Mostrando postagens com marcador Manipulação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manipulação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O círculo da direita se fecha: teocracia, censura nas redações, ideologia do medo

Reproduzo abaixo excelente texto do blog do Rodrigo Vianna, ex-PiG (e, portanto, profundo conhecedor de suas entranhas):

O eleitor médio aceitará ser torturado pelo discurso
de fanáticos religiosos a serviço de Serra?



Com a generosa ajuda da velha mídia brasileira, e uma mãozinha da candidatura de Marina Silva, Serra conseguiu pautar a reta final do primeiro turno e o inicio do segundo turno com uma temática religiosa.


É um atraso gigantesco para o Brasil.

Parte dos apoiadores de Dilma acha que a campanha do PT deve fugir desse debate, recolher apoios de evangélicos e católicos, e rapidamente mudar de assunto.

Penso um pouco diferente.

É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir.

Por que ninguém do PT é capaz de dar uma resposta a Serra, deixando a Ciro Gomes a tarefa de pendurar o guiso no gato? Ciro disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. Vejam:

(Ciro Gomes) “Por que o PSDB, que nasceu para ajudar a modernidade do País, resolveu agora advogar o Estado teocrático? O Serra tem de dizer que, na República que ele advoga, primeiro falam os aiatolás, e aí os políticos resolvem o que os aiatolás querem que seja feito.”

O Brasil, agora digo eu, precisa que se faça esse debate.

O Brasil precisa, também, comparar os resultados econômicos e sociais de FHC e Lula. Mas precisa de politização, precisa que se enfrente o pensamento conservador.

Essa é uma hora boa para desmascarar a intolerância religiosa.

Aliás, é preciso tomar cuidado ao associar “evangélicos”, apenas, a esse discurso intolerante. Não. Os ataques mais coordenados e mais perigosos partem da Igreja Católica.

É preciso – com muito cuidado e respeito pelos milhares de católicos e evangélicos que praticam a religião apenas para confortar suas almas, e para difundir o amor ao próximo – lembrar que já houve um tempo em que a religião mandava na política.

No Brasil Colonial, tivemos a Inquisição católica a prender, torturar e executar. A intolerância religiosa já matou muito – no mundo inteiro. Aprendemos isso na escola, ou deveríamos aprender (quem não se lembra da “Noite de São Bartolomeu”, na França, pode ler algo aqui).

Já que Serra quer travar esse debate, devemos pendurar o guiso no gato, e perguntar se o que ele quer é um Estado teocrático. É isso?

Do lado de Serra, certamente ficará muita gente. Mas tenho certeza que do outro lado ficará o que há de civilizado nesse nosso país.

Na Espanha, esse debate é travado nas eleições. O PP (partido conservador) tem uma parceria muito próxima com a Opus Dei e com o catolicismo mais reacionário. O PSOE (social-democrata) não tem medo de assumir a defesa de um Estado laico – respeitando as práticas religiosas.

O PSOE ganhou eleição prometendo união civil de homossexuais. A direita católica do PP realizou marchas com quase um milhão de pessoas, contra essa plataforma. Levou bispos e padres (de batina e tudo) para as ruas. O PP tentou intimidar o PSOE. O que fez a centro-esquerda? Travou o debate, resistiu, deu uma banana para o terrorismo religioso. E ganhou.

É preciso ter coragem.

O círculo da direita se fecha: ela tem as igrejas (algumas), ela tem a velha mídia, ela tem a prática da intolerância.

“A ideologia da direita é o medo”, já nos ensinava Simone de Beauvoir.

A intolerância e o medo é que levaram o “Estadão” (que, diga-se, abre espaços para a Opus Dei) a demitir Maria Rita Kehl por ter escrito um artigo que contraria a linha oficial de “somos Serra até a morte”.

Nas redações, não há espaço para dissenso. Quem levanta a cabeça tem a cabeça cortada.

