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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Por um Brasil sem homofobia

Pioneira no Brasil, Escola Jovem LGBT atende adolescentes que buscam informações e apoio para lidar com temas como sexualidade e preconceito

REVISTA CRIATIVA - EDIÇÃO 267 - JULHO DE 2011
Bruno Yutaka Saito • Foto Raquel Espírito Santo

Unidos pela diversidade: Raí Santos, William Bernardo, Lohren Beauty, Anderson Arruda e Deco Ribeiro

Deco Ribeiro é uma agência de notícias ambulante. Tem, na ponta da língua, os mais recentes crimes cometidos contra homossexuais. “Em Ilhéus (BA), um rapaz foi assassinado e queimado; em Cuiabá (MT), um jovem foi estrangulado e jogado no esgoto”, relembra o jornalista de 39 anos à CRIATIVA. Não é apenas a profissão que o mantém atualizado. Militante antidiscriminação sexual, Deco fundou a pioneira Escola Jovem LGBT, dedicada a lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

“Quanto mais aumenta nossa visibilidade, mais aumenta a resistência”, diz Deco. Sediada em Campinas (SP), a escola, que começou a funcionar em 2010, oferece cursos a jovens, inclusive heterossexuais, interessados em entender e discutir a diversidade sexual. Atualmente são 30 alunos que se dividem entre as aulas de música, criação de revistas e dança/teatro, aos sábados e domingos. Deco diz que a escola confunde. “Tem gente que vê preconceito invertido, pensando que somos fechados para os héteros.”

Para compreender o projeto é necessário entender a história de Deco, que por sua vez é a história de milhares de jovens no Brasil. Nascido no Rio de Janeiro, mas com uma adolescência entre São Paulo e Mato Grosso, Deco diz que informações sobre sexualidade eram escassas nos anos 80. “Não tinha internet. Minhas únicas fontes de informação eram livros que consideravam a homossexualidade uma fase passageira.”

Essa “fase”, no entanto, nunca passou. Deco evitava o assunto com os familiares. Até os 26 anos, viveu “no armário”. Foi nessa época, em 1998, que o jornalista conheceu virtualmente pessoas com problemas semelhantes. Era uma sala de bate-papo com outros jovens gays. Centenas de pessoas do Brasil inteiro se conectavam para tirar dúvidas, conversar e paquerar. Algumas questões eram frequentes: “Quero me assumir, mas não sei como contar para meus pais”; “Sofro preconceito na escola. O que fazer?”. Surgiu daí a ideia de criar um site que reunisse respostas para perguntas como essas. Em 2001, Deco e outros internautas criaram o E-Jovem. “Dentro da comunidade gay não havia espaço para o jovem. Tudo era voltado para os gays mais velhos.”

O sucesso foi rápido, com um mailing de 4 mil contatos. O encontro real só veio no ano seguinte, quando se reuniram para fazer um curta-metragem. Após a experiência, surgiu a vontade de falar mais sério. E, em 2004, o E-Jovem virou ONG de combate à homofobia.

São mais de 20 grupos (virtuais) espalhados pelo Brasil. Em 2009, a ONG recebeu uma verba anual de R$ 60 mil (durante três anos) dentro do projeto Ponto de Cultura, parceria do governo de SP com o Ministério da Cultura. Foi a oportunidade para a criação da escola, que também é sede da ONG e residência onde Deco vive com o namorado e presidente nacional do E-Jovem, Chesller Moreira (a drag Lohren Beauty).

Com a verba, a escola paga três professores e oferece bolsas para seis alunos. O restante vai para equipamentos, impressos etc. O curso de jornalismo, por exemplo, resultará em duas edições de uma revista com tiragem de 500 a mil exemplares cada uma. “Antes da verba, o dinheiro vinha de nossos bolsos. Fazíamos vaquinhas.”

Para Deco, o projeto da Escola Jovem tenta responder a uma questão social preocupante: “A taxa de suicídio de adolescentes gays é entre três e quatro vezes maior que entre héteros. No Brasil gays ainda são espancados. Temos muito por que lutar.” Entre seus planos está a campanha “Escola Amiga”, que pretende levar às instituições de ensino diretrizes para acabar com a homofobia. É um plano a longo prazo que vislumbra uma sociedade formada por cidadãos educados desde cedo para aceitar a diversidade.

sábado, 18 de junho de 2011

A cultura como forma de militância

(Matéria produzida por alunos de jornalismo da PUC-Campinas)

A cultura como forma de militância
As armas que o movimento LGBT empunha na luta contra a homofobia

Reportagem: Gabrielle Adabo, Guilherme Barreto e Renan Teixeira
Fotos: Guilherme Barreto

Lohren Beauty e Deco Ribeiro na sede do Grupo E-Camp e da Escola Jovem LGBT, criada com o objetivo de divulgar a cultura do movimento

Lohren Beauty veste as cores da bandeira LGBT no vestido evasê com as pontas arrebitadas e nos brincos que descem até os ombros. Cabelos curtos vermelhos, maquiagem bem desenhada nos olhos e nos lábios. O sapato de salto alto roxo amarrado com uma fita vermelha nos tornozelos dá o toque final. Com as pernas cruzadas, postura ereta e mãos repousando nos joelhos, Lohren diz achar que a manifestação tradicional com cartazes e passeatas não basta mais. O movimento usa a própria cultura e a arte como formas de militância.

A Drag Queen relata sair de casa para as manifestações e eventos do movimento LGBT vestida assim, já “montada”. A atitude é também uma forma de protesto. Lohren quer que as pessoas se acostumem a vê-la dessa forma e a encarem com normalidade. Quer conquistar o respeito. Seu próprio corpo, suas roupas e sua maneira de agir são a expressão viva da cultura do movimento.

