quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Campinas vai ter uma escola gay

E fomos CAPA de todos os jornais de Campinas hoje! Abaixo, matéria do maior deles, o Correio Popular. Quem quiser mandar cartas pro jornal, pode escrever para leitor@rac.com.br - sinto que vamos precisar de apoio! Conhecendo Campinas, amanhã vai estar uma loucuuura aquela seção de cartas...! =D



Publicada em 23/12/2009

Cidades
Campinas vai ter uma escola gay

Recursos públicos financiam projeto cultural que tem como objetivo o combate ao preconceito

Fábio Gallacci
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
gallacci@rac.com.br

Campinas poderá sediar no próximo ano a primeira escola do Brasil totalmente voltada para o universo gay. Com uma verba de R$ 180 mil proveniente de um convênio entre a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura, o Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados, que tem sede na cidade, pretende concretizar o projeto de implantação da Escola Jovem LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

Inicialmente com três turmas — com 20 alunos cada — o objetivo da instituição, de acordo com Deco Ribeiro, representante do grupo e futuro diretor da instituição, é valorizar e difundir a Cultura LGBT em cursos que serão abertos a jovens homossexuais, mas também a heterossexuais e bissexuais.

Já no mês de janeiro começa a seleção para a escolha dos professores. Os interessados em fazer a matrícula podem entrar em contato pelo e-mail escola@e-jovem.com. Se todas as questões burocráticas e estruturais estiverem em ordem, as aulas deverão começar em março. Os cursos serão gratuitos.

“Queremos que toda a juventude tenha contato com o universo gay e, assim, possa conhecer e respeitar as pessoas que fazem parte dele. A escola não é só para gays, mas pretende dar visibilidade para essa parcela da sociedade. Também queremos que os jovens gays se valorizem mais”, justifica Ribeiro, que já está preparado para reações contrárias. “Se não formos incomodados vou ficar decepcionado. Eu espero que essas reações contrárias surjam. Já andei recebendo e-mails relacionados a isso. Preconceito é ignorância. Para vencer isso, precisamos levar nossa arte, nossa expressão e nosso discurso a quem não nos conhece”, acrescenta o representante do Grupo E-jovem.

As aulas terão foco em atividades artísticas, literárias e em diversas outras vertentes culturais. Entre elas, a criação de zines, revistas, produtos literários, dança, música, TV, cinema e teatro. Até mesmo performance drag está prevista para entrar na grade curricular.

Ainda de acordo com Ribeiro, o material produzido ao longo dos cursos circulará pelo Estado e terá distribuição gratuita.

Até o momento, não há um local definido para sediar a escola na cidade. Já se fala que o Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas, localizado no Palácio dos Azulejos, no Centro, pode ceder algumas salas. Mas trata-se de uma possibilidade que ainda está sendo negociada por Ribeiro.

O Estado conta com 300 projetos de difusão cultural que serão financiados pelo convênio entre o governo estadual e a União. Todos juntos vão R$ 54 milhões. Cada um deles receberá R$ 180 mil e vai se tornar um “Ponto de Cultura”: o espaço aberto a toda a coletividade, segundo Deco, é uma estratégica contra a homofobia.

Proposta divide opiniões antes de sair do papel
Para alguns campineiros, estratégia só aumenta isolamento das minorias

A ideia de criar uma escola com a temática totalmente voltada para o universo gay nem saiu do papel e já gera polêmica na cidade. O representante comercial Alcino Camargo não gostou da proposta, mas respeita as diferentes opiniões. “O assunto é polêmico. Eu sou contra, mas cada um tem o livre arbítrio”, diz. A posição é seguida pelo industriário Marcelo Magri. “Isso é dividir a sociedade, é uma forma de isolamento dos jovens”, afirma.

A atendente Karla Bonissoni se preocupa com a possível intolerância de alguns setores. “Bacana a proposta, mas vai haver muita discriminação. O jovem pode ficar mais seguro de sua sexualidade, mas, mesmo assim, haverá o preconceito da sociedade. Acho que a divisão entre heterossexuais e homossexuais será uma forma de preconceito um contra o outro”, avalia. “Se meu filho fosse homossexual, como mãe, eu não o matricularia nessa escola”, diz.

Os posicionamentos favoráveis também existem. “Acho que não atrapalha o desenvolvimento dos jovens como pessoas, até favorece, já que eles poderão ser aceitos em um ambiente sem preconceitos”, aponta a educadora Celina Thiago. “É uma boa ideia, acho que não haverá preconceito contra a escola”, acredita o desempregado Rodolfo Pavan. (AAN)

O Novo Adolescente Gay

 
O texto abaixo é uma versão resumida do meu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo, da Facamp. Essa foi a base sobre a qual foi levantada toda a ideia da Escola Jovem LGBT. Espero que curtam!

O Novo Adolescente Gay

por Deco Ribeiro



César, o caçula de dois irmãos, se lembra que aos 12 anos de idade amarrava fitinhas de Nosso Senhor do Bonfim no pulso pedindo para deixar de ser gay. Mas ele sempre cortava a fitinha antes do tempo e cancelava o pedido. Seu amigo Alan comenta que aos nove anos começaram a surgir os xingamentos preconceituosos na escola – “bicha”, “viadinho” -, mas assume que nem sabia o que significavam. E não identificava os seus sentimentos com qualquer desses nomes. Para a menina Aira o problema era gostar de jogar futebol: às vezes chegava roxa em casa, depois de brigar com os garotos que implicavam por ela ser a única menina entre eles.

As situações que César, Alan e Aira descrevem podem parecer familiares a muitos outros homossexuais. E, para muita gente, seriam motivos mais que suficientes para que eles reprimissem sua sexualidade e passassem a viver no armário, certo?

Errado. Pois os três ainda nem estão na faculdade mas já sabem o que vão ser quando crescer: gays e lésbicas. E não sentem necessidade de sofrer por causa disso.

Quando perguntados se já ficaram com pessoas do sexo oposto, todos respondem que sim, mas porque “achava que tinha de ficar”, “era o que todo mundo fazia”, “ficou por ficar só pra ver como era”, “foi pressionada” ou “era o que deveria ser”. E mesmo esse tipo de comportamento não passou dos 15 anos. A partir do momento em que esses jovens entraram definitivamente na adolescência, a atração por pessoas do mesmo sexo falou mais alto – a diferença é que eles escolheram viver isso plenamente.

A Nova Onda
E não estão sozinhos. Jovens em todo o mundo estão assumindo sua homossexualidade muito mais cedo que há uma geração atrás. Isso foi identificado no ano passado nos Estados Unidos pelo pesquisador Ritch Savin-Williams, autor do livro “The New Gay Teenager”. Segundo ele, garotos já estão se dando conta de que são gays aos 12 anos e tendo seu primeiro contato sexual com alguém do mesmo sexo entre 14 e 16 anos – exatamente como seus colegas héteros. A novidade é que muitos estão se assumindo antes mesmo de completar o ensino médio.

