinha, melhor", afirma Michelly", 15. O preço por programa varia de R$ 80 (no carro) a R$ 120 (no hotel). "Em uma noite boa, dava para voltar com R$ 400 no bolso."


Sem vínculos familiares, todas declararam que vão voltar. "É só o tempo de chegar a Belém, arrumar os R$ 300 da passagem de ônibus e encarar dois dias de viagem", diz Samantha, 17.


Em São Paulo desde novembro, ela foi submetida a uma cirurgia para mudança de sexo. Diz que mentiu a idade e fez a operação pelo SUS. "Ainda dói", conta ela, que toma hormônio feminino desde os nove anos.


A promotora Eliana Vendramini acompanha os casos e diz que é preciso refletir sobre as vidas destes adolescentes. "As famílias, a sociedade e o próprio Estado precisam aprender a lidar com a diversidade sexual", diz.


GRUPO E-JOVEM de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados
www.e-jovem.com – grupo@e-jovem.com
R. José Camargo, 382 – Campinas/SP – 13040-074
Tel.: (19) 3307-3764 / 9341-3764

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Jovens gays sofrem tentativa de homocídio em Hortolândia (SP)

Repassando e-mail do meu amigo Fábio Silva, vice-presidente da UJS/Campinas e professor de WebTV da Escola Jovem LGBT:

Na madrugada desta terça-feira, 30, em Hortolândia, cidade da região metropolitana de Campinas (SP), ocorreu um ato de homofobia, dando sequência a uma tentativa de homocidio(homicídio contra homossexuais, motivado por homofobia), seguido de assalto.

As vítimas, Fábio Silva (25) e L. (19), estavam no portão da casa de Fábio, quando foram abordados por dois homens armados. O primeiro perguntou "vocês são viados?", ao que L. respondeu "E se for, tem algum problema?"


Fabio Silva narra a sequência dos fatos: "O comparsa estava na esquina vigiando, após a resposta de L., o agressor avançou sobre ele, puxando-o pelo pescoço, jogando-o na calçada da minha casa. Fui pra cima pra defendê-lo, quando ele sacou a arma, soltou a trava de segurança, mirou no rosto do L. e puxou o gatilho. Eu estava esperando o barulho do tiro mas só ouvi o "click". Pedi desesperado pra ele deixar disso. O criminoso homofóbico mandou a gente sentar na calçada e pediu meu celular. Ele nos manteve ali por muito tempo, falando coisas horríveis. Não passou nenhum vizinho, nenhum carro, nenhuma viatura policial. Pensei que iámos morrer. O L. mora próximo a minha casa e eu sempre vou buscá-lo no ponto de ônibus quando ele chega do trabalho, à uma da manhã. Naquele dia, ele quem me acompanhou até casa, fazendo o inverso da nossa rotina. E aí foi o azar. Não estávamos expostos, sequer estavamos demonstrando um comportamento que pudesse levantar suspeitas, quando os agressores surgiram".


O caso foi registrado na delegacia de Hortolândia apenas como assalto. As vítimas estão encaminhando uma denúncia formal de homofobia ao Centro de Referência LGBT de Campinas e à Defensoria Publica do Estado De Sao Paulo.

Comentário: Primeiro os pais dizem que preferem "filho morto do que filho viado". Depois as igrejas afirmam que "homossexuais são coisas do demônio". E um deputado federal diz que pro filho deixar de ser gay é só "dar umas palmadas nele". Daí pro povo sair matando gays na rua é um pulo. Em 2010 bateremos o recorde de LGBT assassinados no país, mais de 200.

Até quando?

ATUALIZAÇÃO: Este é Fábio Silva:
Como diria o Entei, ta tudo bem agora...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que vai ser quando crescer?


FERNANDO DE BARROS E SILVA



O que vai ser quando crescer?
(publicado na Folha de S.Paulo, 16/11/2010)


SÃO PAULO - O grupo de jovens que agrediu pelo menos três rapazes por volta das 6h30 de anteontem, na avenida Paulista, estuda num colégio particular. Menos de 15% dos adolescentes nessa faixa etária frequentam escolas privadas em São Paulo; o resto está na escola pública ou fora da escola.


Além disso, desde o primeiro instante os agressores contaram com a proteção de pelo menos um advogado. É, em tese, um direito de todos, embora, na prática, seja mais um indicador de privilégio social.


Os jovens já estão em casa. Foram liberados ontem -quatro deles, entre 16 e 17 anos, da Fundação Casa; Jonathan Lauton Domingues, 19, o único universitário, de um centro de detenção provisório.


Não sei se deveriam permanecer detidos. Mas seria bom que não ficassem impunes. É possível, porém, que a maior punição seja a repercussão pública do caso, com os constrangimentos, para os jovens e familiares, daí decorrentes.