“Folha” (que censura blogs), “Estadão” (que demite colunista), “Veja” (com seu esgoto jornalístico a céu aberto) e “Globo” (sob comando de Ali “não somos racistas” Kamel) são a armada a serviço desse contra-ataque conservador. Isso já está claro há muito tempo. Mas Lula parece ter minimizado essa articulação, e acreditado que enfrentaria tudo no gogó – sem politizar o debate. Não deu certo. É preciso enfrentamento, politização.

Esse é um combate que merecer ser travado. Para ganhar ou perder. E acho que temos toda chance de ganhar.

Até porque, se Serra ganhar com esse discurso de ódio, e com esses apoios (panfletos da TFP, reuniões no Clube Militar, pregação e intolerância religiosas), o país (empresários, trabalhadores, classe média) precisa saber que teremos uma nação conflagrada durante 4 anos.

Não dá pra fazer de conta que isso não está acontecendo.

Há espaço para uma centro-direita civilizada no Brasil? Claro. Mas essa direita que avança com Serra não merece respeito. Merece ser combatida, como fazem os espanhóis e como fez o Ciro Gomes.

Com coragem.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A mídia e a manipulação das eleições

Dilma, a guerrilheira: nasce um ícone

Que grande parte da imprensa  brasileira copia o que sai no Globo, na Folha e no Estadão, todo mundo sabe. Que esses mesmos três veículos repercutem o que sai na Veja e replicam isso ao longo do seu próprio grupo de mídia (UOL, Época, TV Globo etc) e dessa grande parte da imprensa brasileira também é fato notório. E que esse quarteto de empresas (famílias?) de comunicação atuam em conjunto e com claro interese político, como se fosse um partido próprio (o PIG, Partido da Imprensa Golpista, diriam alguns), também é fácil de verificar.

Até porque o interesse dese PIG é sempre oposto aos intereses da população e atendem apenas a uma elite (uma elite branca, diria Cludio Lembo - eu acrescentaria ainda adulta, masculina e heterossexual). Ouseja, a eles mesmos.

Pois bem. É em época de eleições que a coisa fica mais descarada. Um bom trabalho para alunos do primeiro ano dejornalismo seria fazer uma análise dos veículos de mídia: quanto sai falando de cada candidato? Tá, por lei o espaço é o mesmo - mas duas notícias "Serra propõe acabar coma violência" e outra "Dilma pode ter feito dossiê contra o PSDB", ainda que do mesmo tamanho, vc concorda que é positiva pro Serra e negativa pra Dilma? Então não é questão de tamanho,somente. É questão de viés.

E o viés do PIG, nessas eleições, é eleger o Serra (aliás, esse foi o viés da imprensa desde 2003, quando Lula assumiu). Daí o desespero da imprensanessa rta final, de Dilma com 47% e Serra com 29%.

Vou dar 3 exemplos só, porque esse post pode ter 300 páginas se formos falar de tudo. Mas vamos de três exemplinhos recentes.

1) Serra parte pro ataque

Nem a propaganda paga do candidato é tão direta

No dia seguinte ao debate Folha/UOL, 19 de agosto, essa foi a manchete da Folha. Manchete de pontaa ponta, com letrasmaiores, que a Folha só usa para desastres aéreos, morte do papa etc. Qual era o fato relevante, que despertou essa fúria marketeira da Folha? Não, não foi o fato do Serra ter sido mais incisivo no debate (obrigação, aliás, de quem está atrás). É que nessa mesma semana tinha saído duas pesquisas, Ibope e Vox Populi, levando Dilma a mais de 45% e Serra a 29% - abixo de 30% pela primeira vez em muito tempo. E logo o Ibope, pago pela Globo!

O desespero foi tão perceptível e descabido, que nem os próprios funcionários da casa engoliram:
 
Charges do Correio Popular e da própria Folha,
no dia seguinte, ridicularizam o "ataque" de Serra

2) Dilma, a guerrilheira

"Oh, meu Deus! Essa é a próxima presidente??
Fujam para as montanhas!"

Na semana passada, a capa da Época foi essa. O resumo é: "Como que uma guerrilheira, ex-detenta, que mente, falsifica documentos, rouba bancos e sabe-se o que mais pode ser presidente?" Ou seja, pintaram e bordaram.