No Brasil, existe muito poucas pesquisas sobre esse assunto. Mas para o sexólogo Cláudio Picazio, acostumado a lidar com adolescentes em seu consultório e a dar palestras em escolas sobre sexualidade, é visível que o adolescente está redescobrindo a homossexualidade. “Na pré-adolescência a criança fica confusa. Porque percebe uma atração, sente sensações boas, com ambos os sexos, ou até mais voltado a um deles, mas teme aquilo que começa a sentir. É na adolescência mesmo, quando o corpo fica pronto, que não dá mais pra segurar o desejo.”

Por que essa confusão inicial? Para o psicólogo, isso se dá graças ao papel da sociedade. “Há uma desconstrução da homossexualidade,” diz Picazio. “Se o adolescente é afeminado, dizem que ele é homossexual. E ele já é discriminado por causa disso.”

E essa discriminação começa cada vez mais cedo.

Má Educação
Segundo relatório de 2004 da UNESCO, órgão das Nações Unidas responsável pela educação, publicado no livro “Juventudes e Sexualidade”, é preocupante o nível de homofobia nas escolas brasileiras. Foi verificado que de cada quatro alunos, um não gostaria de ter homossexuais como colegas de classe. Minoria, mas uma minoria barulhenta – o método mais comum de violências contra homossexuais nas escolas é a ofensa verbal, o xingamento, sempre com o intuito de “humilhar, discriminar, ofender, ignorar, isolar, tiranizar e ameaçar”.

Mediando esse conflito, estão, na linha de frente, os professores. Mais atrás, orientadores pedagógicos, coordenadores e diretores. A posição destes em relação à homossexualidade em sala de aula foi documentada pela UNESCO como sendo mais liberal que a dos alunos – de cada 100 professores, apenas 2 indicam que não gostariam de ter homossexuais como alunos.

No entanto, a pesquisa aponta que ao mesmo tempo em que isto é reconhecido, há uma tentativa de banalizar tal fato. Ou pela dificuldade em lidar com o assunto, ou fingindo que nada acontece – e, assim, pelo silêncio, compactuando com a violência. Isso, claro, quando não são os próprios professores os agentes da agressão, fazendo piadinhas com homossexuais em sala de aula, por exemplo.

Esse preconceito por parte dos educadores é revelado quando perguntados se acham que homossexualidade é uma doença. De um mesmo grupo de 100 professores, 10 respondem afirmativamente. Isso mostra que a tolerância por parte de alguns professores com relação aos alunos gays e lésbicas é um tanto abstrata. Enquanto alguns jogam a culpa nas próprias vítimas, que “tenderiam a se isolar” – em oposição a serem isolados pelos colegas – outros chegam a censurar o aluno homossexual, dizendo que ele não deve “deixar transparecer” que é gay.

Em vista disso, é realmente de se espantar que os jovens estejam tendo coragem de se asumir cada vez mais cedo.

Aliados Héteros
Marcos, um ator de teatro de 20 anos, não pensa duas vezes ao dar uma explicação para essa coragem. “Não é que ser gay seja fácil. Só é mais fácil que antigamente, porque hoje em dia existem muitos héteros com a cabeça mais aberta para a homossexualidade.” Sua amiga Maiara é uma delas. “Eu acho os gays maravilhosos, são as melhores pessoas pra se ter como amigos,” diz ela, heterossexual e simpatizante assumida, “O que incomoda é a crítica das pessoas que têm preconceito, que te rotulam só porque você anda com um amigo gay. Mas é porque elas não os conhecem.” Para os dois amigos, o fato das pessoas estarem convivendo mais com a diversidade sexual vai, aos poucos, abrindo caminho para essa maior aceitação.

E essa convivência se dá em diversas áreas. Adolescentes gays desse início de século aprenderam a escrever em e-mails, conversam por videofone no computador e estão acostumados às dezenas de canais das TVs a cabo. Eles se descobrem gays lado a lado das personagens lésbicas Clara e Rafaela, da novela Mulheres Apaixonadas, de Jenifer e Eleonora, de Senhora do Destino, ou do Júnior, de América. Assistindo a homossexualidade retratada em seriados populares como The O.C., Will and Grace e Queer Eye for the Straight Guy. Isso para não mencionar os altamente gays Queer As Folk (traduzido no Brasil como Os Assumidos) e o lésbico The L Word. No cinema, temos personagens gays simpáticos (que não são caricaturas humorísticas ou meros figurantes) desde Priscila, A Rainha do Deserto até Alexandre, o Grande – com direito até a um dramalhão nos moldes tradicionais, com Brokeback Mountain. Personagens gays aparecem em video games, nos quadrinhos, nos jornais.

“Antes, os únicos gays que tinham evidência eram os mais afeminados,” diz Marcos. “Agora, parece que até aqueles que não se ‘entregam’ naturalmente estão escolhendo se assumir, pois sentem o ambiente mais tranquilo.” Com voz grossa e sem trejeitos, ele mesmo não se encaixa no estereótipo padrão de homossexual. Algumas pessoas, como seus irmãos, tiveram de se esforçar para acreditar que ele pudesse ser gay.

Jovens Comuns
Os jovens gays de hoje não têm dúvidas: ser gay é sentir atração por alguém do mesmo sexo, mas, mais que isso, um desejo de ficar junto, embaixo do edredom, comendo pipoca e vendo filme de terror, de namorar, casar e ter filhos com alguém do mesmo sexo. Uma coisa que revolta a ambos é todo mundo achar que homossexualidade tem a ver só com o ato sexual, só com sacanagem. Nada a ver. Eles lembram de quando ainda eram virgens e já sabiam que eram gays.

Para eles, ser gay não é melhor nem pior do que não ser. Não estufam o peito e nem tentam se matar por causa disso. Eles se preocupam mais com a nota da última prova e com o horário determinado pela mãe para que voltem para casa do que com suas sexualidades. Como qualquer adolescente comum.

O pesquisador Ritch Savin-Williams termina seu livro sobre adolescentes gays com uma frase do estudante Andrew James, que escreveu um artigo intitulado In Search of Ordinary Joes (Em Busca dos Caras Comuns): “Revelar perfis de homossexuais que são pessoas comuns pode não ser fabuloso, nem ser a última moda, mas acho que deveria ser a próxima onda do movimento gay.”

Ele conclui dizendo que é errado afirmar que a adolescência gay é definida apenas por dor e sofrimento. Os que se comportam assim são uma minoria. A maioria é feliz, se acha normal e quer viver essa normalidade gay. Ou lés. Ou bi. Ou seja lá como essa sexualidade se apresenta.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

1ª Confecom: o Brasil que a mídia monopolista escondeu

 
Os barões da mídia tiveram que se confrontar, durante os debates da 1ª Confecom, com um Brasil ausente do noticiário impresso e eletrônico. É o Brasil real, inquieto, insubordinado e em profunda transformação, e do qual eles, os monopolistas da comunicação, não gostam.



Por José Carlos Ruy (do Portal Vermelho)

E recusam debater. Antes mesmo da realização da Confecom (que reuniu em Brasília 1684 delegados, de todos as unidades da federação, entre 14 e 17 de dezembro) seis das oito entidades representativas dos grandes jornais, revistas e redes de televisão, anunciaram sua recusa em debater uma formatação democrática para o exercício do direito constitucional da comunicação, que os barões da mídia reduzem a um mero negócio privado que deve, em sua opinião, ficar ao abrigo da lei e de qualquer regulamentação.