Assim como Lohren, milhares de outros militantes do movimento LGBT se vestem e participam das paradas para manifestar à sociedade que os assiste o orgulho que sentem por fazer parte da classe LGBT. Chamar a atenção do outro, que olha com preconceito para uma maneira de ser que é diferente da sua, é mais eficaz com a alegria extravasada através das cores e performances. O arco-íris da bandeira LGBT é o símbolo da diversidade que tenta se erguer acima do preconceito e da intolerância. E do medo: a homofobia (homo – mesmo sexo, fobia – medo, aversão).

Para a pesquisadora Regina Fachini, do Pagu – Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, e autora do livro “Sopa de Letrinhas? Movimento Homossexual e Produção de Identidades Coletivas nos Anos 90” (Garamond, 2005), as formas tradicionais de manifestação dos movimentos sociais no Brasil – passeatas, abaixo-assinados, atos públicos – mudaram e se diversificaram ao longo do tempo. Para a cientista social, as paradas são paradigmáticas nesse sentido. “Elas são uma maneira de se retomar a idéia da passeata e do ato público, mas com um jeito irônico, escrachado, debochado, criativo. Se você vai para a rua e prepara uma fantasia ou uma estilização corporal de um personagem para se manifestar em um dia de parada, você também está fazendo uma outra forma de manifestação das suas idéias que usa o corpo como suporte, que usa a roupa como suporte, que usa a irreverência como suporte”, defende.

História e cultura do Movimento LGBT
Em 28 de junho de 1969, uma rebelião no bar Stonewall, sediado em Nova York e frequentado por gays, lésbicas e travestis, transformou-se no marco histórico que fundaria o dia do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros) no mundo todo.

Cansados da violenta repressão policial a sua orientação sexual (que ainda era vista como opção na época), os homossexuais lançaram-se numa batalha campal contra as autoridades, inspirando o surgimento de grupos pró-homossexuais em toda a América Latina.

No mesmo ano, o “Nuestro Mundo” iniciava suas atividades de contestação e protesto contra a homofobia na Argentina. O grupo era formado por ex-integrantes do partido comunista do país, do qual foram expulsos por serem gays.

O movimento ganhou impulso na década de 1970 em países como Porto Rico e México. No Brasil, os grupos LGBT consolidaram-se no final desse período. Em 1980 aparecem o GGB (Grupo Gay da Bahia), o Somos, em São Paulo, e a publicação Lampião da Esquina, no Rio de Janeiro.

Até o ano de 1990, a Organização Mundial da Saúde considerava o comportamento homossexual como uma patologia. Em 17 de maio daquele ano, a OMS retirou-o da classificação internacional de doenças.

A data tornou-se o dia internacional de combate à homofobia. O governo brasileiro incluiu-a no calendário oficial por meio do Decreto Presidencial de 04 de junho de 2010.

Em 1995 começam a ocorrer as primeiras paradas gays no país. Desde 1997 a Parada do Orgulho Gay de São Paulo – a maior do Brasil – acontece na Avenida Paulista e reúne milhões de pessoas: homossexuais, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, drag queens, simpatizantes e curiosos que vão ao local para conferir o agito do evento.

Baseado em números da polícia do estado de São Paulo, o Guiness Book (livro dos recordes) registrou a edição de 2006 como a maior parada gay do mundo, contando com aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Os organizadores da parada da Avenida Paulista, porém, consideram que a marca tenha sido atingida já em 2004.

A parada gay de São Paulo é hoje alvo de críticas. Seus detratores consideram-na um evento voltado aos interesses comerciais da cidade (os hotéis atingem lotação máxima). Também afirmam que ela contribui para vulgarizar a imagem dos homossexuais, com performances extravagantes, muito barulho e sujeira na avenida, além de relatos de atos sexuais em vias públicas.

O acrônimo LGBT foi cunhado na 1ª conferência nacional GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros), ocorrida entre 5 e 8 de junho de 2008, em Brasília. A alteração se deve ao crescimento do movimento das lésbicas e do apoio dos outros grupos homossexuais às mulheres.

Em 2011 o movimento LGBT viu triunfar uma de suas principais reivindicações: o direito de casais homossexuais de firmarem uma união estável que seja reconhecida pelo Estado brasileiro, a fim de que possam desfrutar das mesmas prerrogativas de que possuem os casais héteros em união civil. A decisão foi tomada em unanimidade por quatro ministros do STF (Superior Tribunal Federal) no dia 5 de maio deste ano.

O Ministério da Cultura afirma que desde 2005 vem tomando ações afirmativas e implementando políticas de apoio do movimento LGBT por meio de editais que abrangem concursos e premiações culturais. O Minc divulga que, entre 2005 e 2010, foram investidos nessas ações cerca de 4,2 milhões de reais em 161 iniciativas.

Caso Bolsonaro
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ganhou notoriedade junto à opinião pública por suas declarações polêmicas a respeito de cotas sociais nas universidades públicas e políticas de combate à discriminação racial e sexual.

Em resposta a um material do Ministério da Educação (MEC), que seria entregue aos alunos nas escolas e cujo conteúdo visava conscientizar sobre a questão da homossexualidade, em maio deste ano o deputado mandou seus assessores distribuírem mais de 50 mil panfletos “anti-gay” na saída do metrô de Copacabana, em portões de escolas, nas entradas de igrejas evangélicas e nas caixas de correio de condomínios na zona sul.

Bolsonaro chamou o material do MEC de “kit gay”, no sentido de que o texto incitava a homossexualidade nos alunos. “Esse material dito didático pelo MEC não vai combater a homofobia, ele vai estimular a homofobia lá na base, no primeiro grau”, disse na ocasião.