Só se esqueceram de uma coisa: o único grupo que chama a luta contra a ditadura de terrorismo é a elite brasileira. Pra todo o resto do mundo, os que lutaram pela volta da democrcia, mesmo com armas, foram heróis. Mesmo tentando pintar a Dilma com todas as cores negativas possíveis, o problema aí era de códigos. O que simboliza medo e desconfiança pras elites, simboliza orgulho e luta para a esquerda. A caricatura da Dilma guerrilheira e comunista, que abre esse post, pode aterrorizar os machos brancos e héteros das famílias Civita, Marinho,Mesquito e Frias - mas tornou Dilma um ícone da juventude, um novo Ch Guevara. A imagem vermelha já domina a internet e não me surpreenderia se estampasse blusas e mochilas país afora...

Tiro pela culatra total.

3) O Porsche do Netinho

No detalhe, o "Porsche" que não era Porsche...

Nessa mesma Época da semana passada, o PIG resolve começara detonar a candidatura de Netinho ao Senado, que ameça as candidaturas conservadoras. ele está empatado em segundo com Quércia e Tuma, sendoque Marta lidera disparada na frente. Dois senadores paulistas de apelo popular? Só sob o cadáver do PIG.

A matéria resolve detonar o candidato e parte em busca da casa dele, que não estaria declarada, e de seu Porsche na garagem. Tá, a casa tá em nome dos filhos. Mas o Porsche não tem desculpa. Como pode, um candidato do povo, da periferia,de Porsche! Absurdo!!

Na revista seguinte, dessa semana, sai lá na coluna "Erramos" (que se chama eufemisticamente "Fomos Mal"), uma nota minúscula:

"O carro na garagem do candidato Netinho,
é um Pontiac Solstice, da GM, e não um Porsche."

Peraí!! Mas o grande destaque da matéria não era justamente o Porsche?? A casa tinha até explicação,mas o Porsche era o dólar na cueca do Netinho...

Ah, "fomos mal, não era Porsche. Era um carro que qualquer um poderia comprar.

E vida que segue.

Por isso, amiguinhos, para não me estender demais, tomem cuidado com TUDO o que lerem (e veremna TV) de agora até outubro. É consenso geral que o PIG tá armando algo grande pra meados de setembro, pra pelo menos tentar empurrar a disputa pro segundo turno.

Será uma mentira descarada da Veja, lançada num sábado, que vai "repercutir" na Folha e no Estadão de domingo e abrir a escalada de notícias do Jornal Nacional de segunda, alimentndo a mídia por toda a semana. Até chuto o dia que isso vai acontecer: começa na veja do dia 19 de setembro, que chega nas mãos dos assinantes no sábado 18.

Por que no dia 18e não no dia 25, mais próxima das eleiões - pra dar tempo do Ibope e do Datafolha lançaramsuas pesquisas, com a 'recuperação" do Serra após o "escândalo"...

A conferir... =]


sábado, 8 de maio de 2010

VEJA mente!

Antes que muitos saiam comemorando o fato de VEJA ter dado matéria de capa para a juventude LGBT, gostaria que lessem esse post.

Para a VEJA, não há drama algum na vida do jovem gay



Infelizmente a Veja comprou uma tese conservadora dos EUA (contida no livro "The New Gay Teenager") e fez uma matéria em cima dessa tese: que jovens gays não têm mais rótulos, não se importam em lutar pela causa e não sofrem mais homofobia na escola. É o mundo feliz da Direita, onde não é preciso nenhuma luta, pois todos já foram abraçados (assimilados, fagocitados, cooptados) pela sociedade.

É a tese do fim da luta de classes, velha conhecida nossa ("Não há racismo no Brasil" etc).

Todo o lado da juventude militante e a vulnerabilidade a que esta juventude AINDA está sujeita (principalmente na escola) foi ignorado para reforçar a tese. Pior que ignorado: foi deliberadamente deixado de lado. Porque eles procuraram o E-JOVEM e ouviram do pessoal do grupo exatamente o OPOSTO do que está na matéria. A gente (jornalistas) aprende a fazer isso (escolha seletiva de fontes para validar NOSSO ponto de vista) ainda na faculdade...