Terminada a conferência, feito júpiteres olímpicos, lançaram seus raios condenatórios contra a reunião e contra os que participaram dela e aprovaram teses contarias aos interesses dos monopolistas. O jornal O Globo puxou uma ladainha patronal unânime ao caracterizar as medidas aprovadas "restritivas à liberdade de imprensa, de expressão e da livre iniciativa". O editorial do Jornal Nacional do dia 16 tentou — como era previsto — desqualificar a conferência. Alegou que sua representatividade estava "comprometida" pois "seis das mais importantes entidades empresariais" deixaram de participar dela por considerarem “as propostas de estabelecer um controle social da mídia uma forma de censurar os órgãos de imprensa, cerceando a liberdade de expressão, o direito à informação e a livre iniciativa, todos previstos na Constituição”.

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert, cujo principal membro é a Rede Globo) chamaram de “preocupante” e um “retrocesso” o resultado da conferência. A revista Veja, um notório baluarte dos interesses mais conservadores em nossa sociedade, comparou em seu site o modelo "da imprensa com que sonham os representantes formais da esquerda no Brasil" ao diário cubano Granma, e disse que a cara desse modelo "é de arrepiar". Para Veja, o resultado "do encontro foi um funesto documento que revela quão vigorosamente os impulsos totalitários correm na veia da maioria de seus signatários". O título do editorial da edição seguinte à Confecom (a Carta do Leitor da edição de 23/12/2009) assegurava: "Eles querem banir a liberdade de imprensa", com propostas "estapafúrdias" para "amordaçar a imprensa"; no final, pediu o enterro "do entulho autoritário, socializante e retrogrado produzido na Confecom". O Estado de S. Paulo, quase sempre sóbrio em seus editoriais, perdeu as estribeiras e disse que a medida mais sensata do governo seria, andar "para a lata do lixo" todas as propostas aprovadas pela Confecom.

O motivo de toda esta aversão fica nítido quando se examina a lista das principais teses aprovadas na semana passada em Brasília. Elas incluem desde a criação do Conselho Nacional de Comunicação (que o baronato midiático tenta desqualificar chamando-o de Conselho Federal de Jornalismo para lembrar a proposta que foi debatida em 2004 e teve repulsa geral), uma nova Lei de Imprensa, o código de ética para o jornalismo (com a garantia explícita do direito de resposta do acusado por matéria jornalística, a definição de abuso do direito de liberdade de imprensa e as penalidades no caso de transgressões devidamente comprovadas), a cláusula de consciência (inaceitável para os patrões, costumeiros em impor aos jornalistas pautas que afrontam sua consciência, sua ética e suas convicções), a cota de 10% da programação educativas, culturais, informativas e artísticas no rádio e na tevê e de 50% de programação nacional nos pacotes de tevê por assinatura, a redução de 30% para 10% a presença de capital estrangeiro nas empresas brasileiras de comunicação, além de medidas que favorecem a rádio e tevê comunitárias (as propostas aprovadas foram listadas no artigo “Veja quais foram as bandeiras históricas aprovadas na Confecom”, de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, republicada no Vermelho).

Um dos saldos da Confecom foi explicitar a alienação profunda dos monopolistas brasileiros da mídia em relação ao Brasil e a seu povo, cuja imagem real não é aquela que seus meios de comunicação noticiam. Os delegados presentes à Confecom (não só da sociedade civil, mas também muitos empresários pequenos e médios) reiteraram a exigência de democratização profunda deste chamado "quarto poder" constituído pela mídia. Ele é um dos únicos "poderes", ou uma das únicas "instituições", que não viveram as mudanças democráticas do quarto de século desde o final da ditadura militar de 1964, e que vivem ainda num mundo onde impera a lógica coronelística anterior mesmo à revolução liberal de 1930. O Brasil está mudando e precisa de uma comunicação atualizada com suas novas exigências de aprofundamento da democracia, salvaguarda dos interesses populares e nacionais, e defesa da nação. O que se assistiu em Brasília, durante 14 a 17 de dezembro, foi a manifestação de que a mídia dominante não serve para isso, e precisa ser mudada. Desse ponto de vista, a 1ª Confecom foi vitoriosa, principalmente pela aprovação de medidas capazes de subordinar o caráter empresarial da mídia à sua função constitucional de informar livre, ampla e multilateralmente.
 

E Campinas descobre a ESCOLA JOVEM LGBT...

 
Foi só sair na capa do UOL a matéria sobre a ESCOLA JOVEM LGBT que o telefone hoje não parou de tocar.




É o poder da grande mídia. E pensar que eles podiam tanto usar esse poder para o bem, né? =P

Enfim, o portal Cosmo publicou a notícia ("Convênio cria em Campinas escola para jovens LGBT" - com fotinho e tudo!), o jornal Correio Popular acabou de sair daqui e o Todo Dia está vindo. Mais tarde vêm as TVs. Vou ver o que o povo pergunta e depois faço um textinho dando conta das dúvidas mais frequentes aqui, pode ser?

Até agora já perguntaram por que criar uma escola para jovens LGBT e que tal Cultura LGBT é essa. Responderei em breve.
 

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3) e entrega do Prêmio Direitos Humanos 2009



Abaixo você pode ler a íntegra do discurso que o presidente fez ontem, no lançamento do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que prevê o casamento gay no Brasil e a mudança de nomes de travestis e transexuais em todos os seus doccumentos.

Mais do que puxação de saco de Governo, eu quis colocar esse discurso na íntegra aqui pra que você possa ver como é HUMANO o nosso presidente. É por isso que ele é o cara.

Veja esse trechinho do discurso: "Eu lembro do famoso encontro com o GLBT. Eu lembro da preocupação que reinava no Palácio. Eu lembro. Tinha sido, como todas as conferências, um decreto presidencial convocando a conferência. Mas aí, depois, o pessoal começava a dizer: “Mas, ô Lula, e se tiver algum problema lá? E se alguém quiser te beijar? E se alguém quiser tirar foto? E se alguém quiser fazer alguma coisa?” Eu falei: Se alguém quiser fazer, vai fazer, porque nós vamos lá. Eu penso que foi, possivelmente, a maior aula de cidadania contra o preconceito de que eu já participei, foi aquela conferência."

Esse é o nosso Lulinha...! =D


Palácio Itamaraty, 21 de dezembro de 2009


Meu querido companheiro José Alencar, vice-presidente da República,


Minha querida companheira Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil,


Vocês me viram botando a mão no cabelo do Zé Alencar? É que teve um tempo em que tinha caído o cabelo do Zé Alencar. E vocês estão percebendo que a Dilma está de cabelo novo. Não é peruca não, é o cabelo normal dela, que voltou a se apresentar em público. Eu acho que foi uma homenagem à Inês, porque eu estou pedindo para a Dilma tirar a peruca já faz um mês, e ela não quis tirar a peruca. E hoje ela apareceu aqui, na frente da Inês, sem peruca, mostrando seu novo visual.