O deputado se envolveu em polêmica candente em março quando de uma entrevista concedida ao CQC (Custe o que Custar) – programa de entretenimento da Rede Bandeirantes. Ao responder uma pergunta da cantora Preta Gil afirmou que seus filhos não corriam o risco de namorar uma negra, pois eram bem educados e não haviam crescido num ambiente promíscuo.

A artista entrou com uma representação no Ministério Público por crime de intolerância racial, enquanto o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Wadith Damous, oficializou processo por quebra de decoro parlamentar contra Bolsonaro.

Escola Jovem LGBT
A casa de Lohren Beauty e Deco
tornou-se sede da Escola Jovem LGBT

Orgulho é a palavra de ordem que conduz as formas de militância da comunidade LGBT. Seja por meio de paradas, passeatas políticas, eventos culturais ou publicações, os participantes não têm vergonha de bater no peito para defenderem seus direitos junto à sociedade. Deco Ribeiro que o diga. Ele é membro do Comitê Municipal do PCdoB em Campinas, diretor da Escola Jovem LGBT, primeira do gênero no país, e ainda tem um posto de peso: é conselheiro nacional de juventude junto à Presidência. É formado em jornalismo, tendo como outros atributos os ofícios de educador e comunista, como ele próprio define em seu blog (decoribeiro.blogspot.com).

Há dez anos lançava na internet a ideia que se tornaria uma das maiores comunidades LGBT virtuais do país: o Grupo E-Jovem. O site sobre sexualidade de adolescentes gays nasceu em 2001 após a reunião de amigos num chat com o intuito de discutirem questões relacionadas ao universo homossexual. Totalmente independente e com colaboradores voluntários, o Grupo E-Jovem se tornou ONG em 2004 em Campinas e hoje conta com 4600 cadastrados em mais de 20 sedes pelo país (em Campinas, são cerca de 120 cadastrados). Deco, além de fundador, foi diretor nacional do grupo de 2004 a 2008 e hoje é editor executivo e webmaster do site.

No início de 2010, a ONG E-Jovem, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e com o Ministério da Cultura, abriu a Escola Jovem LGBT, “Ponto de Cultura” que se tornou o primeiro centro educativo do país voltado ao ensino da cultura LGBT para jovens – héteros e homossexuais, diga-se de passagem. “Os cursos são abertos a todos os interessados, e não um gueto”. Aliás, um dos argumentos mais usados nas críticas à atuação da escola é exatamente o fato de, na tentativa de inserir a homossexualidade na sociedade, os gays se isolem mais ainda em núcleos próprios. “Atingimos também com nossos cursos heterossexuais indiretos, como pais, mães e familiares dos alunos”, rebate Deco. O jornalista, que possui 39 anos, acredita que só assim irá contribuir para que os objetivos do E-Jovem e da Escola se concretizem. “Temos que descobrir, junto com a sociedade, o que é essa tal de cultura LGBT, e fazer com que esse conhecimento enriqueça todos, assim como funciona qualquer centro cultural, como um museu de história, por exemplo”, compara Deco.

Após um ano de atuação intensa e um árduo trabalho de aceitação na cidade (que inclusive gerou repressões morais e físicas à sede do projeto) a Escola Jovem LGBT possui 30 alunos entre 15 e 26 anos e oferece três opções de cursos: Música, Teatro e Jornalismo de Revista. As aulas acontecem todo sábado e domingo num imóvel localizado no bairro Nova Europa (Rua José Camargo, 382), que inclusive é conjugado à casa de Lohren Beauty, presidente nacional do Grupo E-Jovem e esposa de Deco (ou marido, se ela não estiver “montada” e atender por Chesller Moreira, seu nome na Certidão de Nascimento). Os cursos trabalham assuntos e geram produtos relacionados ao universo da cultura LGBT, como o estímulo à composição e à musicalização de canções que abordem os conflitos da sexualidade e a produção de fanzines e publicações impressas ou virtuais que divulguem informações úteis aos homossexuais. Só no ano passado, segundo Deco, o Grupo E-Jovem e as ações da Escola atenderam diretamente 700 jovens na cidade e 6000 no Brasil. Por aqui, as ações enfocam alunos do Ensino Fundamental e Médio em eventos públicos de conscientização dos direitos homossexuais e combate à homofobia.

A Escola Jovem LGBT, em consonância com o Grupo E-Jovem (que em Campinas recebe o título de E-Camp) possui alguns objetivos formalizados, como cita Deco: dar apoio ao jovem LGBT, dar e trocar informações importantes para este jovem, formar para a militância, ser um espaço de convivência da homossexualidade e ensinar técnicas de expressão para o exercício da convivência social. Assim, resume o jornalista, busca-se a conscientização do papel do homossexual na contemporaneidade por meio da arte e da cultura.

Por incrível que pareça, todo o engajamento político, cultural e artístico de Deco na defesa dos direitos dos homossexuais esconde um gay que demorou para se aceitar. Foi apenas na beira da casa dos 30 que o carioca passou a procurar informações sobre esse universo e viu que o caminho natural – e menos prejudicial à saúde de seu futuro, seria assumir de vez que gostava de meninos. Largou o curso de Física que estudava na Universidade de Campinas – Unicamp, e foi para o jornalismo, usando sua expressividade em palavras de combate à intolerância e ao preconceito.

A homofobia, para Deco, é o maior aliado ao código social que exige que todo “machão” satisfaça as expectativas da maioria: cumpra seu papel social. Em voga na mídia nos últimos tempos, o ódio aos gays encontra cada vez mais discípulos do mestre Bolsonaro ávidos pelo extermínio dos homossexuais. “Essa visibilidade traz conquistas para a classe LGBT ao mesmo tempo em que faz com que os homofóbicos escondidos saiam de seu escudo de proteção. É uma faca de dois gumes”, pondera Deco. Para começar a reverter a situação, ele acredita no poder da convivência como forma de familiaridade e aceitação do diferente.