Uma pena. Mas é a Veja.

E é triste, né?

A gente se esforça para ajudar, mesmo sabendo que eles são filhosdaputa e tal. A repórter faloiu pra mim do livro e eu ressaltei que o livro retratava uma realidade cor de rosa, que ainda não era a nossa. Talvez daqui a uns 10 anos, mas não agora.

Em vão.

Enfim, joga-se a matéria no lixo? Não. Tem pontos que podem vir a ser positivos.

A matéria pode ajudar muitos meninos e meninas a se assumirem, por exemplo (já que está tudo - segundo a matéria - TÃO bem...!). Pode constranger algumas escolas a serem mais ativas contra a homofobia (já que TODAS as outras - segundo a matéria - são tão tolentantes...!).

Quando essa garotada se assumir, ou algum professor bem intencionado resolver fazer algo em sua escola, eles vão dar de frente com a realidade. E é aí que a gente entra. =D

Mas que fique registrado que nessa matéria de capa, como é usual, a revista Veja MENTE.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os sapatos de William Bonner





William Bonner, do Jornal Nacional, costuma dizer que todas as noites sua equipe tenta colocar um elefante dentro de uma caixa de sapatos. Sempre conseguem.

Trata-se da configuração do jornal de maior audiência na TV brasileira. Significa que grande quantidade das notícias produzidas é jogada na lata do lixo e outras tantas somente são divulgadas após lapidar edição que envolve a escolha de enquadramentos, incidências e aparas. Por ficarem de fora, não serão discutidas pelo público: o “lixo”, outros enquadramentos, outras incidências, outras maneiras de ver e de apresentar os temas.

É o que se denomina agendamento (agenda setting), teoria bastante conhecida em todo o mundo por qualquer estudante de comunicação, desde os anos 70, que revela como os meios de comunicação determinam a pauta (agenda) para a opinião pública. Ou seja, resolvem o que e de que forma – de que ângulo, de que ponto de vista, sob que aspecto ou profundidade – nós, indefesos leitores/ouvintes, devemos discutir a história de cada dia. Pois, para muitos, o que não deu no Jornal Nacional, a caixa de sapatos de Bonner, não aconteceu. 

Tem-se no agendamento o instrumento de impor ao leitor/ouvinte uma carga de opiniões político-ideológicas ou culturais que interessam às instâncias de poder vinculadas aos donos do veículo de comunicação. Dito de outra forma, a linha ideológica nasce de modo “espontâneo”, das necessidades dos profissionais da comunicação de manter uma relação de boa convivência e conforto em seus postos de trabalho. Ou seja, a linha ideológica da notícia nasce não só do perfil intelectual e cultural do jornalista, de suas relações e afinidades ou do seu compromisso social, mas também e sobretudo do tipo de (in)dependência profissional com seu veículo empregador.

De qualquer forma, para a unanimidade dos estudiosos não há isenção na produção de qualquer matéria jornalística, mesmo a que não é rotulada como opinativa.

E assim, o ouvinte/leitor recebe o “benefício” do agenda setting para não precisar pensar. Já na década de 20, dizia o Estadão: “Um verdadeiro jornal constitui para o público uma verdadeira bênção. Dispensa-o de formar opiniões e formular ideias. Dá-lhes já feitas e polidas, todos os dias, sem disfarces e sem enfeites, lisas, claras e puras” (Editorial do O Estado de São Paulo, de 14/01/1928).

Pode-se inferir então que um mergulho no “lixo” e nas aparas, e um exame por ângulos e critérios ideológicos diversos no noticiário jornalístico, certamente produziriam caixas de sapatos diferentes da de Bonner. Um mergulho e um exame que serão facultados a qualquer ouvinte/leitor quando o veículo de comunicação lhe oferecer os diversos ângulos e a totalidade dos fatos, para que exerça criticamente sua análise e sua escolha. Será, enfim, a oportunidade de poder formar sua opinião, sua versão dos fatos.