Não se pode compactuar com o linchamento sumário dos agressores, não há dúvida; mas também não é possível tolerar ou ser conivente com esse tipo de delinquência juvenil. As vítimas, talvez não seja demais lembrar, são os que foram espancados covardemente.


Há fortes indicações de que os garotos agiram movidos por homofobia. Isso apesar dos esforços do advogado -que está ali para reduzir danos dos clientes e não para dizer a verdade- para caracterizar o episódio como mera "confusão".


Quase todos já fizemos porcaria quando jovens. É a fase da explosão hormonal e da vitalidade física, dos exageros e da insensatez, dos impulsos para desafiar o perigo, das transgressões e dos ritos de afirmação diante dos (e com os) colegas.


Mas a juventude também é o período em que fixamos os valores que vão nos servir de norte na vida adulta. O que pretendem ser quando crescer os meninos bem nascidos que se divertiam distribuindo pauladas em inocentes em plena Paulista no feriadão escolar?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Escola gay pretende instalar câmeras para evitar ataques

Publicada em 10/11/2010
no jornal Correio Popular, de Campinas (SP)

Cidades
Escola gay pretende instalar câmeras para evitar ataques

CHESLLER MOREIRA, presidente da Escola Jovem LGBT,
mostra os restos de uma garrafa jogada contra a porta de vidro da escola


Depois do segundo ataque em menos de um mês, a Escola Jovem LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais), de Campinas, pretende instalar câmeras na instituição para inibir as ações criminosas. O último ataque ocorreu na noite de segunda-feira, quando uma pessoa não identificada jogou uma garrafa de Cidra contra uma porta de vidro. Em outubro, a instituição foi vítima de apedrejamento. Não houve feridos em nenhum dos casos.

Segundo o presidente e idealizador da Escola Jovem de Campinas, Chesller Moreira, os ataques têm ligação direta com homofobia. “Com certeza, foi esse o motivo. Nunca tivemos problemas com a vizinhança, mas a E-Jovem traz algumas questões que de certa forma ‘ferem’ a moral e os bons costumes de algumas pessoas”, afirma. Os coordenadores da instituição vão registrar um boletim de ocorrência e pretendem instalar câmeras no local. “É um dinheiro que vai sair do nosso bolso, mas que vai ajudar a identificar os autores”, disse. A escola também pretende realizar trabalhos de conscientização sobre homofobia. “Temos a intenção de realizar uma palestra sobre homofobia em uma escola vizinha. Esse episódio me deu mais ânimo para promover ações de conscientização”, disse.

Para Paulo Reis, coordenador de políticas para diversidade sexual da Prefeitura de Campinas, os ataques são fruto da intolerância contra a população LGBT. “É sabido que essa população faz parte de um grupo muito vulnerável”, afirma. Reis orienta que o grupo ou a pessoa que for vítima de violência deve registrar um boletim de ocorrência e procurar o Centro de Referência LGBT para que o caso seja acompanhado. “O nosso objetivo é não deixar que o caso fique sem solução”. (AAN)



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Escola gay sofre ataque em Campinas

Resquícios da violência: homofobia?

A Escola Jovem LGBT de Campinas, SP, foi alvo de violência nesta segunda, 08, por volta das 22h. Uma garrafa foi atirada contra a escola. Ninguém foi atingido, felizmente, mas cacos de vidro cobriram as escadas e parte do pátio.

Não foi a primeira vez. Pedras, também jogadas durante a noite, atingiram uma das portas de vidro, trincando um dos painéis.

Homofobia? Para Lohren Beauty, presidente do E-jovem e uma das coordenadoras do Ponto de Cultura, sem sombra de dúvida. "Algumas pessoas têm medo do que é diferente. E, por se tratar de um bairro residencial, talvez isso ameace ainda mais esse tipo de homofóbico," desabafa.

Para o diretor da Escola, Deco Ribeiro, a homofobia é certamente um fator importante - mas não só. "Isso tem cara de molecagem," explica. "Preconceito, sim, mas menos fruto de ódio e mais como auto-afirmação juvenil, o famoso bullying." O horário dos ataques coincide com o horário de saída das aulas de um colégio próximo, que tem aulas noturnas.

Mas providências serão tomadas. A Escola estuda a instalação de câmeras de vigilância e um maior trabalho de conscientização junto aos estudantes do bairro. "É o preço da visibilidade," constata o diretor.

Campinas já foi palco de graves crimes homofóbicos este ano, como a agressão ao jovem Johnatan e o brutal assassinato da travesti Camille. No Brasil, a homofobia mata quase 200 homossexuais e travestis por ano.