Quero cumprimentar o companheiro Paulinho Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos,


O companheiro Tarso Genro, ministro da Justiça,


O companheiro Juca Ferreira, ministro da Cultura,


O companheiro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,


O nosso querido companheiro Paulo Bernardo, do Planejamento,


A Izabela Teixeira, interina do Meio Ambiente,


O Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário,


O Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República,


O Luís Inácio Adams, advogado-geral da União,


Vocês não imaginam como o Brasil é fantástico, não é? Um Luiz Inácio nordestino encontra um Luís Inácio com sobrenome alemão! Eu não sei quem é que viajava muito, mas de qualquer forma...


Quero cumprimentar o nosso querido companheiro Padilha, de Relações Institucionais,


O Franklin Martins, de Comunicação Social,


Samuel Pinheiro Guimarães, de Assuntos Estratégicos,


Edson Santos, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial,


A Nilcéa Freire, de Políticas para as Mulheres,


Tem mais ministro aqui do que nas reuniões ministeriais que eu convoco.


Quero cumprimentar os deputados federais: Fernando Ferro, a deputada federal Janete Pietá, o deputado federal Luiz Couto, o deputado federal Pedro Wilson,


Quero cumprimentar o nosso companheiro e embaixador Antonio Patriota, secretário-geral das Relações Exteriores,


Nossa querida companheira Maria Fernanda Coelho, presidente da Caixa Econômica Federal,


Nossa querida companheira Dayse Benedito, representante da sociedade civil,


Quero cumprimentar os companheiros e as companheiras que foram agraciados com o Prêmio,


E quero cumprimentar todos os companheiros que estão aqui.






Primeiro, eu não vou ler meu discurso. Por quê? Porque não tem sentido, ou seja, não vou falar das coisas que já falou a Dilma, o Paulinho, a Dayse. Eu vou ser breve, porque direitos humanos é garantir ao presidente da República ter uma agenda mais humana, também. Faz quatro finais de semana que nós trabalhamos. Portanto, a dona Marisa está com um cartão vermelho para mim lá, que... Eu vou tentar fazer uma média, para ver se eu ganho apenas um amarelo.


Mas dizer, Paulinho, da alegria de podermos hoje estar lançando o 3º Plano de Direitos Humanos. Programa feito a muitas mãos. Mãos conhecidas, mãos menos conhecidas, e mãos anônimas de pessoas que não saem em fotografias, de pessoas que não sobem em palanques, mas de pessoas que diariamente estão fazendo alguma coisa para que o mundo melhore e para que as pessoas sejam tratadas com mais respeito e com mais cidadania.


Ao concluir o Programa de Direitos Humanos nº 3, nós também estamos concluindo, este ano, um momento muito fantástico no Brasil. Na sexta-feira passada terminou, aqui no Brasil, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Mil e seiscentos delegados participaram, envolvendo empresários, envolvendo o movimento social, gente da televisão, gente do rádio, gente das favelas. E pelo fato de ser o primeiro, pelo fato de ser um tema complicado, eu penso que o resultado foi excepcional. Nós então completamos, com esse encontro da Comunicação, 63 conferências nacionais.


Então, vocês podem dizer, como militantes de algumas dessas conferências, e podem dizer orgulhosamente, que praticamente todas as políticas que nós levamos a cabo neste governo - não é da cabeça do presidente Lula, não é da cabeça do Zé Alencar, não é da cabeça da Dilma -, mais elas significam o resultado da maturação democrática que a sociedade brasileira vem construindo neste país.


E isso é importante. É importante porque vai consolidando uma coisa com muito mais, eu diria, segurança de que não vai aparecer ninguém, ninguém com o espírito de aventureiro, para achar que pode desmontar tudo o que está feito neste país, e a gente voltar ao tempo em que apenas meia dúzia de pessoas tomavam decisões neste país, elaboravam as políticas, sem levar em conta o que a sociedade brasileira pensava, pensa e pensará daqui para diante.


Eu lembro, Paulinho, eu lembro perfeitamente bem a emoção que eu senti na primeira vez em que os catadores de materiais recicláveis, mais popularmente conhecidos como catadores de papel, entraram no Palácio do Planalto e fizeram uso da palavra. Eu lembro quando, pela primeira vez, os sem teto deste país entraram no Palácio, e lembro da emoção do companheiro que fez uso da palavra, dizendo que ele não precisaria conquistar mais nada, só o fato de ele ter entrado no Palácio do presidente da República já era uma conquista que eles não imaginavam.


Eu me lembrei, Paulinho, quando eu fui, em 94, à África do Sul, e fui visitar o Mandela - eu, a Benedita da Silva e o companheiro Vicentinho -, e vi aquela fila de gente, em volta do Palácio do Governo, que não queria nem ver o Mandela. Eles só queriam botar a mão no Palácio, porque nunca tinham conseguido chegar perto daquele Palácio. Ora, para quem estava lá dentro podia parecer pouco. Mas para quem apanhava quando chegava a 10 quilômetros do Palácio, tocar na parede do Palácio era uma conquista democrática de uma grandeza extraordinária. E a gente precisa aprender a valorizar essas conquistas que vão se somando e que terminam mostrando uma conquista quase infinita.


Eu lembro do famoso encontro com o GLBT. Eu lembro da preocupação que reinava no Palácio. Eu lembro. Tinha sido, como todas as conferências, um decreto presidencial convocando a conferência. Mas aí, depois, o pessoal começava a dizer: “Mas, ô Lula, e se tiver algum problema lá? E se alguém quiser te beijar? E se alguém quiser tirar foto? E se alguém quiser fazer alguma coisa?” Eu falei: Se alguém quiser fazer, vai fazer, porque nós vamos lá. Eu penso que foi, possivelmente, a maior aula de cidadania contra o preconceito de que eu já participei, foi aquela conferência. Porque o preconceito... Aliás, quem fez o filme cortou, acho, a palavra preconceito, porque quando eu falo de uma doença, a doença... eu estou falando do preconceito. Mas parece que, no filme, cortaram o preconceito e ficou “uma doença” que não sei das quantas... Eu lembro da campanha, eu lembro da campanha de um candidato nosso em Pernambuco, em 1982, o Manoel Conceição. Ele era dirigente sindical de Pindaré-Mirim. Ele teve uma bala na perna e ele foi preso, virou gangrena, e tiveram que cortar a perna dele. Ele ficou só com o joelho para cima. Foi candidato em 82, em Pernambuco, e na televisão, no tempo da Lei Falcão, você só dizia assim: “Fulano de tal, faz isso”. Então, o Manoel Conceição, a propaganda dele era assim: “Manoel Conceição, perdeu uma perna”. E não dizia por que ele perdeu a perna. E o preconceito, eu confesso a vocês que eu acho que o preconceito e a hipocrisia são duas doenças que nós precisamos, quem sabe, fazer muito investimento em pesquisa para que a gente possa banir essa coisa do meio da Humanidade. Porque é gravíssimo o preconceito, ou seja, ninguém, ninguém, ninguém, ninguém, ninguém pergunta a um negro, ninguém pergunta a um pobre, ninguém pergunta a um hanseniano, ninguém pergunta a um cego, ninguém pergunta a um homossexual, ninguém pergunta, na hora da eleição, o que ele é, a pessoa quer o voto dele.