Para que isso aconteça, a sociedade precisa se dar conta de que existe um direito que a Constituição lhe garante: o Direito à Informação. Informação em sua integralidade, que permita acesso a uma leitura crítica, personalizada, liberta das amarras opinativas unidirecionais viciadas. Democraticamente aberta a múltiplas interpretações e juízos. Múltiplas caixas de sapatos...

Um novo olhar
Uma amostragem do que “não aconteceu” (o lixo e as aparas do Bonner) pode ser vista no noticiário dos últimos dias:

No dia 24/12, o prestigiado jornal francês Le Monde¹ escolheu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "o homem do ano de 2009. Por seu sucesso à frente de um país tão complexo como o Brasil, por sua preocupação com o desenvolvimento econômico, com a luta contra as desigualdades e com a
defesa do meio-ambiente”.

Poucos dias antes, Lula foi escolhido pelo jornal espanhol El País² a primeira das cem personalidades mais importantes do mundo ibero-americano em 2009. Com direto a foto de capa inteira e perfil assinado pelo próprio primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero. "Homem que assombra o mundo", "completo e tenaz", “por quem sinto uma profunda admiração", escreveu o premiê espanhol.

No dia 29 de dezembro, o jornal britânico Financial Times³ escolheu o presidente brasileiro como uma das 50 personalidades que moldaram a última década, porque “é o líder mais popular da história do Brasil”. “Charme e habilidade política... baixa inflação... programas eficientes de transferência de rendas...", diz o jornal.

Há nestas notícias da imprensa internacional o reflexo de um novo dia, de um novo tempo de novos sonhos. Um novo olhar do mundo sobre o Brasil. No entanto, para o leitor/ouvinte dos nossos jornalões, simplesmente nada disso aconteceu. 

(1) http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/12/24/lula-l-homme-de-l-annee-2009-par-eric-fottorino_1284552_3232.html#ens_id=1284699


(2) http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes


(3) http://www.ft.com/cms/s/0/32e550e8-efd4-11de-833d-00144feab49a.html


domingo, 3 de janeiro de 2010

"O texto de primeira página do Estadão é falso."




Estadão, primeira página

"Não existe projeto mudando a lei de Anistia. O alcance da Lei de Anistia, de 1979, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. O texto de primeira página do Estadão é falso."

Quem diz isso é o jornalista Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo, no último post de 2009: http://www.viomundo.com.br/opiniao/o-que-a-crise-militar-nos-diz-sobre-os-jornaloes-e-sobre-o-brasil

Nenhuma novidade (pra quem sabe das coisas). Recomendo fortemente a leitura completa do post a todos que pretendem não ser mais enganados pela mídia em 2010 (no link acima ou abaixo, onde tomeia liberdade de reproduzir).


O QUE A "CRISE MILITAR" NOS DIZ SOBRE OS JORNALÕES. E SOBRE O BRASIL


Atualizado em 31 de dezembro de 2009 às 21:45 | Publicado em 31 de dezembro de 2009 às 20:36

por Luiz Carlos Azenha


A "crise militar" anunciada pelos jornalões deveria ser utilizada, de forma didática, como um exemplo do uso da desinformação com objetivos políticos.

Diz mais sobre a falta de qualidade dos jornais brasileiros e do uso deles para objetivos políticos do que sobre os assuntos que teriam "gerado" a crise.

Comecemos pelo começo.

O Programa Nacional de Direitos Humanos foi criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso quando -- ironia das ironias -- o ministro da Justiça era Nelson Jobim. Veja aqui.


Desde então aconteceram 11 conferências nacionais de Direitos Humanos. A décima primeira aconteceu em 2008. As conferencias nacionais de Direitos Humanos reúnem militantes da sociedade civil e representantes das diferentes esferas do governo. As conferências produzem resoluções aprovadas em votações. Essas resoluções podemOU NÃO resultar em projetos de lei patrocinados pelo Executivo. Projetos que tramitam como quaisquer outros no Congresso Nacional. Podem OU NÃO ser aprovados.

