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terça-feira, 19 de julho de 2011

19/07 - Dia da Juventude LGBT

 
Os jovens mártires Mahmoud e Ayaz

Hoje, 19/07, é o Dia da Juventude LGBT. A data, celebrada por grupos jovens de todo o mundo, é em homenagem a Mahmoud Asgari, 18, e Ayaz Marhoni, 16, enforcados no Irã em 2005 apenas por serem gays...

Aqui em Campinas, vamos realizar um piquenique dia 31, pra gurizada LGBTeen da região. Kem vem??

Celebrando a vida!
 

sábado, 18 de junho de 2011

A cultura como forma de militância

(Matéria produzida por alunos de jornalismo da PUC-Campinas)

A cultura como forma de militância
As armas que o movimento LGBT empunha na luta contra a homofobia

Reportagem: Gabrielle Adabo, Guilherme Barreto e Renan Teixeira
Fotos: Guilherme Barreto

Lohren Beauty e Deco Ribeiro na sede do Grupo E-Camp e da Escola Jovem LGBT, criada com o objetivo de divulgar a cultura do movimento

Lohren Beauty veste as cores da bandeira LGBT no vestido evasê com as pontas arrebitadas e nos brincos que descem até os ombros. Cabelos curtos vermelhos, maquiagem bem desenhada nos olhos e nos lábios. O sapato de salto alto roxo amarrado com uma fita vermelha nos tornozelos dá o toque final. Com as pernas cruzadas, postura ereta e mãos repousando nos joelhos, Lohren diz achar que a manifestação tradicional com cartazes e passeatas não basta mais. O movimento usa a própria cultura e a arte como formas de militância.

A Drag Queen relata sair de casa para as manifestações e eventos do movimento LGBT vestida assim, já “montada”. A atitude é também uma forma de protesto. Lohren quer que as pessoas se acostumem a vê-la dessa forma e a encarem com normalidade. Quer conquistar o respeito. Seu próprio corpo, suas roupas e sua maneira de agir são a expressão viva da cultura do movimento.

Assim como Lohren, milhares de outros militantes do movimento LGBT se vestem e participam das paradas para manifestar à sociedade que os assiste o orgulho que sentem por fazer parte da classe LGBT. Chamar a atenção do outro, que olha com preconceito para uma maneira de ser que é diferente da sua, é mais eficaz com a alegria extravasada através das cores e performances. O arco-íris da bandeira LGBT é o símbolo da diversidade que tenta se erguer acima do preconceito e da intolerância. E do medo: a homofobia (homo – mesmo sexo, fobia – medo, aversão).

Para a pesquisadora Regina Fachini, do Pagu – Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, e autora do livro “Sopa de Letrinhas? Movimento Homossexual e Produção de Identidades Coletivas nos Anos 90” (Garamond, 2005), as formas tradicionais de manifestação dos movimentos sociais no Brasil – passeatas, abaixo-assinados, atos públicos – mudaram e se diversificaram ao longo do tempo. Para a cientista social, as paradas são paradigmáticas nesse sentido. “Elas são uma maneira de se retomar a idéia da passeata e do ato público, mas com um jeito irônico, escrachado, debochado, criativo. Se você vai para a rua e prepara uma fantasia ou uma estilização corporal de um personagem para se manifestar em um dia de parada, você também está fazendo uma outra forma de manifestação das suas idéias que usa o corpo como suporte, que usa a roupa como suporte, que usa a irreverência como suporte”, defende.

História e cultura do Movimento LGBT
Em 28 de junho de 1969, uma rebelião no bar Stonewall, sediado em Nova York e frequentado por gays, lésbicas e travestis, transformou-se no marco histórico que fundaria o dia do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros) no mundo todo.

Cansados da violenta repressão policial a sua orientação sexual (que ainda era vista como opção na época), os homossexuais lançaram-se numa batalha campal contra as autoridades, inspirando o surgimento de grupos pró-homossexuais em toda a América Latina.

No mesmo ano, o “Nuestro Mundo” iniciava suas atividades de contestação e protesto contra a homofobia na Argentina. O grupo era formado por ex-integrantes do partido comunista do país, do qual foram expulsos por serem gays.

O movimento ganhou impulso na década de 1970 em países como Porto Rico e México. No Brasil, os grupos LGBT consolidaram-se no final desse período. Em 1980 aparecem o GGB (Grupo Gay da Bahia), o Somos, em São Paulo, e a publicação Lampião da Esquina, no Rio de Janeiro.