As novelas, um dos maiores, senão o maior representante dos produtos da cultura popular brasileira, vêm há algum tempo incutindo na mentalidade da população um olhar igualitário para com as ditas minorias sexuais. É cada vez mais comum vermos entre os personagens um ou mais casais homoafetivos que, segundo o professor de Jornalismo de Revista da Escola Jovem LGBT, Breno Queiroz, contribuem para a quebra de vários preconceitos mostrando, por exemplo, a construção de novos modelos de família, a possibilidade da existência de gays normais (uma vez que o estereótipo convencionado diz que todos os homossexuais são promíscuos e não têm sentimentos) e que para ser gay não precisa parecer gay. “Isto é chocante para quem está acostumado a rotular as identidades sexuais”, admite Breno.

Os grupos LGBT que aliam a produção de manifestações culturais e artísticas com a militância são ainda tímidos no país. “Dá para contar nos dedos”, lamenta Deco. O diretor da Escola Jovem LGBT de Campinas, o primeiro centro educacional para jovens homossexuais do Brasil, conta que, além da escola, os movimentos de maior destaque em atuação são o GGB (Grupo Gay da Bahia), a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no país (desde 1980), localizado no coração do Pelourinho, em Salvador; o GDN (Grupo Diversidade Nacional), que atua em Niterói desde 2004; e o Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade, associação que desde 2001 trabalha com a cultura de respeito às sexualidades e à diversidade cultural no Rio Grande do Sul. O Somos está em processo de produção do Mapeamento Cultural LGBT, inédito no país, que busca identificar, sistematizar e registrar um panorama atual das manifestações artísticas ligadas à população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais no Brasil.

O jornalismo e a divulgação da cultura LGBT

Breno Queiroz dá aulas de jornalismo voluntariamente todos os finais de semana

Por meio do jornalista Breno Queiroz, os alunos da Escola Jovem LGBT têm acesso ao curso Jornalismo de Revista. Além de transmitir a cultura e o histórico das publicações LGBT, as aulas fornecem ferramentas básicas para a expressão jornalística e promove a produção de fanzines e uma revista, feitos pelos alunos.

Nos fanzines, as artes gráficas, com fotografias, desenhos e cores, são utilizadas para transmitir informações sobre o movimento e combater o preconceito e a homofobia.

A revista, que em breve será lançada, está sendo produzida pelos alunos, desde às pautas à redação dos textos. Ela é utilizada como livre espaço de expressão, segundo o professor Breno. O jovem paulista de 26 anos, formado em Jornalismo pela Unesp, diz não ter a intenção de exigir dos alunos as técnicas de redação e produção de uma revista, mas estimulá-los à livre produção de textos que os motivem a continuar usando a palavra como ferramenta. As pautas tampouco buscam uma explicação para a homossexualidade. As preocupações dos adolescentes, os temas que giram em torno do universo LGBT dos alunos, esse é o principal foco. A partir daí, a criatividade corre solta.

Breno produziu, em 2010, como trabalho de conclusão de curso, uma revista para tratar do universo jovem LGTB: a LGBTeen. O jornalista continua seu trabalho através do blog Virei Lobisomem (vireilobisomem.blogspot.com), por meio do qual trata com humor as questões do universo gay. O blogueiro ainda reserva tempo para atualizar seu mais novo projeto virtual: a blog-série gay-teem verde-amarela mais colorida da história “O Ataque dos Garotos”, que conta as reflexões de um jovem gay que decide se suicidar. A trama já está em seu segundo capítulo e pode ser conferida no endereço oataquedosgarotos.blogspot.com.

O também jornalista Eduardo Gregori, de Campinas, define-se como um “militante jornalístico”. Desde 1999 Gregori mantem o site Espaço GLS (sigla, segundo ele, usada comercialmente para se referir ao movimento), no qual reúne notícias sobre o universo LGBT, com o objetivo de “dosar um pouco de cada coisa: cultura, saúde, direitos...”.

O site surgiu da necessidade de preencher uma lacuna que Gregori diz ter encontrado na mídia de Campinas, também desde a faculdade de jornalismo. Em seu trabalho de conclusão de curso, Gregori mapeou 20 anos de mídia homossexual no Brasil e diz ter encontrado poucas publicações voltadas a este público. Participou, em seguida, de dois jornais impressos do gênero: O Babado e Bafond. Mas foi na internet que Gregori conquistou o espaço que desejava. O site recebe hoje cerca de dois milhões de acessos por mês.

Em Campinas, segundo Gregori, há grupos que promovem as “paradas” e se vestem como expressão da cultura. No antigo teatro da vila Padre Anchieta, de acordo com ele, um concurso de novos talentos reuniu a comunidade LGBT do bairro que prepara o espetáculo e o apresenta à comunidade. A ação deu resultados. As pessoas do bairro passaram a assistir o espetáculo e inclusive a torcer pelos artistas.

Eles são duros na queda
Conheça duas histórias de agressão moral e física sofridas por alunos da Escola Jovem LGBT e como eles deram a volta por cima.