Aqui você pode saber quais foram as resoluções da mais recente conferência.

Como mostrou o Paulo Henrique Amorim, com a exposição de um vídeo, durante a conferência mais recente foi aprovada, por 29 votos a 2, a proposta de se formar uma Comissão Nacional de Verdade e Justiça.

Trata-se, portanto, apenas de uma proposta. Que poderá ou não ser adotada pelo Executivo brasileiro.

Uma proposta aprovada por 29 votos da sociedade civil:

29.jpg

Contra dois votos de representantes do Ministério da Defesa:

defesa.jpg

Feito isso, o presidente da República e a ministra Dilma Rousseff participaram do lançamento do Plano Nacional de Direitos Humanos, em sua terceira versão (lembrem-se, a primeira versão é do governo FHC).


Como constatou o colunista Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, a reação de desconforto dos chefes militares se deu depois do evento. Eles foram acompanhados pelo ministro Nelson Jobim. Estamos falando, até agora, de meras propostas aprovadas pela sociedade civil.

Mas, estranhamente, os jornais brasileiros descobrem o assunto AO MESMO TEMPO, na semana seguinte à crise, como notou Janio de Freitas.

Todos noticiaram o assunto com destaque, NO MESMO DIA:

estadaoedtado.jpg
Estadão, primeira página


globoeditado.jpg
O Globo, primeira página


folhaeditada.jpg
Folha, página 3


Os textos dos três jornais estão repletos de informações falsas, deturpadas, incompletas ou que dão pernas a opiniões desinformadas.

Exemplos:

Na Folha, a reportagem assinada pela musa do alerta amarelo, aquela que sugeriu a todos os brasileiros, indiscriminadamente, que zarpassem para o posto de saúde mais próximo para tomar vacina contra a febre amarela, quando a vacina tem contra-indicações e NÃO PODE SER TOMADA POR TODOS -- a Eliane Cantanhêde -- diz que os militares "imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o contrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora".


Ora, a Folha não explica ao leitores o que é o Programa Nacional de Direitos Humanos, nem o que é a Conferência Nacional de Direitos Humanos, nem que as propostas da conferência são meramente propositivas. Dá pernas à teoria da "depredação" de instalações militares, completamente absurda.

O Globo, por sua vez, cita apenas um parlamentar: Raul Jungmann, do PPS-PE, aliado de Nelson Jobim e de José Serra:

"Ele chamou para si a crise e fez prevalecer sua autoridade -- disse Jungmann", diz o jornal carioca, atribuindo a crise ao ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que segundo o jornal "se confirmada a decisão de Lula de rever o decreto", "sai enfraquecido".  É importante registrar que o decreto de Lula institui o Programa Nacional de Direitos Humanos SEM DEFINIR quais serão as propostas efetivamente apoiadas pelo Executivo. Portanto, não se pode falar em "recuo" de Lula: o presidente da República ainda não definiu os projetos que apresentará com base nos resultados da décima primeira Conferência Nacional dos Direitos Humanos.

Finalmente, chegamos ao Estadão: "Projeto muda Lei de Anistia e Jobim ameaça se demitir", diz a manchete de primeira página, factualmente errada.

Não existe projeto mudando a lei de Anistia. O alcance da Lei de Anistia, de 1979, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Leia aqui para entender.


O texto de primeira página do Estadão é falso:

O Programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê a criação de uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar.


Não é verdade que o PNDH-3 proponha a revogação da Lei de Anistia. O PNDH-3 contém uma proposta para a criação de uma Comissão da Verdade que, dependendo dos poderes atribuídos a ela, em tese poderia sugerir à Justiça a investigação e indiciamento de agentes públicos acusados de tortura, por exemplo. Mas ANTES seria preciso esperar a decisão do STF sobre o alcance da Lei de Anistia de 1979 e a decisão do Congresso EFETIVAMENTE criando a comissão da verdade e dando a elaPODERES REAIS de investigação. Notaram as nuances simplesmente desprezadas pelo Estadão?