Até o ano de 1990, a Organização Mundial da Saúde considerava o comportamento homossexual como uma patologia. Em 17 de maio daquele ano, a OMS retirou-o da classificação internacional de doenças.

A data tornou-se o dia internacional de combate à homofobia. O governo brasileiro incluiu-a no calendário oficial por meio do Decreto Presidencial de 04 de junho de 2010.

Em 1995 começam a ocorrer as primeiras paradas gays no país. Desde 1997 a Parada do Orgulho Gay de São Paulo – a maior do Brasil – acontece na Avenida Paulista e reúne milhões de pessoas: homossexuais, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, drag queens, simpatizantes e curiosos que vão ao local para conferir o agito do evento.

Baseado em números da polícia do estado de São Paulo, o Guiness Book (livro dos recordes) registrou a edição de 2006 como a maior parada gay do mundo, contando com aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Os organizadores da parada da Avenida Paulista, porém, consideram que a marca tenha sido atingida já em 2004.

A parada gay de São Paulo é hoje alvo de críticas. Seus detratores consideram-na um evento voltado aos interesses comerciais da cidade (os hotéis atingem lotação máxima). Também afirmam que ela contribui para vulgarizar a imagem dos homossexuais, com performances extravagantes, muito barulho e sujeira na avenida, além de relatos de atos sexuais em vias públicas.

O acrônimo LGBT foi cunhado na 1ª conferência nacional GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros), ocorrida entre 5 e 8 de junho de 2008, em Brasília. A alteração se deve ao crescimento do movimento das lésbicas e do apoio dos outros grupos homossexuais às mulheres.

Em 2011 o movimento LGBT viu triunfar uma de suas principais reivindicações: o direito de casais homossexuais de firmarem uma união estável que seja reconhecida pelo Estado brasileiro, a fim de que possam desfrutar das mesmas prerrogativas de que possuem os casais héteros em união civil. A decisão foi tomada em unanimidade por quatro ministros do STF (Superior Tribunal Federal) no dia 5 de maio deste ano.

O Ministério da Cultura afirma que desde 2005 vem tomando ações afirmativas e implementando políticas de apoio do movimento LGBT por meio de editais que abrangem concursos e premiações culturais. O Minc divulga que, entre 2005 e 2010, foram investidos nessas ações cerca de 4,2 milhões de reais em 161 iniciativas.

Caso Bolsonaro
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ganhou notoriedade junto à opinião pública por suas declarações polêmicas a respeito de cotas sociais nas universidades públicas e políticas de combate à discriminação racial e sexual.

Em resposta a um material do Ministério da Educação (MEC), que seria entregue aos alunos nas escolas e cujo conteúdo visava conscientizar sobre a questão da homossexualidade, em maio deste ano o deputado mandou seus assessores distribuírem mais de 50 mil panfletos “anti-gay” na saída do metrô de Copacabana, em portões de escolas, nas entradas de igrejas evangélicas e nas caixas de correio de condomínios na zona sul.

Bolsonaro chamou o material do MEC de “kit gay”, no sentido de que o texto incitava a homossexualidade nos alunos. “Esse material dito didático pelo MEC não vai combater a homofobia, ele vai estimular a homofobia lá na base, no primeiro grau”, disse na ocasião.

O deputado se envolveu em polêmica candente em março quando de uma entrevista concedida ao CQC (Custe o que Custar) – programa de entretenimento da Rede Bandeirantes. Ao responder uma pergunta da cantora Preta Gil afirmou que seus filhos não corriam o risco de namorar uma negra, pois eram bem educados e não haviam crescido num ambiente promíscuo.

A artista entrou com uma representação no Ministério Público por crime de intolerância racial, enquanto o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Wadith Damous, oficializou processo por quebra de decoro parlamentar contra Bolsonaro.

Escola Jovem LGBT
A casa de Lohren Beauty e Deco
tornou-se sede da Escola Jovem LGBT

Orgulho é a palavra de ordem que conduz as formas de militância da comunidade LGBT. Seja por meio de paradas, passeatas políticas, eventos culturais ou publicações, os participantes não têm vergonha de bater no peito para defenderem seus direitos junto à sociedade. Deco Ribeiro que o diga. Ele é membro do Comitê Municipal do PCdoB em Campinas, diretor da Escola Jovem LGBT, primeira do gênero no país, e ainda tem um posto de peso: é conselheiro nacional de juventude junto à Presidência. É formado em jornalismo, tendo como outros atributos os ofícios de educador e comunista, como ele próprio define em seu blog (decoribeiro.blogspot.com).

