terça-feira, 1 de março de 2011

Movimento Gay sem gays

Está faltando homem no movimento...

Não sei você, mas eu estou achando que o Movimento Gay aqui no Brasil é meio esquizofrênico.

Já reparou que existe Dia da Visibilidade Travesti, da Visibilidade Lésbica, da Celebração Bissexual - e nenhum dia gay? "Ah, tem o Dia do Orgulho Gay", certo? Errado. O Dia do Orgulho Gay virou Dia do Orgulho LGBT, pra incluir todo mundo... e os gays foram varridos do mapa. Ou do calendário, pelo menos.

Na verdade, é exatamente aí, nessa mudança de Orgulho Gay pra Orgulho LGBT que tudo começa. No início era tudo gay. O termo Movimento Gay dava conta de todo a luta contra a homofobia, fossem ações voltadas aos direitos de lésbicas ou pelo respeito das transexuais.

Mas aí as lésbicas começaram a se achar invisibilizadas pelo termo gay. "Gays são os homens," argumentavam. "Somos lésbicas!" O movimento passou a ser de Gays e Lésbicas, depois GLT e GLBT. Foi quando travestis e transexuais descobriram que têm pautas distintas - e surgiu o GLBTT. Aí começou a onde de trazer pra frente as letras mais vulneráveis, ou que mereciam mais visibilidade. GLBTT virou GLTTB, depois GLTTTB (com a adição das transgêneros) e, finalmente, LGBT, unindo todos os Ts num só e trazendo o L pra frente, numa deferância às mulheres. Esta sigla foi votada e aprovada na I Conferência Nacional (não sem muito choro e ranger de dentes).

Mas beleza, passou. Hoje o Movimento é LGBT. E, ao longo de toda essa discussão, que durou anos e anos, nós gays ouvíamos que que queríamos nos meter em tudo, que dominávamos o movimento e não dávamos espaço pras mulheres, L, B ou T.

E, com receio de sermos tachados de machistas, fomos abrindo mão da identidade gay.

Assim, todas as letrinhas lutaram e conquistaram o direito de celebrar e dar visibilidade à sua identidade - menos os gays. Nos escondemos atrás da sigla LGBT e pronto. O resultado? Não há dia gay.

E mais: até pouco tempo não havia nem uma rede nacional só de gays (enquanto há de LGBT, de travestis, de transexuais, de bissexuais, de jovens LGBT, de negros LGBT... e DUAS de lésbicas!) e a que existe hoje ainda está se organizando... Tanto é que, na recente composição para o Conselho Nacional LGBT, todas essas redes citadas acima conquistaram assentos - menos a rede dos gays, por falta de documentação. E olha que curioso: a rede LGBT vai mandar 1 masculino (gay) e 2 femininas (lés e travesti), a de travestis e trans vai mandar 2 femininas, a de jovens vai mandar 1 feminina (nossa Lohren Beauty), as de lésbicas vão mandar 1 feminina cada... E cadê os gays?

Fica parecendo que nós, gays, não temos problemas específicos, só de gays. Mas temos. E precisamos de espaço para melhor discuti-los.

Mas isso vai ser outro post.

5 comentários:

Luiz Modesto disse...

Faz um tempo que tenho pensado nisso também, Deco.
Compartilho de sua incomodação.
Abraços

Lalá disse...

Deco, gosto de seu jeito de dizer as coisas..e tb gosto da sigla GLS , pois me inclue rsrs afinal sou hétero mas totalmente incluida..
sou gay de alma ..beijos
boa sorte a seus escritos

Lalá disse...

Oi gente, a Lala é a minha irmã..e como ela entrou no meu google saiu em nome dela, mas o comentario ao lado é meu Ana Fadigas
cruzes ela invadiu a minha tela.rsrsr

olivaira.ricardo disse...

DECO, DECO... Não é por acaso que você é o DECO.
Esse assunto é tão complexo, que me sinto inseguro para arriscar comentário.
O problema do déficit de gays na militância é de origem comportamental e social, está alem do problema da representatividade, inclusive, podemos interligar com o problema do homossexual e sua imagem, também, com o consumismo, reflexo da mentalidade capitalista.

Ministério da saúde disse...

Olá blogueiro!
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Atenciosamente,
Ministério da Saúde.

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