A Receita Federal, a Receita Federal não quer saber se a pessoa é branca, se ela é negra, se ela é homossexual, se ela é portadora de deficiência, se ela é ex-presa política, ou seja, ela quer saber de receber o imposto que a pessoa deve. Ora, isso só já nos dá o direito de brigar com muito mais força pelo resto da cidadania. Se a gente já tem a cidadania de votar e a cidadania de pagar os nossos tributos, o resto é consequência das coisas que nós temos que conquistar neste país.


Eu lembro, Paulinho, do dia em que nós lotamos o Palácio do Planalto de cachorros. Tinha uma briga, pela imprensa, que cachorro não podia entrar no shopping, cachorro não podia entrar no ônibus, cachorro não podia entrar no metrô, cachorro não podia entrar em igreja, Ricardo, não podia entrar em igreja. E aí eu resolvi fazer um desafio, para quebrar mais esse preconceito, que era levar os portadores de deficiência física, com os seus olhos, que eram os cachorros que guiavam eles. E foi interessante, porque nenhum cachorro fez qualquer sujeira, que muitos outros já fizeram dentro do Palácio do Planalto.


Eu acho que a gente ainda está muito longe de chegar à perfeição. E acho, Abdias, que esses teus 140 anos de luta pela igualdade racial não foram suficientes para que a gente conseguisse transformar aquilo que está na nossa Constituição em práticas concretas pelos seres humanos, que têm que cumprir a Constituição. Ou seja, nós estamos nos tornando um país quase perfeito, do ponto de vista da elaboração das normas, das leis: é o Estatuto da Criança e do Adolescente, é o Estatuto da Igualdade Racial, é o Estatuto... é a nossa Constituição mesmo, é Quioto... hein? Ah, do Idoso, de tudo... mas o de Quioto, também, que quiseram quebrar, agora!


Então, eu penso, eu penso que nós estamos quase atingindo a perfeição. Agora, é importante lembrar que a sociedade que cumpre as leis é feita por seres humanos. E nós é que somos defeituosos, nós é que descumprimos aquilo que nós mesmos fazemos. Nós é que, muitas vezes, quando lemos, não entendemos; e se não lemos, não sabemos aquilo que é a normatização das conquistas dos direitos neste país. Isso vale para todos os segmentos da sociedade. E quando a gente constata essas dificuldades, nós temos que estar animados. Por quê? Nós temos que estar animados porque outros países levaram muito mais tempo do que a gente para conquistar, e nós estamos caminhando, eu diria, a passos extraordinários.


Vejam uma coisa, quando a Dilma estava falando, eu estava lembrando de um discurso que eu fiz no Rio de Janeiro, em um encontro da UNE, sobre a questão dos desaparecidos brasileiros. Eu estava dizendo: a gente sofreria menos, se a gente transformasse os nossos companheiros em heróis, não apenas em perseguidos, mas em heróis. Vejam uma coisa: a Inês lutava por quê? Porque ela queria ter liberdade, neste país. Ela lutava por quê? Porque ela sonhava que um dia este país iria ter um governo que tivesse compromisso com a grande maioria da sociedade. A Dilma lutava pelas mesmas coisas. O Franklin Martins participou do sequestro de um embaixador americano exatamente para que a gente tivesse mais liberdade. O Tarso Genro foi preso para isso, o outro foi preso para aquilo. O Paulinho Vannuchi ficou não sei quantos anos; a Dilma, não sei quantos anos. Ora, gente! Então, eu acho que é importante a gente colocar isso na nossa consciência: é que valeu a pena, valeu a pena!


A mãe, a mãe do nosso companheiro, a nossa querida... eu não sei o nome dela todo... Elzita Santa Cruz. Ela falou aqui no começo, na abertura. Aquela mãe... Obviamente que a gente nunca vai tirar do coração da mãe o sofrimento de não ter visto o seu filho e enterrado ele. Isso é impagável, isso não tem política que consiga resolver esse problema. Agora, nós temos que ter consciência de que valeu a pena, de que a vida dele e de que a vida de outros significaram a gente chegar aqui porque, senão, ninguém vai lutar mais. Então, eu acho que esse, Paulinho, é o grande gesto, é a grande conquista.


Eu, um dia, desci com a Dilma lá no Quartel, no Comando do 2º Exército, lá na frente do Ibirapuera. Aí, quando o helicóptero parou, a Dilma ficou olhando, ficou olhando, e falou para mim: “Engraçado, eu não tenho raiva. Eu vim para cá.” Eu acho que ela não tem raiva é porque ela, se alguém prendeu a Dilma, se alguém torturou a Dilma, achando que tinha acabado a luta da Dilma, ela é uma possível candidata a presidente da República deste país.


E é assim que as coisas acontecem, é assim. Eu acho que nós estamos andando no tom certo, na caminhada certa, fazendo as coisas certas. Quem me conhece sabe que, desde o tempo do movimento sindical, eu não gosto de fazer nada precipitado, Abdias. Por isso é que eu quero chegar à tua idade, fazer as coisas com mais tranquilidade, mas com mais segurança. Se me derem um rio com cachoeira para eu entrar em um caiaque para chegar em um lugar que está a apenas dez minutos de onde eu estou, e me derem um rio mais tranquilo que vai demorar meia hora, podem ficar certos de que eu vou pelo rio de meia hora, porque eu sei que eu vou chegar em segurança e vou cumprir a minha missão. Então, o importante é que a gente tenha consciência de que nós estamos neste mundo para cumprir missões. E que tem dia em que a gente vai dormir frustrado, tem dia em que a gente pensa que não vale a pena. Quantas vezes a gente vai ficando decepcionado com aquilo que a gente faz no dia-a-dia? E aí, quando a gente chega no dia 21 de dezembro, próximo do Natal e a gente consegue fazer... Na entrega do 3º Programa de Direitos Humanos, a gente conseguir trazer gente, assim, de todo o Brasil, e saber que vocês estão lutando pelos direitos humanos, independentemente de quem seja o presidente da República. É mera coincidência eu estar aqui. Mas vocês já lutavam antes de eu chegar aqui e, certamente, vão continuar lutando muito mais, porque vocês vão aprendendo.


Então, eu quero terminar dizendo para vocês que essa demarcação das terras indígenas que nós fizemos agora... Eu não ia fazer agora, Marcio, porque você me deve uma, que eu vou cobrar só no ano que vem, agora. Estamos com espírito de Natal, vamos deixar para lá. Mas eu acho que essas... Por mais que a gente faça pelos índios neste país, por mais que a gente faça pelos negros neste país, a dívida é uma dívida impagável, é uma dívida impagável. E ela não pode ser paga em dinheiro, ela tem que ser paga em gestos, em atitudes, em comportamentos, em uma aproximação entre as várias gerações, para que a gente vá criando um mundo sem mágoas, sem ressentimentos porque as coisas... não tem como pagar, não é uma quantidade em dinheiro, é muito mais uma quantidade de gestos, de olhar, de coisas que nós temos que fazer.