Há dez anos lançava na internet a ideia que se tornaria uma das maiores comunidades LGBT virtuais do país: o Grupo E-Jovem. O site sobre sexualidade de adolescentes gays nasceu em 2001 após a reunião de amigos num chat com o intuito de discutirem questões relacionadas ao universo homossexual. Totalmente independente e com colaboradores voluntários, o Grupo E-Jovem se tornou ONG em 2004 em Campinas e hoje conta com 4600 cadastrados em mais de 20 sedes pelo país (em Campinas, são cerca de 120 cadastrados). Deco, além de fundador, foi diretor nacional do grupo de 2004 a 2008 e hoje é editor executivo e webmaster do site.

No início de 2010, a ONG E-Jovem, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e com o Ministério da Cultura, abriu a Escola Jovem LGBT, “Ponto de Cultura” que se tornou o primeiro centro educativo do país voltado ao ensino da cultura LGBT para jovens – héteros e homossexuais, diga-se de passagem. “Os cursos são abertos a todos os interessados, e não um gueto”. Aliás, um dos argumentos mais usados nas críticas à atuação da escola é exatamente o fato de, na tentativa de inserir a homossexualidade na sociedade, os gays se isolem mais ainda em núcleos próprios. “Atingimos também com nossos cursos heterossexuais indiretos, como pais, mães e familiares dos alunos”, rebate Deco. O jornalista, que possui 39 anos, acredita que só assim irá contribuir para que os objetivos do E-Jovem e da Escola se concretizem. “Temos que descobrir, junto com a sociedade, o que é essa tal de cultura LGBT, e fazer com que esse conhecimento enriqueça todos, assim como funciona qualquer centro cultural, como um museu de história, por exemplo”, compara Deco.

Após um ano de atuação intensa e um árduo trabalho de aceitação na cidade (que inclusive gerou repressões morais e físicas à sede do projeto) a Escola Jovem LGBT possui 30 alunos entre 15 e 26 anos e oferece três opções de cursos: Música, Teatro e Jornalismo de Revista. As aulas acontecem todo sábado e domingo num imóvel localizado no bairro Nova Europa (Rua José Camargo, 382), que inclusive é conjugado à casa de Lohren Beauty, presidente nacional do Grupo E-Jovem e esposa de Deco (ou marido, se ela não estiver “montada” e atender por Chesller Moreira, seu nome na Certidão de Nascimento). Os cursos trabalham assuntos e geram produtos relacionados ao universo da cultura LGBT, como o estímulo à composição e à musicalização de canções que abordem os conflitos da sexualidade e a produção de fanzines e publicações impressas ou virtuais que divulguem informações úteis aos homossexuais. Só no ano passado, segundo Deco, o Grupo E-Jovem e as ações da Escola atenderam diretamente 700 jovens na cidade e 6000 no Brasil. Por aqui, as ações enfocam alunos do Ensino Fundamental e Médio em eventos públicos de conscientização dos direitos homossexuais e combate à homofobia.

A Escola Jovem LGBT, em consonância com o Grupo E-Jovem (que em Campinas recebe o título de E-Camp) possui alguns objetivos formalizados, como cita Deco: dar apoio ao jovem LGBT, dar e trocar informações importantes para este jovem, formar para a militância, ser um espaço de convivência da homossexualidade e ensinar técnicas de expressão para o exercício da convivência social. Assim, resume o jornalista, busca-se a conscientização do papel do homossexual na contemporaneidade por meio da arte e da cultura.

Por incrível que pareça, todo o engajamento político, cultural e artístico de Deco na defesa dos direitos dos homossexuais esconde um gay que demorou para se aceitar. Foi apenas na beira da casa dos 30 que o carioca passou a procurar informações sobre esse universo e viu que o caminho natural – e menos prejudicial à saúde de seu futuro, seria assumir de vez que gostava de meninos. Largou o curso de Física que estudava na Universidade de Campinas – Unicamp, e foi para o jornalismo, usando sua expressividade em palavras de combate à intolerância e ao preconceito.

A homofobia, para Deco, é o maior aliado ao código social que exige que todo “machão” satisfaça as expectativas da maioria: cumpra seu papel social. Em voga na mídia nos últimos tempos, o ódio aos gays encontra cada vez mais discípulos do mestre Bolsonaro ávidos pelo extermínio dos homossexuais. “Essa visibilidade traz conquistas para a classe LGBT ao mesmo tempo em que faz com que os homofóbicos escondidos saiam de seu escudo de proteção. É uma faca de dois gumes”, pondera Deco. Para começar a reverter a situação, ele acredita no poder da convivência como forma de familiaridade e aceitação do diferente.