“Aqui é o único lugar em que eu me sinto bem”
W.B., de 17 anos, passou por uma experiência que todo jovem homossexual teme: a chacota pública na escola após seus colegas descobrirem que ele gostava de pessoas do mesmo sexo. Após uma viagem que fez junto com o E-Camp à Brasília em maio deste ano na II Marcha Nacional Contra a Homofobia, uma foto em que o W aparecia beijando um outro garoto vazou através da rede de relacionamentos Facebook. Os olhares e cochichos intimidadores pelos corredores do colégio acontecem frequentemente. “Foi aí que eu descobri quem realmente é meu amigo”. O jovem conta que já frequentava a Escola Jovem LGBT antes do vazamento da foto, mas que a relação dele com os professores e com os novos amigos que fez no local se intensificou. “Eu não tinha nenhum amigo gay, agora o Deco conversa comigo sobre os meus problemas, eu tenho pessoas com quem eu posso me abrir”, desabafa W. Criado numa família evangélica, o aluno de música e jornalismo de revista ainda está se preparando para assumir sua orientação sexual. “Minha mãe já está desconfiando. Se ela souber que aqui é uma escola gay, ela não vai mais deixar eu vir”, teme.

“Você vai apanhar, viado!”
De dia, ele é presidente do E-Camp e atende por Vinícius Saraiva. À noite, de vez em quando, vira Saraivetty Close, mistura do sobrenome com uma homenagem à seu ídolo Ivete Sangalo. Mas em novembro do ano passado estava simplesmente indo para o ponto de ônibus no centro de Campinas para esperar a condução que o levaria à sua casa quando foi surpreendido por dois “carecões gigantescos”, como ele próprio define, que investiram em sua direção e de mais três amigos que o acompanhavam com uma corrente e um pedaço de ferro. Sem titubear, correram para direções opostas tentando fugir dos marmanjos, que ainda praguejavam “você vai apanhar viado!” para quem quisesse ouvir. Um de seus amigos levou uma correntada na perna, mas conseguiu fugir sem maiores consequências. A polícia foi acionada, tentou, mas não conseguiu localizar os agressores, que, diferentemente deles, saíram ilesos da situação. “Toda vez que eu passo por aquele ponto me lembro, com medo, do que aconteceu”, revela.

Vinícius Saraiva (Saraivetty) participa dos cursos de Dança e Jornalismo de Revista na Escola Jovem LGBT





terça-feira, 14 de junho de 2011

Noite DIVAS

Parte do elenco da Noite DIVAS

Povo,

Tô em falta com vocês, né? é que mês de junho é tamanha correria - e ainda estou finalizando um projeto e correndo atrás dos pepinos de outro - que nem sobra tempo pra organizar os pensamentos.

Só tomei a iniciativa de vir aqui postar porque participei de um evento no domingo que merece ser divulgado.

Cerca de 500 pessoas - e dezenas de casais - enfrentaram o friozinho da noite desse domingo para prestigiar a "Noite DIVAS", organizada pelo Grupo E-jovem e pela Escola Jovem LGBT. Esse evento é uma atividade do Mês da Diversidade, que antecede a Parada do Orgulho LGBT de Campinas, marcada para 3 de julho.

Lohren Beauty e a galera lotando a praça

Pela primeira vez, gays, lésbicas, drag queens e travestis de Campinas ocuparam o tradicional coreto da praça Carlos Gomes, em pleno centro da cidade, com mais de três horas de apresentações. Foram cerca de 20 shows, só de músicas românticas, em homenagem aos namorados LGBT.

Saraivetty fazendo a diva

Como disse Lohren Beauty, "Podem se preparar para ver cada vez mais eventos como esse, porque viado e sapatão também paga imposto. E a gente tem o direito de ter o mesmo acesso que as pessoas tem aqui no coreto. O nosso dinheiro não é diferente do dinheiro dos outros


Tááá, querida!!

Confiram a GALERIA DE FOTOS.


bjos do Deco =]

terça-feira, 5 de abril de 2011

HOMOFOBIA: Jovens são maioria entre vítimas e assassinos

(Foto: AFP)

O número de assassinatos de gays, travestis e lésbicas cresceu 31,3% em 2010, em relação ao ano anterior, com 260 casos, ante 198 em 2009. Foi o que informou ontem o Grupo Gay da Bahia (GGB).

O Grupo E-jovem, rede nacional de defesa dos direitos da juventude LGBT, teve acesso aos dados completos do GGB e revelou que a grande maioria dos envolvidos nesses crimes são adolescentes e jovens. Dos crimes em que a idade dos envolvidos era conhecida, 57% das vítimas e 76% dos assassinos tinham menos de 29 anos.

"Tanto a sociedade quanto o governo devem prestar mais atenção aos jovens, não é possível que adolescentes continuem matando e sendo mortos sem que se faça nada a respeito," declarou Lohren Beauty, presidenta do E-jovem. "Vou levar essa questão ao Conselho Nacional de Juventude e ao Conselho Nacional LGBT," disse a drag, que é membro dos dois conselhos, ligados à Presidência da República.

Mais alarmante ainda é o índice dos menores de 18 anos: 11% das vítimas e 17% dos assassinos eram adolescentes. É o caso do jovem Alexandre Ivo, de 14 anos, assassinado por três neonazistas logo após um jogo da Copa.


"É preciso investir em educação," afirmou Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT. "As escolas precisam ser ambientes seguros, com uma política anti-bullying que estimule o debate, apoio aos estudantes, material LGBT nas bibliotecas e o que mais for preciso para garantir uma educação sem homofobia."
 
No próximo dia 15, o Grupo E-jovem lançará em todo o Brasil a campanha Escola Amiga, que divulgará os 6 passos para combater a homofobia no ambiente escolar. Mais informações pelo site http://www.e-jovem.com/ ou pelo e-mail escola@e-jovem.com.  
 
Números
17 casos de vítima entre 12 e 18 anos (11%)

72 casos de vítima entre 19 a 29 anos (46%)
12 casos de assassinos de 12 a 18 anos (17%)
41 casos de assassinos de 19 a 29 anos (59%)
156 casos com idade das vitimas (60% do total)

69 casos com idade dos assassinos (26% do total)

260 total de assassinatos LGBT em 2010
(fonte: Grupo Gay da Bahia - GGB)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Movimento Gay sem gays [2]

Toda gay é gay
No meu artigo anterior eu questionei o fato de os gays, os homossexuais masculinos especificamente, estarem sendo desprezados em prol das identidades LGBT mais femininas. E legal que as pessoas se identificaram com o texto. Esse é um assunto sensível e muitos gays têm receio de tocar no assunto e serem tachados de 'porcos chauvinistas'.