No dia seguinte, tentando dar pernas à crise, o Estadão publica um editorial em que repete a mesma lógica de 1964, dizendo que o Programa Nacional de Direitos Humanos ameaça promover "uma nova e mais perniciosa divisão política e ideológica da família brasileira".


Patético, para dizer o mínimo.

Disso tudo, concluo:

1. Que os jornalões brasileiros, como denunciamos faz tempo, cumprem funções propagandísticas: foram incapazes de "perceber" a crise militar, de "investigar" a crise militar e noticiaram a "crise militar" com alguns dias de atraso, AO MESMO TEMPO, alimentados sabe-se-lá por quem.

2. Que os jornalões brasileiros, no mínimo, são incapazes de lidar com os fatos; no máximo, servem a uma campanha de desinfomação.

3. Que quem semeia a crise no mínimo acredita em uma solução "por cima" da sociedade civil brasileira; que quem semeia a crise ou está no comando dos quartéis e não dispõe de apoio na sociedade civil ou vai bater às portas dos quartéis por falta de eleitores, no mínimo para derrubar ou enfraquecer os ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi e no máximo para atingir a "terrorista" Dilma como "dano colateral".

Mas o episódio nos diz mais.

Revela a contínua incapacidade dos chefes militares de lidar com decisões tomadas publicamente, com participação de representantes da sociedade civil, pelo placar acachapante de 29 a 2, ainda que essa propostas sejam meramente indicativas, sem poder legal. É a democracia sem povo.

Revela também, pelo conteúdo dos comentários que o Viomundo aprovou nas últimas horas, a existência de um grupo de comentaristas conservadores que está disposto a defender a tortura como ferramenta oficial do Estado brasileiro, ainda que a tortura fosse ilegal  PELA LEGISLAÇÃO ARBITRÁRIA dos regimes militares brasileiros.

Prefiro atribuir isso ao desespero da direita brasileira com a simples possibilidade de perder mais uma eleição no ano que vem.

Feliz 2010 a todos!

PS: Todas as informações deste post estão disponíveis na internet. Sugiro que se dê um curso de "Google" nas redações brasileiras.


PS2: A Conferência Nacional de Comunicação, realizada este ano pela primeira vez, apenas repete a fórmula de outras conferências nacionais, como a de Direitos Humanos. O fato de que a mídia boicotou a Confecom expôs claramente quais são os limites da "democracia" aceita pelos donos dos grandes meios de comunicação no Brasil.


PS3: Sempre é bom lembrar qual foi o destino daqueles que foram bater às portas dos quartéis antes do golpe de 1964: foram presos, cassados ou se tornaram grandes empresários da comunicação com amplo financiamento e cobertura dos chefes militares. Essa relação simbiótica foi capturada pela Beatriz Kushnir.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Pesquisa Datafolha revela as personalidades brasileiras de maior credibilidade

 



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha, informa a reportagem de Fernando Barros de Melo (aqui).

Resumex do ranking:

Entre pessoas com nível fundamental e renda até 2 salários mínimos   

primeiro: Lula
segundo: Roberto Carlos
terceiro: Padre Marcelo Rossi
quarto: Zezé Di Camargo
quinto: William Bonner
sexto: Sílvio Santos
sétimo: Ivete Sangalo
oitavo: Gugu Liberato
nono: Dunga
décimo: Datena

Entre pessoas com ensino superior completo e renda de mais de 20 salários mínimos

Chico Buarque
William Bonner
Caetano Veloso
Roberto Carlos
Lula
Padre Marcelo Rossi
Ivete Sangalo
Sílvio Santos
Dunga
Paulo Coelho

Fica difícil até comentar isso... Não sei qual das listas é pior.

As duas tem Lula, Roberto Carlos, William Bonner, Padre Marcelo Rossi, Ivete Sangalo, Dunga e Silvio Santos. Tirando o Lula, o resto é o resultado da massificação da televisão - são todos da Globo (ou maciçamente explorados por ela), menos o Sílvio, que tem sua própria rede.