As novelas, um dos maiores, senão o maior representante dos produtos da cultura popular brasileira, vêm há algum tempo incutindo na mentalidade da população um olhar igualitário para com as ditas minorias sexuais. É cada vez mais comum vermos entre os personagens um ou mais casais homoafetivos que, segundo o professor de Jornalismo de Revista da Escola Jovem LGBT, Breno Queiroz, contribuem para a quebra de vários preconceitos mostrando, por exemplo, a construção de novos modelos de família, a possibilidade da existência de gays normais (uma vez que o estereótipo convencionado diz que todos os homossexuais são promíscuos e não têm sentimentos) e que para ser gay não precisa parecer gay. “Isto é chocante para quem está acostumado a rotular as identidades sexuais”, admite Breno.

Os grupos LGBT que aliam a produção de manifestações culturais e artísticas com a militância são ainda tímidos no país. “Dá para contar nos dedos”, lamenta Deco. O diretor da Escola Jovem LGBT de Campinas, o primeiro centro educacional para jovens homossexuais do Brasil, conta que, além da escola, os movimentos de maior destaque em atuação são o GGB (Grupo Gay da Bahia), a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no país (desde 1980), localizado no coração do Pelourinho, em Salvador; o GDN (Grupo Diversidade Nacional), que atua em Niterói desde 2004; e o Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade, associação que desde 2001 trabalha com a cultura de respeito às sexualidades e à diversidade cultural no Rio Grande do Sul. O Somos está em processo de produção do Mapeamento Cultural LGBT, inédito no país, que busca identificar, sistematizar e registrar um panorama atual das manifestações artísticas ligadas à população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais no Brasil.

O jornalismo e a divulgação da cultura LGBT

Breno Queiroz dá aulas de jornalismo voluntariamente todos os finais de semana

Por meio do jornalista Breno Queiroz, os alunos da Escola Jovem LGBT têm acesso ao curso Jornalismo de Revista. Além de transmitir a cultura e o histórico das publicações LGBT, as aulas fornecem ferramentas básicas para a expressão jornalística e promove a produção de fanzines e uma revista, feitos pelos alunos.

Nos fanzines, as artes gráficas, com fotografias, desenhos e cores, são utilizadas para transmitir informações sobre o movimento e combater o preconceito e a homofobia.

A revista, que em breve será lançada, está sendo produzida pelos alunos, desde às pautas à redação dos textos. Ela é utilizada como livre espaço de expressão, segundo o professor Breno. O jovem paulista de 26 anos, formado em Jornalismo pela Unesp, diz não ter a intenção de exigir dos alunos as técnicas de redação e produção de uma revista, mas estimulá-los à livre produção de textos que os motivem a continuar usando a palavra como ferramenta. As pautas tampouco buscam uma explicação para a homossexualidade. As preocupações dos adolescentes, os temas que giram em torno do universo LGBT dos alunos, esse é o principal foco. A partir daí, a criatividade corre solta.

Breno produziu, em 2010, como trabalho de conclusão de curso, uma revista para tratar do universo jovem LGTB: a LGBTeen. O jornalista continua seu trabalho através do blog Virei Lobisomem (vireilobisomem.blogspot.com), por meio do qual trata com humor as questões do universo gay. O blogueiro ainda reserva tempo para atualizar seu mais novo projeto virtual: a blog-série gay-teem verde-amarela mais colorida da história “O Ataque dos Garotos”, que conta as reflexões de um jovem gay que decide se suicidar. A trama já está em seu segundo capítulo e pode ser conferida no endereço oataquedosgarotos.blogspot.com.

O também jornalista Eduardo Gregori, de Campinas, define-se como um “militante jornalístico”. Desde 1999 Gregori mantem o site Espaço GLS (sigla, segundo ele, usada comercialmente para se referir ao movimento), no qual reúne notícias sobre o universo LGBT, com o objetivo de “dosar um pouco de cada coisa: cultura, saúde, direitos...”.

O site surgiu da necessidade de preencher uma lacuna que Gregori diz ter encontrado na mídia de Campinas, também desde a faculdade de jornalismo. Em seu trabalho de conclusão de curso, Gregori mapeou 20 anos de mídia homossexual no Brasil e diz ter encontrado poucas publicações voltadas a este público. Participou, em seguida, de dois jornais impressos do gênero: O Babado e Bafond. Mas foi na internet que Gregori conquistou o espaço que desejava. O site recebe hoje cerca de dois milhões de acessos por mês.