Por isso que eu resolvi continuar o assunto.

Gente, não tem coisa MAIS babaca do que falar que os gays são machistas e oprimem as identidades femininas no movimento. Só porque em todo lugar tem muito mais gay do que as outras letras??

Eu participo do movimento há mais de 10 anos - e sei o CUSTO que é pras meninas (lés e bis e trans) participarem. Não porque a gente não deixa, mas pq elas não vêm. Vejam a Escola LGBT, por exemplo. Fizemos inscrição agora. Um mooonte de gay e UMA lésbica. Na véspera da Parada de Campinas sempre há dois grandes eventos: um aberto a todos e um só de lésbicas. O aberto, dá mais de 3 mil pessoas, quase todos gays. No de lésbicas, mal bate uma centena. O que acontece?

Pode ser que a própria repressão da sociedade - que coloca o espaço público, da rua, como espaço masculino e o espaço feminino restrito ao privado, de dentro de casa - contribua com isso. Mas é injusto jogar nos gays a culpa. Afinal, gays também sofrem muito com o machismo. A própria homofobia é prima-irmã do machismo: se o macho é o elemento que tem mais valor (ou o único a ter valor), como que esses 'viados' OUSAM abrir mão de sua masculinidade?? Porrada neles!

Pesquisas da UNESCO, do Population Council, de toda parte, sempre concluem que os meninos héteros são os mais preconceituosos e que meninos gays são os que mais sofrem preconceito - geralmente na mão desses meninos HT. Um desses relatórios, realizado em Campinas e publicado até nos EUA, é bem explícito: "Garotos que fazem sexo com outros garotos deveriam ser um grupo prioritário em TODAS as ações de prevenção no país. A homofobia da sociedade é o que mais impede esses jovens de acessarem os serviços públicos de saúde e prevenção. Lutar para aumentar a aceitação dessa população é urgentemente necessário.”

E o que se faz a respeito da proteção específica a jovens gays? Nada. Porque falar só de gays é 'machismo', é oprimir as identidades femininas e blablablá.

Bullshit.

Por isso estou declarando aqui que parte da minha militância, a partir de agora, será dedicada exclusivamente aos homens gays. Com uma atenção especial à juventude, claro, mas com ênfase no G do LGBT. Pretendo me dedicar a fortalecer a Abragay, a Associação Brasileira de Gays, e a criar movimentos gays em todas as cidades possíveis, para dar conta das questões que atingem especificamente os homossexuais masculinos.

E o engraçado é que a principal opressão aos gays é o machismo - logo, minha militância será bem feminista, só pra calar a boca de quem já está vendo chauvinismo em minhas palavras... rsrs! Claro que cada um combate o machismo à sua maneira - e eu tenho a minha.

Mas uma das primeiras coisas que temos que reconquistar é um dia para celebrar o lado GAY da vida! =D

Opiniões, críticas, comentários? Alguma sugestão de data? =9

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Escola Jovem LGBT de cara nova!

ANTES

DEPOIS

E a escola vai ficando nos trinques pra abertura em março...


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Fotos da Escola Jovem LGBT

Aluna Saraivetty na entrada da Escola

Alunos com Lohren Beauty, fundadora da escola

Apresentação do espetáculo de Dança "Stonewall"

Anderson Arruda e Juana Camp, os protagonistas de "Stonewall"

Lohren Beauty e Bruna Baby, professora de Dança

Alunos na aula de WebTV

Alunos na aula de Fanzine - de vermelho, o professor Breno Queiroz

Alunos na aula de Defesa Pessoal

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Meu amigo Luan Santana (2)

Meu amigo Luan Santana anda estressado com o trabalho

Vocês lembram do meu bate papo anterior com meu amigo Luan Santana? Pois ontem saímos de novo. Ele anda estressado com umas coisas do trabalho, precisava conversar, espairar. Como sair com o Luan sempre é sinônimo de choppinho e um bom bate-papo, fomos dar um rolê.

Já no carro, o papo começou com nossa primeira avaliação do Governo Dilma. Ele estava positivamente impressionado com esse primeiro mês, principalmente no tocante ao comportamento de Dilma, mais discreta e menos falante que Lula. Ou seja, estão corretíssimas as análises de que a presidenta está maravilhando a Direita até agora. eles não percebem que a estratégia da mídia golpista é justamente elogiar Dilma para bater em (e desconstruir o governo de) Lula, como se ela fosse tudo o que ele jamais foi. Chegam até a pintar o governo Dilma como de oposição a Lula - por mais paradoxal que seja.

E o pior é que Luan e seus companheiros de classe compram a ideia.

De minha parte, elogiei também esse início de gestão, principalmente o pulso firme nas negociações, mas manifestei minha preocupação com o Ministério da Cultura. A comunidade cultural foi a que mais lutou por sua eleição e agora se vê meio traída com algumas ações iniciais da ministra Ana de Hollanda - que parece metida numa guerra pessoal de facções culturais dentro do ministério. Muitos temem pelo fim do programa Cultura Viva e eu, como membro ativo desse programa (a Escola Jovem LGBT é um Ponto de Cultura) me preocupo.

Essa preocupação minha só fez meu amigo Luan ficar mais encantado ainda com Dilma: se a esquerda está ameaçando se decepcionar, é sinal que ela está indobem (pensa a direita).