As diferenças são Zezé de Camargo, Gugu e Datena (pobres) e Chico Buarque, Caetano Veloso e Paulo Coelho (ricas). Segundo escalão televisivo x Pseudo-intelectualidade burguesa.

Conclusão: Globo rulez.

Como comentou meu amigo Abel, "É de chorar no cantinho."

Feliz 2010.

P.S. Hoje estreia, aliás, "Lula, Filho do Brasil". A conferir.

domingo, 20 de dezembro de 2009

DATAFOLHA coloca Dilma disparada na frente de Serra - mas você NÃO VAI ler isso na FOLHA...




O Datafolha acaba de lançar, na edição do jornal FOLHA DE S.PAULO deste domingo, a última pesquisa do ano para presidente. E vc vai ler lá e em vários blogs e sites de notícia que Dilma fez 23% e está alcançando Serra, com 37%.

Mas será mesmo?

Como são feitas as pesquisas
São duas maneiras: em uma delas, a estimulada, o entrevistador chega pras pessoas e mostra uma lista de candidatos. São nomes que estão aparecendo na mídia, que já se lançaram candidatos ou que o Datafolha quis colocar lá. Nesse tipo de pesquisa é mais comum os nomes mais conhecidos saírem na frente - e não se esqueça que Serra já foi candidato a presidente e hoje governa o estado mais populoso do país.

Mas existe outro método, a espontânea, em que o entrevistador simplesmente pergunta e o entrevistado diz o que lhe vier à cabeça. E essa é a que interessa - porque, na urna, ninguém vai estar com listinha de nomes pra ajudar. O voto é espontâneo.

Vamos ver o resultado da pesquisa espontânae desse Datafolha feito entre 14 e 18 de dezembro:




O que esse quadro mostra? Antes de mais nada, olha que legal a manipulação da FOLHA: mesmo Serra aparecendo empatado com Dilma, nos 8%, o jornal coloca Serra na frente... Mas vamos ver os outros dados.

Lula aparece com 20%, disparado na frente. Sabemos que ele não pode ser candidato, mas isso demonstra uma preferência pelo presidente. Quando elas souberem que Lula não é candidato, mas apoia Dilma, em quem votarão?

Dilma, que nem candidata é e só apareceu até hoje como ministra, já surge com 8%, empatada com o tal governador do maior estado do país que já concorreu a prefeito, governador, presidente etc. Nada mal mesmo! Mas tem mais.

Candidata do Lula aparece com 3%. Detalhe, candidata. Óbvio que as pessoas se referem à Dilma, mesmo não lembrando/sabendo seu nome. Mas a FOLHA separa os índices, pra Dilma não ficar com 11% e ultrapassar Serra... Legal, né? Mas tem ainda mais.

No PT/candidato do PT, qualquer que seja, aparece mais 1%. Ou seja, Dilma vai pra 12% na espontânea. Se somarmos os 20% que votam em Lula, chega a 32%.

Serra, fora os seus 8%, pode contar com os 3% de Aécio mais 1% de Alckmin. Não há intensão de voto em "Candidato do FHC" e nem em "Candidato do PSDB". O que dá 12%

Ou seja, ESSE é o real resultado da pesquisa Datafolha: Dilma 32% disparada na frente de Serra 12%.

Mas você não vai ler isso na FOLHA...


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Resumo da CONFECOM no Jornal Nacional de ontem




Fátima: "Foi encerrada ontem a Conferência Nacional de Comunicação. Mais de 600 propostas foram aprovadas, como o Observatório Nacional de Direitos Humanos, que acompanhará a programação das TVs, e uma reedição da Lei de Imprensa - como a que foi anulada pelo Supremo por ser inconstitucional."

Bonner: "É, mas não temam, amiguinhos. Nada disso valeu. Porque a Globo não quis brincar."

Fátima: "Ufa! Já estava com medo de perder o emprego...!"

Bonner: "Vamo pulá! Vamopulá, vamopulá, vamopulá..."