Em Campinas, segundo Gregori, há grupos que promovem as “paradas” e se vestem como expressão da cultura. No antigo teatro da vila Padre Anchieta, de acordo com ele, um concurso de novos talentos reuniu a comunidade LGBT do bairro que prepara o espetáculo e o apresenta à comunidade. A ação deu resultados. As pessoas do bairro passaram a assistir o espetáculo e inclusive a torcer pelos artistas.

Eles são duros na queda
Conheça duas histórias de agressão moral e física sofridas por alunos da Escola Jovem LGBT e como eles deram a volta por cima.

“Aqui é o único lugar em que eu me sinto bem”
W.B., de 17 anos, passou por uma experiência que todo jovem homossexual teme: a chacota pública na escola após seus colegas descobrirem que ele gostava de pessoas do mesmo sexo. Após uma viagem que fez junto com o E-Camp à Brasília em maio deste ano na II Marcha Nacional Contra a Homofobia, uma foto em que o W aparecia beijando um outro garoto vazou através da rede de relacionamentos Facebook. Os olhares e cochichos intimidadores pelos corredores do colégio acontecem frequentemente. “Foi aí que eu descobri quem realmente é meu amigo”. O jovem conta que já frequentava a Escola Jovem LGBT antes do vazamento da foto, mas que a relação dele com os professores e com os novos amigos que fez no local se intensificou. “Eu não tinha nenhum amigo gay, agora o Deco conversa comigo sobre os meus problemas, eu tenho pessoas com quem eu posso me abrir”, desabafa W. Criado numa família evangélica, o aluno de música e jornalismo de revista ainda está se preparando para assumir sua orientação sexual. “Minha mãe já está desconfiando. Se ela souber que aqui é uma escola gay, ela não vai mais deixar eu vir”, teme.

“Você vai apanhar, viado!”
De dia, ele é presidente do E-Camp e atende por Vinícius Saraiva. À noite, de vez em quando, vira Saraivetty Close, mistura do sobrenome com uma homenagem à seu ídolo Ivete Sangalo. Mas em novembro do ano passado estava simplesmente indo para o ponto de ônibus no centro de Campinas para esperar a condução que o levaria à sua casa quando foi surpreendido por dois “carecões gigantescos”, como ele próprio define, que investiram em sua direção e de mais três amigos que o acompanhavam com uma corrente e um pedaço de ferro. Sem titubear, correram para direções opostas tentando fugir dos marmanjos, que ainda praguejavam “você vai apanhar viado!” para quem quisesse ouvir. Um de seus amigos levou uma correntada na perna, mas conseguiu fugir sem maiores consequências. A polícia foi acionada, tentou, mas não conseguiu localizar os agressores, que, diferentemente deles, saíram ilesos da situação. “Toda vez que eu passo por aquele ponto me lembro, com medo, do que aconteceu”, revela.

Vinícius Saraiva (Saraivetty) participa dos cursos de Dança e Jornalismo de Revista na Escola Jovem LGBT





quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

13 de Fevereiro - Dia das Mães e Pais de LGBT

13 de Fevereiro:
Parabéns, mãe! =D

Pouca gente sabe, mas desde 2005 jovens gays de todo o Brasil dedicam um dia especial a seus pais e mães: é o dia 13 de fevereiro, Dia das Mães e Pais de LGBT. Manda a tradição entregar uma rosa amarela a cada um dos pais - se eles souberem da orientação do filho, a data é comemorada abertamente, com mais presentes e conversas sobre o tema.

Mas o legal é quando o pai ou a mãe não sabem ainda que são pais de um menino gay, de uma menina lésbica, e recebem a rosa mesmo assim. "Por que isso?", perguntam. E os filhos respondem: "Um dia você vai saber..."

Essa tradição começou num de nossos encontros do Grupo E-jovem em Campinas. O tema era a relação entre pais e filhos gays e lés e mais de 20 pessoas foram na nossa sede conversar. E o melhor é que tínhamos um pai e duas mães junto com a gente.

Foi um longo bate-papo sobre suas descobertas e de como lidaram (e ainda lidam) com o fato de seus filhos serem diferentes. Falamos de família, de preconceito (que, todos concordaram, é fruto da ignorância, da falta de informações que muitos pais têm sobre o que é homossexualidade, o que é ser homossexual), de rótulos, de amor, de respeito. O povo fez várias perguntas aos pais, que procuravam responder da melhor maneira possível.