Pontos estabelecidos, concordamos que ainda é cedo - mas vamos ficar de olho.

A conversa ficou quente quando começamos a discutir o capitalismo/socialismo na China (e em Cuba, Venezuela, Brasil e EUA).

(Parêntesis: É muito bizarro eu saboreando um frozen yogurt de tangerina com gengibre e calda de morango e mel e discutindo o racionamento de açúcar em Cuba...mas enfim... Fecha parêntesis.)

Essa é uma conversa que sempre dá pau. E dá pau porque TUDO o que ele sabe sobre esses países socialistas é o que sai na Veja ou passa na Globo ou sai na Folha... Ou em palestras na FGV. Em outras palavras: não são fontes confiáveis.

Luan teve o disparate de afirmar que na China e em Cuba não há eleições, por exemplo. Ele segue, claro, o que é publicado aqui pela mídia, como esse artigo da Superinteressante (da Editora Abril, de Veja) e esse outro do Jornal Nacional, da Globo. Em ambos a China é pintada como uma ditadura fria e intolerante.

Nada mais falso. Recomendo a leitura desse artigo da Wikipédia sobre o processo eleitoral na China (em inglês) e esse resumo sobre as eleições em Cuba. Ou seja, sim, existem eleições nos governos de orientação socialista.

A partir daí, percebi que qualquer discussão adiante estaria comprometida: toda a base dele sobre o que acontece por lá era enviesada pelo PiG, como por exemplo "A China agora virou a casaca e é capitalista". Nada mais falso. A Ascensão atual da China foi prevista por Mao Tsé Tung há 50 anos e faz parte da caminhada rumo ao socialismo. Mas quem disse que ele me ouve?

Demos uma trégua e fomos assistir o "Discurso do Rei", cuja sessão já estava para começar. Depois continuamos a conversa.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escola Jovem LGBT realiza exposição de Fanzine

Escola Jovem LGBT realiza exposição de Fanzine

O trabalho dialoga com a história e evolução das Paradas LGBTs pelo mundo



A Escola Jovem LGBT de Campinas traz para o Aterro do Flamengo, parte dos trabalhos que vem desenvolvendo através de atividades voltadas para a juventude. Três trabalhos da entidade foram inscritos para participar da 7ª Bienal da UNE, e o Fanzine foi selecionado para a mostra de artes visuais.

Durante todo o período do festival estudantil, os estudantes poderão conferir em frente ao Ateliê CUCA os trabalhos e participar de uma monitoria sobre o conceito do material.
 A exposição faz parte de um curso de produção de revista, ministrado pelo professor Breno Agnes na instituição e o material exposto é uma adaptação do espetáculo apresentado no final do ano passado pelos alunos de dança da escola, Stonewall. "Utilizamos materiais como recortes, giz de ceras, colagens para compor os fanzines, trabalhando sempre com a criação coletiva”, conta o professor.

Breno (dir) apresenta os zines pra galera da UNE

Vivida em 1969, a história baseada em fatos reais, conta o amor de um policial gay e uma garçonete travesti, em meio à revolução gay que deu origem às Paradas LGBT. A diva do público LGBT da época Judy Garland também é lembrada no Fanzine.

Leitoras descobrem o Fanzine pendurado nas árvores do Aterro do Flamengo

A Escola Jovem LGBT é um ponto de cultura e oferece para a população homossexual ou não, cursos de teatro, literatura, defesa pessoal, dança, TV-web e produção de fanzine.

Mais do que uma arte visual, a exposição é uma forma de combate contra o preconceito. "Acredito que esta seja a primeira intervenção LGBT em uma Bienal da UNE. Então por isso é muito importante trazer o trabalho para mostrar a diversidade aos estudantes. Somos iguais a eles, estudamos, trabalhos e queremos acabar com a homofobia dentro das universidades”, afirma a presidente e idealizadora da escola Lohren Beauty.

Saraivetty, uma de nossas fanzineiras: orgulho LGBT

Fique atento! A Escola Jovem LGBT está preparando para este ano uma revista colaborativa voltada para o público. Quem quiser participar, basta acessar http://www.e-jovem.com/

 Thatiane Ferrari
http://www.bienaldaune.org.br/?p=574

E-JOVEM discute a Escola Amiga no Rio de Janeiro

Deco e Chesller: rumo ao Rio

Nesse dia 15 de janeiro, adolescentes e jovens de todo o país rumaram para o Rio de Janeiro, a fim participar de três grandes eventos do movimento estudantil: o Encontro Nacional de Grêmios, o Coneb da UNE e a Bienal da UNE.

Uma vez que a Escola Jovem LGBT havia sido selecionada para expor seus trabalhos do ano passado na Bienal - e como Educação é um tema permanente no E-jovem, mais ainda em 2011 - fomos em caravana para o rio1 nosso principal interesse, claro, era discutir a campanha Escola Amiga e os 6 passos para acabar com a homofobia nas escolas.

E foi um sucesso a ideia! No Coneb da UNE, conseguimos montar uma roda de conversa LGTB e debater alguns pontos importantes com os universitários, como a necessidade de agirmos nas universidades e dessa ação não se limitar às palavras de ordem ou a ações pontuais do tipo "semana da diversidade', que acabam e não têm continuidade. Oferecemos nossa ajuda especializada e fomos convidados pela UNE a ajudar na campanha "Combate à Homofobia: Essa Luta nos UNE", que será lançada em 2011. Conseguimos aprovar uma deliberação LGBT e partimos pro próximo debate.

Grêmios unidos contra a homofobia


Mas legal mesmo foi o debate entre os secundaristas. Também lá, no encontro de Grêmios, abrimos um espaço LGBT de discussão, com representantes de grêmios de todo o país. Todos se comprometeram a mergulhar de cabeça na campanha da UBES, "A Homofobia Faltou à Escola" - que também será elaborada juntamente com o E-jovem e seguindo os passos do Escola Amiga.