Então eu quero, Paulinho, sem elogiar tanto o teu pessoal, porque daqui a pouco vão pedir aumento de salário, e dizendo que eu já transformei a Secretaria em Ministério, já faz um ano. Na outra, eu anunciei. Somente seis meses depois é que eu fui descobrir que faltava um DAS-6 para poder consagrar como Ministério. Aí eu fui ver, o DAS-6 estava com o Paulo Bernardo. Eu fui tomar, do Paulo Bernardo, o Ministério. Na verdade, eu dei um DAS-6 da Presidência, para poder consagrar o Ministério. Ou seja, nós vamos terminar o governo sem secretarias. Todas vão ter que ser transformadas em Ministério. E quem vier, ou crie mais, ou faça o que quiser, porque depois que vier outro, é o outro que vai fazer. Outro ou outra, sei lá quem é que vem.


De qualquer forma, de qualquer forma eu quero, Paulinho, agradecer, agradecer a sabedoria de todos vocês. Não é fácil fazer um documento como este. Os interesses pelas palavras são enormes, a importância das vírgulas ganha a dimensão de uma exuberância extraordinária. E esse teu jeito de ser, esse teu jeito equilibrado de fazer as coisas permitiu que nós chegássemos a este documento que agora vamos digeri-lo, vamos tentar trabalhar outra vez, transformar em projeto de lei aquilo que for projeto de lei, mandar para o Congresso Nacional debater, e assim nós vamos construindo a nossa democracia.


Então, Inês, minha querida Inês, eu só queria te dizer uma coisa, - eu estou vendo a Margarida Genevois ali, eu estou vendo... - é que valeu a pena, valeu a pena cada gesto que vocês fizeram, cada choque que vocês tomaram, cada apertão que vocês tiveram valeu a pena, porque nós aprendemos. E na medida que a gente aprende, a gente garante que não haverá mais retrocesso neste país. E isso nós devemos a vocês, que lutaram antes de nós.


Um abraço. Parabéns, Paulinho. Parabéns à Secretaria dos Direitos Humanos, e parabéns a todos vocês.

domingo, 20 de dezembro de 2009

DATAFOLHA coloca Dilma disparada na frente de Serra - mas você NÃO VAI ler isso na FOLHA...




O Datafolha acaba de lançar, na edição do jornal FOLHA DE S.PAULO deste domingo, a última pesquisa do ano para presidente. E vc vai ler lá e em vários blogs e sites de notícia que Dilma fez 23% e está alcançando Serra, com 37%.

Mas será mesmo?

Como são feitas as pesquisas
São duas maneiras: em uma delas, a estimulada, o entrevistador chega pras pessoas e mostra uma lista de candidatos. São nomes que estão aparecendo na mídia, que já se lançaram candidatos ou que o Datafolha quis colocar lá. Nesse tipo de pesquisa é mais comum os nomes mais conhecidos saírem na frente - e não se esqueça que Serra já foi candidato a presidente e hoje governa o estado mais populoso do país.

Mas existe outro método, a espontânea, em que o entrevistador simplesmente pergunta e o entrevistado diz o que lhe vier à cabeça. E essa é a que interessa - porque, na urna, ninguém vai estar com listinha de nomes pra ajudar. O voto é espontâneo.

Vamos ver o resultado da pesquisa espontânae desse Datafolha feito entre 14 e 18 de dezembro:




O que esse quadro mostra? Antes de mais nada, olha que legal a manipulação da FOLHA: mesmo Serra aparecendo empatado com Dilma, nos 8%, o jornal coloca Serra na frente... Mas vamos ver os outros dados.

Lula aparece com 20%, disparado na frente. Sabemos que ele não pode ser candidato, mas isso demonstra uma preferência pelo presidente. Quando elas souberem que Lula não é candidato, mas apoia Dilma, em quem votarão?

Dilma, que nem candidata é e só apareceu até hoje como ministra, já surge com 8%, empatada com o tal governador do maior estado do país que já concorreu a prefeito, governador, presidente etc. Nada mal mesmo! Mas tem mais.

Candidata do Lula aparece com 3%. Detalhe, candidata. Óbvio que as pessoas se referem à Dilma, mesmo não lembrando/sabendo seu nome. Mas a FOLHA separa os índices, pra Dilma não ficar com 11% e ultrapassar Serra... Legal, né? Mas tem ainda mais.

No PT/candidato do PT, qualquer que seja, aparece mais 1%. Ou seja, Dilma vai pra 12% na espontânea. Se somarmos os 20% que votam em Lula, chega a 32%.

Serra, fora os seus 8%, pode contar com os 3% de Aécio mais 1% de Alckmin. Não há intensão de voto em "Candidato do FHC" e nem em "Candidato do PSDB". O que dá 12%

Ou seja, ESSE é o real resultado da pesquisa Datafolha: Dilma 32% disparada na frente de Serra 12%.

Mas você não vai ler isso na FOLHA...


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Governo de SP cria escola para jovens gays

Governo de SP cria escola para jovens gays
Coordenados pelo GRUPO E-JOVEM, cursos valorizarão a Cultura LGBT



Foi assinado nessa quarta-feira, 16, convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e o Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados para a criação da Escola Jovem LGBT, a primeira do gênero no país. O objetivo da escola é valorizar e difundir a Cultura LGBT, em cursos que serão abertos a jovens hetero, homo e bissexuais já a partir de 2010.



“A escola é um Ponto de Cultura. O fato de os cursos serem abertos a todos e não só a jovens gays é parte da nossa estratégia de combate à homofobia,” explica Deco Ribeiro, apontado diretor da Escola Jovem LGBT. “Preconceito é ignorância. Para vencer isso, precisamos levar nossa arte, nossa expressão e nosso discurso a quem não nos conhece. Se a valorização da cultura negra é estratégia do movimento negro, assim como de vários povos e regiões, por que não valorizar a cultura LGBT?”



Na sede da escola, em Campinas, meninos e meninas da própria cidade e das regiões de Sorocaba, Grande São Paulo e da Baixada Santista terão aulas de criação de zines, criação de revistas, criação literária, dança, música, TV, cinema, teatro e performance drag, sempre com foco no jeito de ser e agir das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. O material produzido ao longo dos cursos, como CDs e DVDs, livros e revistas, peças de teatro e espetáculos de drag queens, circularão pelo estado e serão assistidos e distribuídos gratuitamente. Os jovens poderão concorrer ainda a bolsas de estudo.



“Pra quem está se descobrindo agora, é importante conhecer suas raízes,” afirma Chesller Moreira, presidente do Grupo E-jovem. “E mais importante ainda saber que é possível ser feliz sendo exatamente quem você é. O jovem ouve tanto por aí que ser gay é errado que ele fica sem referências positivas. Aqui ele vai poder descobrir que ser gay é legal, que ser travesti é legal, e que ele tem muito a oferecer à sociedade.”



Todo o projeto é financiado por um convênio firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura, que tem por objetivo apoiar entidades que desenvolvem relevante papel na comunidade nas áreas de fomento, difusão, produção e formação cultural. O GRUPO E-JOVEM foi selecionado por meio de concurso público e foi a única entidade LGBT contemplada em SP.



As matrículas e inscrições para bolsas de estudo já estão abertas e as aulas devem começar em março de 2010. Os interessados devem escrever para escola@e-jovem.com ou ligar para os telefones (19) 3307-3764 / 9341-3764.


INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:

Sobre a Escola Jovem LGBT:
Deco Ribeiro, Diretor – (19) 9136-1950

Resumo da CONFECOM no Jornal Nacional de ontem




Fátima: "Foi encerrada ontem a Conferência Nacional de Comunicação. Mais de 600 propostas foram aprovadas, como o Observatório Nacional de Direitos Humanos, que acompanhará a programação das TVs, e uma reedição da Lei de Imprensa - como a que foi anulada pelo Supremo por ser inconstitucional."

Bonner: "É, mas não temam, amiguinhos. Nada disso valeu. Porque a Globo não quis brincar."

Fátima: "Ufa! Já estava com medo de perder o emprego...!"

Bonner: "Vamo pulá! Vamopulá, vamopulá, vamopulá..."

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Psiquiatra explica como reagir quando seu filho faz troca-troca




Em consultórios de especialistas que trabalham com sexualidade, vez por outra aparecem pais e mães literalmente arrasados. Flagraram ou suspeitam que o filho faz troca-troca com coleguinhas. Junto, quase sempre arrastado, o menino humilhado. É de doer.

A preocupação com essa questão já lhe passou pela cabeça? O seu filho ou seu sobrinho já esboçou necessidade de esclarecer alguma dúvida sobre troca-troca? O que você fez? Já pensou o que responderá quando ele voltar a tocar no assunto? E se você eventualmente surpreendê-lo na hora H, o que fará?

Tais situações são frequentes e exigem informação e maturidade do pai e da mãe. Para esclarecer essas e outras questões sobre o tema, o site Viomundo entrevistou a médica psiquiatra Carmita Abdo, especialista em Medicina Sexual.

Carmita é professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Viomundo – Doutora, o troca-troca entre meninos leva à Homossexualidade?

Carmita Abdo – Evitar o troca-troca não é garantia de que o menino será heterossexual quando for adulto. Também não é porque o menino vivenciou experiências de troca-troca que se tornará Homossexual. Ser Homo, Bi ou heterossexual não é uma opção. Ou seja, ninguém escolhe ser Homo, hétero ou Bi. A teoria mais aceita hoje em dia é a de que o indivíduo nasce com uma carga genética sobre a qual se assentam fatores educacionais, sociais e emocionais, que o vão moldando para a heterossexualidade, a Homossexualidade ou a Bissexualidade. Muitos estudos demonstram que alguns fatores que vão determinar a orientação sexual estão presentes muito cedo na vida, talvez até já ao nascimento. A Homossexualidade, assim como a heterossexualidade, é uma tendência, uma orientação sexual.

Viomundo – O que vem a ser exatamente o troca-troca?

Carmita Abdo – Como a própria expressão indica, é um relacionamento no qual há alternância de situação dos parceiros. Em determinada ocasião, um deles estará na posição de recepção; na outra, na de introdução. De longa data sabemos que isso acontece.

Viomundo – Em que idade costuma ocorrer?

Carmita Abdo – Quando os meninos começam a produzir os hormônios sexuais e a ganhar os caracteres sexuais secundários -- surgimento de pêlos, engrossamento da voz, aumento da musculatura, ereção peniana e ejaculação. Isso se dá por volta dos 11, 12 anos de idade; mais raramente aos 10, entre os mais precoces. Eles ainda não têm facilidade para abordar uma garota, mas já têm desejo sexual, vontade de manter contato físico, penetrar e ejacular. Para resolver essa necessidade e o impulso sexual acabam fazendo um acordo entre si, que é o chamado troca-troca: cada qual usufrui do prazer de penetrar, desde que também se submeta à penetração.

Viomundo – Que papel tem no desenvolvimento sexual do menino?

Carmita Abdo -- De iniciação. Frequentemente representa a primeira experiência sexual. Ela vai ser repetida algumas vezes, enquanto o menino desejar o ato sexual, mas ainda não tiver habilidade, experiência, disposição ou coragem para abordar uma garota. Antigamente, quando as meninas se resguardavam sexualmente até o casamento, muito tempo transcorria até que o garoto pudesse ter uma experiência heterossexual com alguém de sua idade. E como ele, em geral, também não tinha condição de pagar uma profissional do sexo, por um bom tempo resolvia o impulso sexual com o troca-troca.

Viomundo – Então antigamente o troca-troca ia até mais tarde?

Carmita Abdo – Sim. Mas, atualmente, com a liberdade sexual das meninas e das adolescentes, o troca-troca dos meninos está restrito à fase de iniciação sexual mesmo. Quando o garoto tem 11, 12 anos é muito imaturo; nenhuma menina tem interesse sexual nele e a alternativa é o troca-troca. Isso perdura até os 13, 14 anos. Em seguida, o troca-troca é substituído por iniciação sexual com garotas. Mesmo aqueles que serão Homossexuais costumam ter essa fase com garotas.

Viomundo – Ou seja, o troca-troca faz parte do desenvolvimento sexual?

Carmita Abdo – É um estágio natural e universal do desenvolvimento sexual de boa parte dos garotos, independentemente da cultura em que estão inseridos. Na puberdade, fase de transição entre a infância e a adolescência, os hormônios sexuais começam a ser produzidos. E o apelo biológico se torna incontrolável. Além disso, a educação dada aos meninos os leva a entender que a busca por sexo é um valor positivo. E como não têm como resolver essa questão com as garotas que os atraem, vão solucionando essa necessidade física entre eles.

Viomundo – Há alguma estimativa sobre a frequência atual?

Carmita Abdo – É difícil estimar um número preciso, porque não é uma atividade que os garotos comentem ou assumam publicamente, por receio de serem mal interpretados. Nega-se muito. “Eu nunca fiz, doutora”, muitos me dizem. Eu sei que pode não ser verdade, mas não retruco. O que podemos dizer é que a maioria dos meninos teria essa experiência pelo menos uma vez ao longo da vida.

Viomundo – Faz de conta que não faz?

Carmita Abdo – Existe um pacto de silêncio. O que dá prazer ao menino geralmente é a penetração. Ele penetra, mas também é penetrado, porque o outro menino também quer penetrar. Assim, ambos conhecem os dois lados e se satisfazem com parte da experiência. Agora, quando o garoto aceita ambas as práticas e se submete de forma mais receptiva e até se mostra interessado nesse contato físico, seu próprio grupo tende a estigmatizá-lo. Muitas vezes é considerado um Homossexual. Mas esse garoto – atenção! – não necessariamente terá orientação Homossexual.

Viomundo – Na cabeça dos meninos, Homossexual é apenas o passivo, o ativo, não?

Carmita Abdo – Geralmente pensam assim. Mas é um grande equívoco considerar que ser Homossexual masculino significa ter passividade sexual, ou seja, ser penetrado. O Homossexual pode ser ativo também. Na vida adulta, independentemente de ele penetrar ou ser penetrado, é a atração que define a tendência sexual. Homossexual – seja homem ou mulher – é aquele que tem preferência sexual por pessoa do mesmo gênero que o seu.

Viomundo – Vamos supor que o pai flagre a situação. O que ele deve fazer nessa hora?

Carmita Abdo – Primeiro, ter muita tranquilidade, não se angustiar. O grande medo dos pais é que essa experiência se torne a preferência sexual do filho. Na maioria das vezes ela é temporária. Segundo, não comece a investigar a vida do garoto de forma explícita e indiscreta. É a intimidade dele que estará sendo vasculhada. É muitíssimo desagradável estar exposto, ser interrogado, às vezes até sem nenhuma privacidade. Terceiro, seria interessante ainda o pai puxar um pouquinho pela memória e relembrar que deve ter vivido situação semelhante na sua puberdade ou no início da adolescência, e hoje nem se lembra.

Viomundo – Adianta xingar, dar bronca, brigar e até partir para a agressão física?

Carmita Abdo – De modo algum. Se o garoto se deixou ser pego, talvez ele quisesse mesmo que isso acontecesse, para abrir um canal de comunicação com o adulto. Pais, não percam essa oportunidade. Mas é só uma conversa mesmo, uma oportunidade de educação sexual em família, sem coações ou medidas repressivas que possam complicar o relacionamento familiar. Lembrem-se: na maioria das vezes, é apenas uma fase natural do desenvolvimento sexual do menino.

Viomundo – Os pais devem conversar com os filhos sobre essa questão ou esperar que perguntem?

Carmita Abdo – A melhor forma de educação sexual – começa na primeira pergunta da criança sobre sexo, o troca-troca e todas as demais questões – é tratar cada assunto à medida que for apresentado. Não adianta se antecipar sobre aquilo que o menino ainda não viveu. Ele vai estranhar, não vai entender. É a mesma coisa que falar para uma criança de 2 anos que um dia ela vai ler, escrever... Ela pode até ouvir, mas essa fala não será assimilada.

Viomundo – Como os pais devem proceder?

Carmita Abdo – Todas as perguntas sobre sexualidade devem ser respondidas à medida que aparecem. Não se deve fazer discurso, mas responder de forma direta, objetiva, sintética, pontual, a questão formulada. Os pais – leia-se pai e mãe – são os que têm melhores condições de dar educação sexual aos próprios filhos. Afinal, conhecem melhor do que ninguém as peculiaridades da personalidade do seu menino ou menina. Isso exige maturidade do pai e/ou da mãe para lidar com o tema.

Viomundo – Mas, por vergonha ou desinformação, muitos pais não conseguem. O que fazer?

Carmita Abdo – Independentemente de os pais estarem ou não atentos ao desenvolvimento sexual do filho, ele está ocorrendo. A melhor educação sexual é a que se recebe em casa. Por isso, o ideal seria que falassem abertamente com a criança sobre o assunto. Hoje em dia existem sites, livros, filmes capazes de fornecer informação de qualidade. Entretanto, se não se sentem à vontade para fazer esse papel, um caminho é pedir a outro familiar adulto que o faça. Em última instância, a educação sexual na escola pode ser a alternativa possível. É fundamental não apenas para o desenvolvimento sexual mas para a saúde geral da criança.

Viomundo – O que diria a um garoto que eventualmente leia a nossa entrevista?

Carmita Abdo – Primeiro, faria a seguinte observação: a sexualidade existe dentro de todo ser humano. É lícito que você se sinta sexualmente estimulado; isso faz parte naturalmente do seu desenvolvimento. Em seguida, daria três sugestões: 1) se tiver dúvida, procure dividi-la com um adulto da família que possa orientá-lo, de preferência seu pai ou sua mãe. Se sentir que não estão aptos, converse com outra pessoa adulta da família ou um professor; 2) seus primeiros contatos sexuais devem ser com pessoas da sua faixa etária; 3) nunca deixe de fazer sexo protegido, isto é, use sempre a camisinha. Sexo seguro é fundamental para a sua saúde e da sociedade como um todo.

Viomundo – O troca-troca tem que ser mesmo entre meninos da mesma faixa etária?

Carmita Abdo – Seguramente. Tudo o que foge disso pode causar dano físico e emocional à criança.

Viomundo – Explique melhor.

Carmita Abdo – Às vezes o garoto pensa que está fazendo troca-troca e não está. Por exemplo, quando ele, com 11, 12 anos, descobre a sua sexualidade com um adulto ou com um adolescente de 18, 19 anos. Não é uma experiência de troca, porque não existe liberdade de escolha. Aí, ele serve como objeto sexual, pois está submetido pela pessoa mais velha. Essa experiência pode ser violenta e machucar, prejudicar o menino física e emocionalmente. O troca-troca também é danoso quando o garoto é obrigado por outros maiores ou mais fortes a se submeter a essa prática. Troca-troca supõe livre escolha.

Viomundo – Sexo seguro supõe o uso de camisinha. Isso significa que troca-troca só com preservativo?

Carmita Abdo –Troca-troca é uma prática sexual, na qual há contato íntimo dos órgãos genitais e troca de secreções. É indispensável, portanto, que o garoto use camisinha, pois é impossível saber se o outro tem alguma doença sexualmente transmissível. Além disso, o pênis de quem penetra fica exposto ao conteúdo do reto [parte final do intestino] de quem está sendo penetrado. Alguém pode refutar: “Como chegar para um garoto de 10, 11, 12 anos e dizer: olha, isto aqui é uma camisinha; use-a quando fizer o seu troca-troca?” . Quando o assunto é sexo, a regra de que não se deve antecipar coisa alguma cai por terra. Às vezes o preço que se paga por não informar e educar é muitíssimo mais alto.

Viomundo – Como resolver esse impasse?

Carmita Abdo – Os pais precisam estar cientes de que os recursos para evitar o sexo de risco devem ser adotados desde a iniciação sexual. É melhor promover saúde e engajar-se na prevenção do que enfrentar, no futuro, as consequências do sexo de risco. Por isso, sistematicamente, os pais têm que bater na tecla da camisinha. Ela é o único recurso eficaz contra gravidez e doenças sexualmente transmissíveis, inclusive aids.


Viomundo – Nesse caso, o que aconselharia um pai ou uma mãe a dizer ao filho?

Carmita Abdo -- Tudo o que você faz na vida pode ser bom como ruim. Você às vezes saboreia um prato excelente, mas que pode lhe fazer mal. Por isso, é preciso sempre se prevenir. Você não coloca uma verdura ou fruta na boca do jeito que vem da feira. Você lava antes. Esse cuidado de se proteger deve se tornar hábito desde o início da vida sexual. Você não precisa dizer para o garoto: “quando você fizer troca-troca, use preservativo” . Mas você pode dizer que em toda relação sexual – seja qual for - é fundamental que ele use a camisinha. Pronto. Não precisa entrar em detalhes.

Viomundo – E se o garoto se mostrar insatisfeito com a resposta genérica?

Carmita Abdo – Você até pode aprofundar a resposta, caso o clima seja propício e o próprio garoto queira.

(fonte: http://centraldenoticiasgays.blogspot.com/2009/12/psiquiatra-explica-como-reagir-quando.html)

Voltei




Me aguardem.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Será que volto?



Ando com vontade de voltar a blogar...

Mas dessa vez quero vir com outros temas, fazendo mais análise mesmo, falando de tudo...

Será que volto??

(foto: Veado Rei)
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