Os pais depois declararam que se sentiram ótimos encontrando outros pais e mães de LGBT. Pois, geralmente, a vida de um pai de gay ou uma mãe de lésbica é muito solitária. Os filhos encontram certa facilidade de entrar na internet e encontrar seus semelhantes, formar grupos e tals, mas os pais se fecham e não conseguem conversar sobre esse assunto com os amigos, os parentes, os colegas de trabalhao... Muitos nem comentam com o marido ou a esposa. O armário dos pais de gays é mais fundo que o nosso e encontrar outra pessoa que passa pelo que eles passam, que os compreende, pra eles não tem preço.

E foi assim.

Então não se esqueça: No próximo dia 13 de fevereiro, dê uma rosa amarela para sua mãe e para o seu pai. Eles podem não saber (ainda) por que estão recebendo, mas você sabe por que está dando: porque você os ama e espera que eles te amem do jeitinho que você é, gay, lésbica, travesti, transexual ou bissexual. Quem sabe a rosa já não seja um pretexto pra começar uma loooonga conversa...?

E se você pertence a algum grupo, junte a galera e celebre a data junto com suas mães e pais - eles merecem! E vão adorar a homenagem.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

E-CAMP comemora o Dia da Visibilidade Travesti

Bruna, coordenadora de travestis adolescentes do E-CAMP

Nesse último dia 29, grupos de militância LGBT de todo o país celebraram o Dia da Visibilidade de Travestis e Transexuais, comemorado desde 2004, quando o Ministério da Saúde lançou pela primeira vez uma campanha voltada a este público, "Travesti e Respeito".

Aqui, a recém-eleita presidente do Grupo E-jovem em Campinas, Saraivetty Close Beauty, liderou a primeira atividade do seu mandato, distribuindo materiais da campanha do E-jovem “Sou Travesti, tenho Direito de Ser Quem Sou + Respeito + Cidadania”. "A campanha foi criada pelo Grupo E-jovem de Piracicaba, que mandou o material pra gente," contou Saraivetty. "Mas também vamos ditribuir fanzines da Escola Jovem LGBT e folders da coordenadoria de Políticas LGBT da prefeitura de Campinas"

A tropa: Saraivetty, Deco, Lohren e Bruna

"Não é porque a gente é travesti que somos automaticamente bagunça," afirmou Bruna Baby, coordenadora de travestis adolescentes do E-CAMP. "Travesti é respeito, sempre."

Bruna esclarecendo a população sobre o Dia das Travestis:
driblando o desconhecimento que leva ao preconceito

Saraivetty e Lohren Beauty assustando abordando a galera na 13 de Maio

Material da prefeitura também foi distribuído.
"Valeu Paulo Reis (coordenador de políticas LGBT)!!"

Galera recebe com atenção o material do E-jovem,
estampado por travestis que participam do grupo em Piracicaba

"Os dias de cada letrinha da sigla estão no calendário oficial do E-jovem e isso é uma forma de chamar atenção para cada segmento," explicou a presidenta nacional do E-jovem, Lohren Beauty, que ainda iria para Piracicaba comandar a festa da visibilidade travesti no dia 30.


Lohren Beauty veste Lohren Beauty: "Tááá, querida! Não deito!"

No final, Saraivetty era só alegria: essa foi sua primeira atividade como presidente do Grupo E-jovem em Campinas, já que ela foi eleita no final do ano. "Temos grandes planos, a Parada já vem aí e já retomaremos as atividades do E-CAMP na próxima semana!" Boa sorte, gurizada! =D

"Alegriaaaaaa!"

sábado, 11 de dezembro de 2010

E-CAMP elege nova presidente

O E-CAMP, Grupo E-jovem em Campinas, realizou na noite desta sexta, 10, sua eleição anual de nova diretoria. Ao todos, 63 adolescentes e jovens, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros fizeram fila pra votar. A chapa vencedora, com 60 votos, foi encabeçada por Vinícius Saraiva, 17, que personifica a drag queen Saraivetty Close Beauty.

Saraivetty (à direita), presidente eleita

Perguntada a que atribuía a expressiva votação, Saraivetty respondeu: "Acho que foi o meu número de candidato, 24!" Essa eleição marca um novo momento para o grupo, que, pela primeira vez, recolheu votos em plena praça do Sucão, o principal ponto de encontro dos jovens LGBT de Campinas. "Todos podiam votar," explica a presidente eleita. "A gente já vinha fazendo campanha há algumas semanas e aqui é partir pro corpo a corpo." Os eleitores preenchiam um cadastro e já estavam aptos a votar.



Votam jovens trans, lés e gays: cidadania LGBT

"A ideia de fazer a votação dessa forma foi para aproximar a ong da comunidade, dos jovens," explica Lohren Beauty, presidente nacional do E-jovem. "Afinal, representamos essa galerinha em muitas instâncias. É justo que eles escolham diretamente seu representante. Legitima mais o processo e faz com que eles se envolvam mais com o grupo, se sintam mais parte desse todo nosso."

Lohren Beauty: o E-jovem mais próximo de sua base

A nova presidenta do E-jovem em Campinas deve tomar posse no próximo sábado, dia 18, em uma grande festa na Escola Jovem LGBT.

Confira mais fotos da votação:


sábado, 23 de outubro de 2010

UJS/Campinas e E-CAMP: Juventude #NaRuaComDilma

Chesller Moreira, presidente da UJS/Campinas,
e Vinícius Saraiva, diretor do E-CAMP

Na última quinta-feira, 21, os movimentos sociais de Campinas uniram-se para mostrar, nas ruas da cidade, a força de quem está com Dilma. Jovens, mulheres, idosos, gays, agentes de saúde e membros dos mais diversos movimentos populares concentraram-se na Estação cultura e tomaram a 13 de Maio até o Largo da Catedral.


Chesller Moreira, presidente nacional do E-jovem, estava lá representando a União da Juventude Socialista, da qual também em presidente, em Campinas. "O mais legal dessas caminhadas de apoio à Dilma é ver a cara do povo. É povo mesmo, gente comum, que a gente encontra no nosso dia a dia. Não é militância paga nem playboyzinho filhinho de papai que só faz campanha de carro chique," desabafou Chesller.

Binho Silva, batendo panela:
"Eu quero ver mulher presidente da Nação"

Ao seu lado, o preesidente do Grêmio Pirata, de Hortolândia, Binho Silva, batia numa panela com adesivos de Dilma. "Lugar de mulher não é mais no fogão, eu quero ver mulher presidente da Nação!", entoava o estudante. Binho, que é vice-presidente da UJS/Campinas, é um dos responsáveis pela campanha "Eu também tô com Dilma", lançada esta semana.

A bandeira do arco-íris foi empunhada na caminhada por Vinícius Saraiva, também conhecida como Saraivetty, diretora de Saúde do E-CAMP, o Grupo E-jovem em Campinas. "É agooooooooooooraaaaaaaaaa!", soltava ele, usando seu bordão característico. "Quem é bonita vota Dilma!"  

Saraivetty: "Quem é bonita vota Dilma!"

Neste sábado todos voltam a se reunir no comitê "Juventude com Dilma", para definir as atividades da última semana de campanha.

domingo, 15 de agosto de 2010

E-JOVEM apresenta carta-compromisso aos candidados

Telão armado no meio da praça:
E-jovem indo onde a juventude está

Na última sexta-feira, a galera do Grupo E-jovem em Campinas (E-CAMP) fez um evento em praça pública para apresentar e aprovar a carta-compromisso que será oferecida aos candidatos dessas eleições.

A carta, cujo conteúdo foi escrito pelos próprios jovens, reúne suas demandas mais importantes. "Nos dividimos em grupos e levantamos as lutas que gostaríamos que todos os candidatos abraçassem conosco," explica Karinna Beauty, 14, coordenadora do E-CAMP. "Depois, cada grupo precisou apresentar e defender sua proposta. De 21 ideias, fechamos em 5, sendo a prioritária a criação de Planos e Conselhos LGBT."

Bruna Baby explica as funções de um Conselho

Essa proposta foi defendida por Bruna Baby, coordenadora de travestis adolescentes do E-CAMP. "Nos conselhos nós podemos elaborar todas as outras propostas, além de ficar de olho no governo pra ver se eles estão cumprindo o que prometeram," afirma a jovem travesti.

Galera parou na praça do Sucão pra assistir

A apresentação, na praça Bento Quirino, tradicional ponto de encontro gay de Campinas, atraiu o interesse da juventude LGBT, que parou para ouvir seus colegas e aprovou as propostas por unanimidade. Binho Silva, vice-presidente da União da Juventude Socialista de Campinas, e Denílson Jr., diretor LGBT da União Nacional dos Estudantes, também estiveram na praça e se impressionaram com a movimentação.

Binho, da UJS: juventude unida contra a homofobia

"A UJS também luta contra a violência homofóbica, que nos atinge mesmo quando pensamos estar mais seguros," disse Binho ao microfone, apontando o bar CampChopp, ao lado, onde o jovem Jonathan Prado foi agredido há um mês.

Denílson Jr., diretor LGBT da UNE

"Não é de hoje que a UNE luta contra o preconceito nas universidades e o E-jovem sempre é um exemplo de mobilização juvenil LGBT," falou Denílson.

Confira abaixo a íntegra da carta-compromisso. Candidatos interessados em assiná-la podem imprimir, assinar e mandar por e-mail para voto2010@e-jovem.com. Todos serão indicados como candidatos amigos das gay.

Por um amanhecer mais colorido

Combater as desigualdades e promover a luta pelos direitos das pessoas: essas bandeiras são o norte das propostas do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados aos candidatos às eleições proporcionais e majoritárias de 2010.


O E-jovem entende que o espaço legislativo, mais do que administrar leis e servir como ponto de equilíbrio para o poder executivo, é, em essência, o palco para a construção de uma sociedade justa e igualitária, formada por um povo soberano.

Nesse sentido, a atuação da sociedade civil organizada e de seus representantes eleitos deve ser sempre para garantir que em cada projeto aprovado, em cada elemento orçamentário, esteja em foco a felicidade das pessoas.

A política, mais do que qualquer outra área das relações humanas, deve ser isso: uma fonte geradora de felicidade. Elementos contrários a isso não faltam.

Por isso, estaremos lá para combater esses sentimentos ultrapassados de preconceito e discriminação. Juntos na construção de uma sociedade mais justa, o E-jovem propõe aos cantidatos a Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores, Governador e Presidente que a juventude LGBT seja lembrada. Por um horizonte mais colorido.

Essa juventude LGBT, reunida no E-jovem para avaliar suas prioridades para 2011, elencou a criação de Conselhos e Planos LGBT em todas as esferas, como estratégias de atuação. Para, principalmente, fazer avançar temas como o casamento civil, defesa dos direitos de filhos de casais homossexuais, combate à homofobia nas escolas e o combate à violência homofóbica.

Portanto, como candidato, declaro publicamente que:


SOU um candidato que apoia a criação e o funcionamento de Conselhos e Planos LGBT – Os conselhos são a nova forma de controle social disponível a uma comunidade. Para que todas as demandas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) sejam devidamentge implantadas, monitoradas e avaliadas, é essencial que seja estimulada a criação de Conselhos LGBT em todos os níveis (municipal, estadual e federal). Esses conselhos deverão formular o Plano LGBT local, discutido com a comunidade, e apresentá-lo ao executivo e ao legislativo, para que seja implantado.


SOU um candidato que apoia o casamento civil igualitário – O casamento civil é um direito civil de todos os cidadãos brasileiros. Todos? Não. Uma parcela da população, devido a uma formulação equivocada na legislação, não possui esse direito: casais formados por dois homens ou duas mulheres. Vários países já estão corrigindo isso, como a Espanha, Portugal e Argentina. Chegou a hora do Brasil também estender esse direito a todos e todas.


SOU um candidato que defende os direitos de filhos de casais homossexuais – Muitos pensam na questão da adoção apenas do ponto de vista de quem está adotando. Poucos pensam nos direitos da criança. Uma criança, filhos de pais gays ou de mães lésbicas ou de um casal onde um dos pais é travesti, tem o direito de ser reconhecida como filho ou filha deste casal – e ter acesso a todos os direitos que essa filiação lhe confere.


SOU um candidato que apoia o programa Saúde e Prevenção nas Escolas – O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), do Governo Federal, precisa se tornar uma política de Estado. É preciso transformarf em lei essa parceria entre Saúde e Educação e os governantes precisam incluir essa ação na estrutura de ambas as secretarias. Os jovens estudantes precisam ter mais acesso aos seus direitos de usuários do Sistema Único de Saúde, e isso vai desde ter mais informações de prevenção às DST/AIDS até o combate à homofobia nas escolas. Um ambiente sem preconceito é um ambiente mais saudável.


SOU um candidato que fortalece a luta contra a homofobia – A cada 2 dias um homossexual é barbaramente assassinado no país. Esses crimes dificilmente são tratados como crimes homofóbicos porque esse é um tipo de crime ainda não tipificado no Brasil. É preciso aprovar o Projeto de Lei da Câmara 122, de 2006, que criminaliza a homofobia. É preciso que os governos apliquem, divulguem, fiscalizem e façam valer suas leis estaduais anti-homofobia, como a 10.948, que pune a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no Estado de São Paulo. O Governo de SP nunca produziu materiais de divulgação desse lei, mas espalhou por todo o estado a divulgação da Lei Anti-Fumo. Parece que, em SP, é pior fumar em locais coletivos que agredir uma lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual.

Data e Assinatura
Nome legível do candidato/Partido/Número