Deco se dirigindo à gurizada:
"Combater a homofobia na escola é uma frente nova,
que convidamos todos a abraçar"
 
"É na escola que os jovens começam a desenvolver suas habilidades sociais e compreender o conceito de sociedade. Também é na escola onde a galera conhece pela primeira vez o preconceito," explica Chesller Moreira, presidente do E-jovem e Diretor Nacional LGBT da UJS. "Nossa contribuição é o Escola Amiga. E convidamos todos a abraçar essa campanha." Também fizeram boas pontuações no debate o Denílson Júnior, Diretor LGBT da UNE e o Fábio Silva, vice-presidente da UJS de Campinas, ambos também militantes do E-jovem.
 
Depois de toda essa militância, fomos pra Bienal expor nossos Fanzines. Mas isso fica pra outro post! =D

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Escola gay resgata a história LGBT com o balé STONEWALL


Escola Jovem resgata a história LGBT

Primeira escola gay monta espetáculo de dança sobre a revolta de Stonewall

No próximo domingo, 19 de dezembro, acontecerá a apresentação de formatura do Ballet Stonewall, a primeira turma de Dança do Ponto de Cultura E-jovem - Escola Jovem LGBT.

O espetáculo, também intitulado "Stonewall", conta a história do amor de um jovem policial e uma garçonete travesti, que lutam contra o preconceito e a homofobia em meio aos acontecimentos históricos de junho de 1969. Nessa data, a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) de Nova York se rebelou contra a intolerância policial e iniciou os protestos que deram origem às Paradas Gays de hoje.

“Esse foi, sem sombra de dúvida, o momento mais marcante da história LGBT,” explica Deco Ribeiro, diretor do Ponto de Cultura. “E remete a um momento parecido com o que estamos vivendo hoje, de enfrentamento homofóbico quase que diário, principalmente nas ruas de São Paulo. Precisamos resgatar o sentimento que deu início ao nosso movimento.”

Toda a apresentação foi uma criação dos alunos da Escola Jovem LGBT, orientados pela bailarina Bruna Baby. O espetáculo contará com diversos estilos, do balé clássico à dança contemporânea, e será exclusivo para convidados. Não haverá cobrança de ingresso. Convites podem ser retirados diretamente na Escola ou por meio do site www.e-jovem.com, até o dia 18/12 ou até que sejam esgotados.

O Ballet Stonewall começa sua turnê pelo Rio de Janeiro, em 2011, e está aberto a convites para se apresentar em outras cidades do pais. Segundo Ribeiro, é importante espalhar a mensagem do espetáculo, de que juntos somos mais fortes. “Conhecer a própria história fortalece a comunidade gay,” afirma.

O grupo de dança foi criado em outubro deste ano por alunos e professores do curso de Dança do Ponto de Cultura E-jovem - Escola Jovem LGBT. O Ponto de Cultura integra a rede de pontos do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, e foi o único de temática LGBT selecionado para receber financiamento da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. A Escola Jovem LGBT recebeu em 2010 o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, na categoria Educação, oferecido pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.


SERVIÇO:


Escola Jovem LGBT apresenta “Stonewall”, com o Ballet Stonewall
Dia 19 de dezembro de 2010, às 16h
Teatro Sia Santa - R. Sebastião Paulino dos Santos, 20, Pq. Sta. Bárbara – Campinas/SP

Direção Artística: Profa. Bruna Baby
Bailarinos: Juana Camp, Anderson Arruda, Saraivetty Close Beauty e Bruna Baby
Figurino e Participação Especialíssima: Lohren Beauty
Direção de Som e Vídeo: Prof. Fábio Silva
Design Gráfico do Libreto: Turma 2010 do curso de Fanzine da Escola Jovem LGBT, sob a direção do Prof. Breno Queiroz
Direção Cultural: Deco Ribeiro
Apoio Cultural: Sociedade Cultural Teatro Sia Santa

MAIS FOTOS:

sábado, 11 de dezembro de 2010

E-CAMP elege nova presidente

O E-CAMP, Grupo E-jovem em Campinas, realizou na noite desta sexta, 10, sua eleição anual de nova diretoria. Ao todos, 63 adolescentes e jovens, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros fizeram fila pra votar. A chapa vencedora, com 60 votos, foi encabeçada por Vinícius Saraiva, 17, que personifica a drag queen Saraivetty Close Beauty.

Saraivetty (à direita), presidente eleita

Perguntada a que atribuía a expressiva votação, Saraivetty respondeu: "Acho que foi o meu número de candidato, 24!" Essa eleição marca um novo momento para o grupo, que, pela primeira vez, recolheu votos em plena praça do Sucão, o principal ponto de encontro dos jovens LGBT de Campinas. "Todos podiam votar," explica a presidente eleita. "A gente já vinha fazendo campanha há algumas semanas e aqui é partir pro corpo a corpo." Os eleitores preenchiam um cadastro e já estavam aptos a votar.



Votam jovens trans, lés e gays: cidadania LGBT

"A ideia de fazer a votação dessa forma foi para aproximar a ong da comunidade, dos jovens," explica Lohren Beauty, presidente nacional do E-jovem. "Afinal, representamos essa galerinha em muitas instâncias. É justo que eles escolham diretamente seu representante. Legitima mais o processo e faz com que eles se envolvam mais com o grupo, se sintam mais parte desse todo nosso."

Lohren Beauty: o E-jovem mais próximo de sua base

A nova presidenta do E-jovem em Campinas deve tomar posse no próximo sábado, dia 18, em uma grande festa na Escola Jovem LGBT.

Confira mais fotos da votação: