sábado, 30 de janeiro de 2010

Nascem os Coloridos

Somos todos coloridos  
E a sigla acabou.

Há anos que discutimos, dentro do movimento, se seremos GLBT, GLBTT, LGBT... Há anos procuramos um nome que nos represente, a todos, sem que ninguém se sinta de fora.

E há anos que tudo isso tem sido em vão. Accabamos de mudar a sigla pra LGBT, mas como disse um jornalista na Conferência da ILGA, "pra imprensa o movimento é GAY, a Parada é GAY e pronto."

Era, até a Globo se meter no nosso meio.

Ontem, eu estava andando no centro de Campinas com um guarda-chuva arco-íris e duas crianças apontaram pra mim e disseram: "Alá, mãe, um colorido!" A mãe fez cara de "Hã?" e eles emendaram: "Da tribo dos coloridos!"

Poizé. O Big Brother Brasil fez em um mês o que tentávamos fazer há anos: nos denominar. A Globo, quem diria, nos deu uma identidade de grupo, de tribo, de nação.

E agora? Que vamos fazer com isso?
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SAI A LISTA DOS APROVADOS!

A ESCOLA JOVEM LGBT publicou nesta sexta-feira (29/01) a lista dos inscritos selecionados para os cursos de Dança, Web TV e Fanzine.

"A lista demorou a sair devido ao alto número de inscrições," explicou Deco Ribeiro, diretor da escola. "Os critérios de seleção foram todos muito discutidos. Além disso, tivemos a preocupação de preservar a privacidade dos estudantes, publicando apenas seus primeiros nomes e as cidades de origem." 


Héteros 

Dos alunos selecionados, 4 são heterossexuais. "É uma alegria ver a sociedade se abrindo para a cultura LGBT. É assim que se acaba com a homofobia," afirmou o diretor Deco Ribeiro. No total, foram aprovados jovens de 14 a 30 anos, em sua grande maioria gays e bissexuais, dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e até da Bahia e do Amazonas.  

Confira abaixo a lista com os 60 aprovados: 








Bolsas de estudo 

OS SELECIONADOS PRECISARÃO CONFIRMAR A MATRÍCULA EM CAMPINAS (SP) NO SÁBADO DIA 6 DE FEVEREIRO. Todos receberão e-mails com as instruções de local, horários e documentação. No mesmo dia e local serão aplicadas as provas de seleção de bolsas de estudo. 

As matrículas não confirmadas serão reabertas para a lista de espera. Inscrições serão reabertas na próxima semana para a lista de espera e para novos cursos (veja mais no site www.e-jovem.com).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"A educação é essencial na luta contra a homofobia"

Tinha até esquecido dessa entrevista que dei pro site A Capa, que achei por acaso hoje. Pra variar, estou falando da Escola Jovem LGBT... =D

"A educação é essencial na luta contra homofobia", diz diretor da Escola Jovem LGBT
Por Marcelo Hailer, do site A Capa:



Deco Ribeiro é ativista do movimento gay de Campinas (SP) e fundador do Grupo E-Jovem, que atua na questão da diversidade sexual entre adolescentes. Um dos pontos fortes e inovador do grupo foi que fizeram da internet instrumento para agregar novos atores. Hoje a ONG é uma das mais importantes e já pode ser considerada uma rede.

Agora, Deco Ribeiro e sua trupe dão mais um passo.  No fim do ano passado foram selecionados pelo governo do Estado de São Paulo e pelo Ministério da Cultura, a partir do projeto Pontos de Cultura, e firmaram parceria onde foi fundada a Escola Jovem LGBT, que começa a funcionar em março deste ano.

Na entrevista a seguir Deco Ribeiro, que foi escolhido como diretor da Escola Jovem LGBT, conta que a ideia do projeto surgiu de uma conversa informal com a drag queen de Campinas e presidente do E-Jovem, Lohren Beauty. "Ela reclamava da falta de atenção aos jovens gays e de como seria bom se houvesse uma escola pra ensinar a ser drag", conta Deco.

Na entrevista, o ativista também rebate a ideia de que não existe uma cultura gay, defendida por muitas pessoas. "Cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade". Confira a seguir.

Existe uma cultura gay?
Sim. Cultura é a forma como um povo se expressa  e temos exemplos óbvios de expressão genuinamente LGBT nas Paradas ou nas drag queens. Saindo da obviedade, cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade. É a heteronormatividade que censura beijos gays nas novelas, que proíbe as escolas tradicionais de abordar a homossexualidade de maneira positiva, que força os meninos a usarem azul e as meninas, rosa. Uma cultura fruto do machismo e da xenofobia, opressões que alimentam o sistema capitalista.

De que maneira a educação pode ajudar no combate a homofobia?
Se entendermos a educação como o principal modo de reprodução do sistema em que vivemos (capitalista, machista, homofóbico etc), fica claro que influir nesse processo é não só importante, mas essencial na luta contra a homofobia. Não adianta nada lutar contra o preconceito entre os adultos se a escola continuar, ano após ano, a criar novos homofobicozinhos...

Alunos da capital também podem participar? Como será o processo seletivo?
Podem, claro. Para esses alunos de fora de Campinas será oferecida uma bolsa no valor de 200 reais por mês, para que eles possam vir a Campinas estudar toda semana. As turmas de sábado estão sendo reservadas pra essa galerinha. O processo seletivo, se as inscrições ultrapassarem o número de vagas, ocorrerá dia 31/01, em Campinas, e constará de uma análise da ficha de inscrição e uma audição com os professores de cada curso.

Acredita que háverá alunos héteros matriculados?
Sim, nem que sejam amigos e amigas de LGBT.

Como surgiu a ideia do projeto?
Foi de um comentário da Lohren Beauty, drag de Campinas e presidente do E-Jovem. Ela reclamava da falta de atenção aos jovens gays e de como seria bom se houvesse uma escola pra ensinar a ser drag, por exemplo. Diante de um "E por que não?", sentamos e viabilizamos o projeto.

As escolas deveriam tratar da questão LGBT em sala de aula? Por quê?
Sim. Porque ignorar essa questão é uma violência contra milhões de adolescentes e jovens LGBT que passam momentos de terror na escola, chegando a abandonar as aulas ou a viver uma mentira que seja aceita pela heteronormatividade. Eles só gostariam de ser felizes sendo o que são de verdade. E é dever da escola garantir isso.  

 

Vamo pulá!!

Adoooro o blog TDUD. Olha um dos últimos posts deles:


No blog da Fabíola Reipert:

Todo mundo escrevendo pra gente querendo saber de quem se trata, mas ó, vocês podem pular pular pular que a gente não conta.
  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Entenda a diferença entre GLBT, LGBT e GLS


Publicado em 20.01.2010 por Márcio Claesen, no site ParouTudo:
 

Em um programa conhecido pela sigla BBB (Big Brother Brasil), foi outro conjunto de letras iniciais que deu um nó no apresentador, Pedro Bial, e nos participantes do reality show nesta terça-feira 19. Entrou em questão, por iniciativa de Bial, se a sigla pela qual o movimento tem se intitulado nos últimos dois anos, LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), é uma forma excludente dos simpatizantes em comparação com a super difundida GLS (gays, lésbicas e simpatizantes).
Bial, como jornalista, fez bem em perguntar. O feio mesmo foram os quatro representantes arco-íris da casa, Dicesar, Sérgio, Angélica e Eliane, nem terem reconhecido direito a sigla. Quem tentou ajudar foi a simpatizante Elenita, que tampouco conseguiu esclarecer o ponto. Michel Platini, presidente do Estruturação - Grupo LGBT de Brasília, explica. "GLS foi criada pelo jornalista André Fischer, dono do site Mix Brasil, há mais de uma década, e tem mais a ver com atividades comerciais, como sites, boates, cafés etc, que atendem tanto não-heterossexuais quanto héteros sem preconceito. A questão muda quando se trata do movimento social. Por exemplo, lutamos pelos direitos LGBT, como no caso da adoção. Aí, seria errado colocar o "s" de simpatizante. Pois os simpatizantes, ou seja, os héteros já podem adotar. O mesmo caso é com a união civil. Esse direito é negado a LGBT, mas não aos simpatizantes. Assim, tudo bem uma boate ser GLS ou mesmo LGBT, mas não há como falarmos de um projeto de lei pró-GLS ou de cidadania GLS."
E então, exclui-se os simpatizantes? "Claro que não! Essa categoria, simpatizante, só existe praticamente no Brasil. Temos orgulho tanto disso quanto de ser o único movimento social que faz referência sempre a quem não o integra de forma mais estrita, mas que o apóia. Só é bom as pessoas saberem as situações às quais cada sigla se adequa melhor", frisa Platini.
O ato em comemoração ao 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT, em Brasília, é exemplo de um híbrido entre as duas posições. O nome oficial do evento tem a sigla LGBTS. "Somos uma das poucas paradas do Brasil que tem simpatizante na sigla oficial, talvez a única. Fizemos isso porque tem todo o sentido falar em orgulho simpatizante, orgulho de ser uma pessoa sem preconceito e que repele a homofobia. E como os simpatizantes são fundamentais! Na nossa parada, 27,5% dos participantes não são LGBTs (aqui minúsculo para indicar plural. Quando maiúsculo, indica simpatizante), diz Sônia Regina, coordenadora da parada da capital federal.
LGBT, GLBT ou LGBTTT?

Mais bolas foras dos participantes homo e bissexuais do BBB. Bial falou primeiramente a sigla LGBT, mas logo foi corrigido por muitos brothers e sisters, que disseram GLBT. E aí? "Podemos dizer que ninguém está errado. LGBT é a ordem das letras aprovada na I Conferência Nacional LGBT, realizada em junho de 2008. Desde então, de forma oficial, o movimento brasileiro e o governo federal deixaram de usar o GLBT. Foi uma decisão recente, logo estará mais difundida", diz Platini.
A troca fez com que o movimento arco-íris nacional se alinhasse, de forma atrasada, à sigla mais utilizada na Europa e na América do Norte. A letra l na frente é uma forma de dar destaque à luta das lésbicas, que sofrem com o machismo e a invisibilidade social. Quanto à letra t dobrada ou até triplicada, algumas entidades pelo Brasil as adotam, mas, como foi aprovado em 2008, na sigla oficial, um único t serve para representar tanto travestis, quanto transexuais e transgêneros.
Sopa de letrinhas

Você ficou meio confuso com tantas siglas, calma, não é tudo. Há variações pelo mundo à fora. Um exemplo vem da Colômbia, que é conhecida no movimento por usar mais comumente LGBTTQI. O que são as duas últimas letras? Q de queer, cujo significado é ser estranho, mas que é muito utilizado de forma negativa para xingar uma pessoa de gay nos países de língua inglesa. Como meio de atuação política, o movimento, alguns gays e parte de estudiosos do tema utilizam a expressão de forma a dar-lhe um sentido positivo. Quanto ao i, trata-se das/os intersex, de forma mais simples, os hermafroditas (que nascem com orgãos sexuais de homem e de mulher).

Sobre tantas letras, Platini recorre à história para defendê-las. "No início da década de 80, se falava movimento gay ou homossexual. Isso era errado porque não reconhecia a luta, as identidades e as bandeiras de bissexuais, das pessoas trans e, no primeiro caso, de lésbicas. À medida que fomos amadurecendo, vieram as siglas. Elas são importantes. Muitos falam de sopa de letrinhas, que é confuso etc. Preferimos esclarecer o que pode figurar como chato a ceder a um simplismo que reforçaria algo contra o que lutamos: discriminação, invisibilidade."
Cuidado com a diversidade

Na procura por denominar a diversidade LGBT, surgem nomes bastante impróprios. Embora adotada até por alguns governantes em órgãos oficiais, parte do ativismo LGBT rejeita a expressão diversidade sexual, que trataria da diversidade de sexo, aí se referindo a homem ou mulher ou a práticas de coito. E não se trata disso. "Se for para utilizar a palavra diversidade, que ela seja usada de forma correta: diversidade de orientação sexual (homo, bi e heterossexual) e de identidade de gênero (pessoas trans). Algo fora disso não está correto.", afirma Platini.
Aprenda e dê uma aula sobre nossas siglas no próximo BBB
GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) - mais aplicado ao mercado (bares, cafés, restaurantes etc) que tem como foco homossexuais, bissexuais e pessoas trans, mas que recebe sem nenhuma restrição heterossexuais que não possuem preconceito.
LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) - sigla mais adequada ao lado político do tema. Aplicado em expressões como cidadania LGBT, preconceito contra LGBT, parada LGBT etc. Adotada oficialmente no Brasil desde 2008.
GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) - forma anterior a 2008 para se referir ao caráter político do movimento social arco-íris. Está caindo em desuso.
  

domingo, 17 de janeiro de 2010

Aldeia inaugura escola de xamanismo

Idéia é conservar as práticas espirituais dos baniwas



Escola pra índio ninguém critica. Já a escola pra gays...


Uma escola incomum, pelo menos aos olhos dos brancos, foi criada na aldeia Uapuí, na Terra Indígena Alto Rio Negro, no Noroeste do Amazonas. Para enfrentar a ameaça de perder a tradição do xamanismo por influência de culturas externas, os conhecimentos tradicionais dos baniwas nesta área ganharam a sala de aula. A intenção é que as novas gerações aprendam as técnicas de curas espirituais criadas ao longo de séculos por esse povo da floresta.

“É uma escola para revitalização do conhecimento dos índios baniwas”, disse o antropólogo Robin Wright, da Universidade da Flórida, nos EUA. Ele passou anos procurando patrocínio para o projeto, até conseguir apoio da Fundação para Estudos Xamânicos, da Califórnia. Para Wright, a formação de novos pajés é importante porque eles conhecem a cura para doenças específicas causadas por fungos, plantas ou animais, entre outras, que não foram estudadas pela ciência.

Na maloca construída para ser escola terá um grupo inicial de 12 alunos de diferentes aldeias baniwas. Eles vão estudar por pelo menos dois anos para se iniciar na pajelança, embora a aquisição dos conhecimentos tradicionais seja algo que leva a vida toda entre os xamãs (entenda-se pessoas que passam anos para conseguir entrar em transe e, segundo acreditam os índios, buscar no mundo dos espíritos a receita de cura de cada doença, que então se dá com ingredientes naturais). “É um sistema de crença que nós não temos”, comenta Wright.

Comentário: Já encontrei uma escola para negros, no século 19, quando Campinas era a cidade mais racista do país. Tem a nossa escola gay. E agora, vejam só: uma escola de valorização da Cultura Indígena. Ação Afirmativa é isso aí. E danem-se os preconceituosos!! ~ Deco =]

Jovens - coluna do jornal O Tempo (MG)

Jovens


Oswaldo Braga
obraga@mgm.org.br






Como tradicionalmente acontece, vem aí a campanha de prevenção às DST-Aids do Carnaval 2010. Na mesma linha dos anos anteriores, ela elege um segmento prioritário, com base nos mais atualizados dados epidemiológicos coletados pelo governo.

Em 2010, a prioridade recai sobre a população jovem, com destaque para dois segmentos onde a situação está ainda mais grave: jovens gays e meninas entre 13 e 19 anos. As jovens representam a primeira faixa populacional em que o sexo feminino ultrapassa o masculino: desde 1998, para cada dez meninas infectadas existem oito meninos, invertendo uma tendência histórica da epidemia.

Do outro lado, houve um aumento considerável dos registros de casos de Aids entre os gays na faixa de 13 a 24 anos, que em um período de dez anos passou de 29% para 43,2%. Isso significa que mais de um terço das infecções em rapazes se concentram nos 8,4% que declaram já ter mantido relações sexuais com outros homens.

Na região Sudeste, os últimos dados divulgados revelam que 35,4% dos jovens entre 15 e 24 anos não usaram preservativo na sua primeira relação sexual, apesar do elevado grau de conhecimento sobre a Aids, sua forma de transmissão e prevenção - 95,6% das pessoas sabem que o uso do preservativo é a melhor forma de prevenir a infecção do HIV e 93% têm conhecimento de que não existe cura para a Aids.

Para o diretor da Escola Jovem LGBT, de Campinas, Deco Ribeiro, as estratégias de prevenção voltadas para os jovens gays deveriam mudar sua abordagem: "A informação escrita e falada atinge o lado racional do cérebro, enquanto o ato sexual está no lado emocional. Por isso o alto grau de conhecimento sobre a epidemia não se refletir necessariamente no uso da camisinha". Deco acredita que a solução pode estar na utilização de estratégias mais lúdicas, como a música, o teatro e outras manifestações culturais que envolvem a emoção.

Para o chefe da prevenção do Departamento Nacional DST-Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito, a linguagem das campanhas ainda carece de modernidade e existe um distanciamento grande entre o discurso utilizado e o que efetivamente alcança essa geração. "Não está clara a forma como esses jovens exercem a sua sexualidade".

Ivo acredita que uma das principais barreiras ainda é o acesso à camisinha que não chega aos espaços de socialização dos jovens, principalmente a família e as escolas. "Mesmo entre os colégios que participam dos programas de prevenção desenvolvidos pelo governo, o índice de distribuição de preservativos é baixo", completa.

Reconhecida a importância de se trabalhar esse público, a campanha do Carnaval será apresentada no Rio, no dia 06 de fevereiro.

Camisinha sempre!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Polêmico beijo gay acontece logo na primeira festa do "BBB10"

  
da Folha Online
 
O tão esperado beijo gay aconteceu logo na primeira festa da décima edição do "Big Brother Brasil", e foi protagonizado pelos participantes Sérgio e Dicesar um pouco antes da meia-noite de quarta-feira.

Enquanto dançavam a música "I Will Survive", de Gloria Gaynor --tida como um hit gay--, Sergio e Dicesar, conhecido como a drag queen Dimmy Kieer, deram um "selinho".

Resta saber se a Globo mostrará ou não o beijo na edição que vai ao ar nesta quinta-feira (14).

Em resposta às dezenas de mensagens que vinha recebendo sobre um possível beijo homossexual no "BBB", Boninho, o diretor do programa, afirmou em seu perfil no Twitter que, caso acontecesse, seria exibido "sem preconceito".


Beijo entre Dicesar e Sérgio no "BBB10"
 

Escola Jovem LGBT - Cartas do leitor

Algumas cartas que foram publicadas no Correio Popular, o maior jornal de Campinas, sobre a Escola Jovem LGBT:






quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Escola Jovem LGBT na Revista Época


A escola dos gays (Fala Brasil)

Revista Época, em 11/01/2010


A primeira instituição de ensino voltada totalmente ao público homossexual abriu inscrições na semana passada. Criada numa parceria do governo de São Paulo com o Ministério da Cultura, a Escola Jovem LGBT, de Campinas, começará a funcionar em março. Ela atenderá jovens entre 12 e 29 anos. A grade curricular é inspirada em similares dos Estados Unidos e da Europa e inclui aulas de expressão artística, dança, criação de fanzines e formação de drag queens. A iniciativa recebeu críticas de setores religiosos e também de educadores.
Comentário: Não é totalmente voltada aos homossexuais. Já temos héteros inscritos. E se recebeu críticas, recebeu muito mais elogios também... Mas, de qualquer forma, é nóis!! =D

Escola Jovem LGBT no site de ABRIL

  
A foto é nossa, e é melhor que a do site da Abril! =D


Primeira escola gay do país quer expandir cultura LGBT
Projeto da Escola Jovem LGBT aceitará também professores e alunos heterossexuais para não aumentar ainda mais o preconceito
http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/primeira-escola-gay-pais-vem-expandir-cultura-lgbt-525324.shtml
Leandro Carneiro


Intenção do projeto é que jovens gays possam se expressar

Uma escola que vem para mudar os conceitos da sociedade, quem sabe até acabar com os preconceitos. Essa é a intenção da Escola Jovem LGBT que será instalada em Campinas e deverá começar a funcionar até o dia 1º de março.

Com o apoio do Ministério da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, o Grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Afins colocará em funcionamento cursos extracurriculares para jovens e adolescentes do país.

No entanto, não é porque foi uma ideia provinda de um grupo LGBT, que ela será fechada para os heteros. A seleção para professores e alunos não terá discriminação em relação a opção sexual e todos serão aceitos.

"Não poderíamos fechar uma escola apenas para o público homossexual, pois isso criaria uma idéia de preconceito e a intenção do projeto é difundir a cultura LGBT com liberdade de expressão, pois os jovens são muitas vezes reprimidos pela sociedade", disse Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT.

Entre os currículos de professores já recebidos estão de heterossexuais, homossexuais e travestis. "Recebemos um currículo de um professor de educação física que é travesti e quer dar aula de dança", afirma o diretor da escola.

Como a participação é gratuita, a expectativa dos organizadores é que o número de procura supere as 60 vagas disponíveis, 20 em cada curso (Dança, Web TV e Fanzine), sendo que as pessoas podem se inscrever em todos simultaneamente. Caso isso aconteça, uma seleção por entrevistas e teste de aptidão deverá ocorrer para selecionar os participantes no dia 31 de janeiro.

Os organizadores do projeto também não temem uma possível recriminação da sociedade contra a escola especificamente .. "O preconceito já existe, ele não aumenta, pois ele já está lá. A diferença é que quando o assunto aparece, nós vemos quem é preconceituoso ou não. Queremos com a escola acabar com isso e nivelar quem realmente tem preconceito", disse Ribeiro.

Apoio
Para colocar o projeto em prática, o Governo do Estado de São Paulo colaborou com um aporte financeiro de R$ 180 mil, que serão distribuídos igualmente pelos três anos de apoio ao projeto, com possibilidade de ampliação. Mas, a intenção não é ficar dependendo apenas dessa renda.

"Estamos procurando novos parceiros para não ficarmos dependendo apenas da renda do governo, mesmo sabendo que eles podem ampliar o projeto após esse período em que queremos criar novos cursos também", completou Ribeiro.

Esse apoio deverá ajudar a escola na contratação de profissionais e também para construir o prédio que sediará a instituição. Por enquanto, existem duas construções sendo analisadas pelos organizadores e o local será definido até o próximo dia 22, no mesmo dia se encerram as inscrições no site do projeto.
 

Escola para negros


Em tempos de "Escola pra gays", encontrei no jornal de domingo o texto abaixo, que dá conta de uma escola voltada ao público negro, fundada em Campinas em 1898.

Segundo o autor da pesquisa, dez anos após a Abolição, os meninos negros sofriam tanto preconceito que nem eram aceitos nas escolas. Foi aí que surgiu o Colégio São Benedito, que, segundo ele,
“acabou acolhendo excluídos de todas as raças, que a sociedade instituída desprezava”.

100 anos depois, é a vez dos gays romperem seus grilhões...


Publicada em 10/1/2010
no jornal Correio Popular
Campinas/SP


Rogério Verzignasse
A escola da Campinas miscigenada
Colégio S. Benedito acolhia alunos rejeitados pelo preconceito


ROGÉRIO VERZIGNASSE
rogerio@rac.com.br

A Lei Áurea foi assinada em 1888. Mas, uma década depois, a comunidade negra ainda carregava o fardo da escravidão, que por séculos permitiu a exploração nas fazendas e cidades. Mesmo longe de grilhões e pelourinhos, o negro continuava alvo do preconceito. Não era aceito em clubes, associações, escolas. Em Campinas não foi diferente. A busca da dignidade passou pela organização do grupo, que formou uma sociedade paralela. A primeira metade do século passado foi emblemática. Dividindo os custos, as famílias criaram a Liga Humanitária dos Homens de Cor (para assistência social a pessoas adoentadas ou desempregadas), se reuniam para celebrações religiosas na Irmandade de São Benedito, fundaram na Vila Industrial uma associação recreativa própria (o Machadinho). E, para educar os pequenos na embrionária nação livre, elas tiveram de ter uma escola própria.

O Colégio São Benedito (que funcionou na Avenida Moraes Salles por quase 40 anos) virou até tema de dissertação de metrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O autor, o professor José Galdino Pereira, reuniu documentos e fotografias sobre a escola, que se tornou símbolo da sociedade miscigenada que o Interior viu prosperar no século 20. O estabelecimento foi concebido em 1898 pelo professor Francisco José de Oliveira, que trocou Ribeirão Preto por Campinas e fundou um educandário capaz de preparar crianças negras para a admissão em ginásios e escolas complementares.

As primeiras aulas foram ministradas por Francisco em duas salinhas anexas à igreja fundada pela irmandade (templo histórico em estilo colonial e linhas neorromânticas, ao lado da Casa de Saúde). Em 1902, com recursos da Federação Paulista dos Homens de Cor, sediada em São Paulo, o mestre ordenou a compra do terreno e a construção do prédio na Moraes Salles. Fundou, ainda, uma “unidade suburbana” da escola, adaptada a um imóvel da Rua Alferes Raimundo, na Vila Industrial.

Galdino apurou, durante a pesquisa, que as cadeiras foram ocupadas por alunos de origens diversificadas. Além dos negros, havia filhos de imigrantes italianos, portugueses, alemães e até árabes. A escola, pensada para educar negros, passou a educar filhos de lavradores que chegaram para substituir a mão de obra escrava no campo. As fotos raras conseguidas nas entrevistas mostram meninos simples, de pés descalços, acomodados nas carteiras. “O colégio acabou acolhendo excluídos de todas as raças, que a sociedade instituída desprezava”, afirma.

O professor leciona história na Escola Estadual Norberto de Souza Pinto, no Jardim Campos Elíseos, e é diretor da Escola Municipal de Educação Infantil Leon Vallerie, no Parque Valença, sem abandonar o tilá (gorro sem abas típico da cultura africana). Ele apurou que o governo paulista subsidiava a educação de meninos mais pobres, que não podiam pagar as mensalidades. Passaram pela escola diversos campineiros que se tornaram célebres, como Aristides Pedro da Silva (o V8, que construiu um dos mais importantes acervos fotográficos sobre a cidade) e Moisés Lucarelli (que deu nome ao estádio da Ponte Preta).

A fonte mais importante da pesquisa transformada em dissertação foi o ex-bombeiro Benedito Evangelista, dono das principais fotografias coletadas. Ele foi entrevistado antes de morrer. Além de ter estudado na escola (por ser filho de um membro do grupo fundador), Evangelista dirigiu o Clube Recreativo Campinas, o Machadinho, e se envolveu na organização da Banda dos Homens de Cor. “Evangelista, que morreu quase centenário no começo da década atual, foi uma das mais importantes lideranças da comunidade negra campineira”, diz Galdino.

Foi da boca de Evangelista que o pesquisador descobriu um tema para pesquisa futura: o fim da escola. De acordo com o educador, a morte do idealizador Francisco, em 1936, fez com que dirigentes reunidos em uma associação dilapidassem o patrimônio. O prédio, que ocupava quase todo o quadrilátero formado pela Moraes Salles e pelas ruas Boaventura do Amaral, Padre Vieira e Cônego Cipião, foi vendido. Acontece que Evangelista, procurador da entidade mantenedora, contestou judicialmente a transação por décadas.

Grande parte dos imóveis da quadra ficaram sem escritura por uma pendenga jurídica sem solução. Evangelista queria indenização pela venda supostamente irregular. Mas o próprio pesquisador Galdino admite que todos os virtuais beneficiários da ação também já morreram. A própria federação acabou, e o movimento negro foi pulverizado. Para ele, o ressarcimento justo seria o reconhecimento público sobre a importância da escola. “O São Benedito foi emblemático para a história de uma cidade construída por muitas raças.”

Saiba mais

As pessoas interessadas em conhecer detalhes sobre a história do colégio ou que tenham documentos e fotografias que podem ser juntados ao acervo podem ligar para o professor Galdino no telefone (19) 3304-2627. Apesar das férias, no horário comercial o educador pode ser encontrado na direção da escola que dirige, no Parque Valença. O telefone é (19) 3261-3748.

  

Os Coloridos

     
"- Dos meninos, qual você gostou mais?
Se eu fosse hétero, do Rafael." 
~ Angélica respondendo à Dimmy Kier, durante a primeira prova de resistência do Big Brother Brasil (BBB 10)


A drag Dimmy Kier, a lésbica Angélica e o gay Serginho

A Globo se superou esse ano. PELO MENOS dois gays, uma lésbica e uma bissexual fazem parte do elenco do BBB 10 - e um desses gays ainda é uma drag queen. Digo "pelo menos" porque dos outros participantes, há pelo menos mais duas suspeitas entre as meninas (uma delas é dona da comunidade Homofobia Já Era, do Orkut) e, dos meninos, um já foi gogo boy e estampou a capa de uma revista gay, outro é modelo e outro já foi assistente de palco de um programa GLS...

Não me surpreenderia se TODOS os participantes fossem gays - já pensou que diferente?!?

Mas o mais interessantes é o termo usado pelo Bial (ou seja, pela Globo) pra se referir aos LGBT assumidos da casa: os Coloridos.

Vibrei, claro.

Já há algum tempo venho dizendo que o Movimento LGBT precisa trabalhar melhor sua comunicação e que LGBT e nada é a mesma coisa. Aí, pra ilustrar, escrevi um texto (que reproduzo abaixo) onde acabo chamando os LGBT justamente de "coloridos".

Bem que a moda podia pegar! =D

Segue o texto:




O Movimento AVA
Uma fábula de Deco Ribeiro 





Era uma vez um mundo Preto e Branco. Que tinha horror ao que era diferente. 


Como o Azul, o Vermelho e o Amarelo. 


“Azulão!”, diziam os Brancos. “Vermelhado!”, xingavam os Pretos. “Amarelento!”, riam ambos. Era muito preconceito. 


Por muitos anos o Azul, o Vermelho e o Amarelo sofreram em silêncio. Foram perseguidos e humilhados. Mortos em fogueiras e campos de concentração. 


Até que uma revolta num bar mostrou pela primeira vez que Azuis, Vermelhos e Amarelos podiam se unir contra o preconceito Branco e Preto. 


E assim foi.


Surgiu o Movimento AVA – Azul, Vermelho e Amarelo. E o Movimento cresceu, lutando pelo direito à diferença, mostrando que Azul não era pecado, Vermelho não era sujo, Amarelo não era doença. Um movimento que tinha tudo pra dar certo, pois lutava contra a injustiça e por um tratamento equalitário. No combate à avafobia.


Até os Verdes aparecerem.


Bom, o Verde sempre existira. Mas todos os consideravam uma mistura de Azul com Amarelo. Com certeza ele se encaixaria em um dos dois segmentos e se contentaria com isso.


Mas não. O Verde decidiu que o Azul via as coisas muito azuis e o Amarelo, muito amarelas. O Verde tinha uma visão diferente do problema – mais verde, obviamente. E sofria um outro tipo de preconceito. Era preciso que o Movimento se chamasse AVAV – Azul, Vermelho, Amarelo e Verde.


E assim foi.


Com o empoderamento do Verde, logo surgiram mais questionamentos. E o Laranja? Era um Vermelho-amarelado ou um Amarelo-avermelhado? Ou era simplesmente Laranja? E o Roxo?


Houve choro e ranger de dentes. Era inadmissível um Movimento que não contemplasse esses dois segmentos, se o Verde era contemplado. O Movimento deveria se chamar AVAVLR – Azul, Vermelho, Amarelo, Verde, Laranja e Roxo.


E assim foi.


Mas não sem protestos. Afinal eram poucos os Laranjas e Roxos. Justificaria incluí-los na sigla? Uns adotaram o AVAVLR. Outros maniveram-se fiéis ao AVAV. E outros já propunham uma volta ao bom e velho AVA.


“Pera lá,” disse o Vermelho. “Porque o Azul na frente? O Vermelho está no nível mais baixo do espectro visível e sempre foi oprimido pelos outros! O Movimento deve se chamar VAAV e não AVAV.” Houve chiadeira dos Azuis. Os Verdes, por outro lado, já renunciavam ao combate à avafobia e começava a citar a verdefobia em seus manifestos. Logo seguiram-se a laranjofobia e a roxofobia.


Multiplicaram-se os eventos AVAV, as paradas de orgulho VAAV, as caminhadas Verdes, os festivais de cinema AVAVLR, os meses da diversidade VAAVLR... O Dia Nacional de Combate à Avafobia, uma das vitórias do Movimento, era grafado pelos mais politicamente corretos de Dia Nacional de Combate à Avafobia, Verdefobia, Laranjofobia e Roxofobia. Ninguém entendia mais nada. A imprensa, alheia a essas brigas internas, chama tudo de AVA e pronto, apesar dos protestos. Surgiram outras siglas, baseadas em outras línguas: RGB, CMYK.


Foi quando o Azul-Claro começou a exigir um espaço próprio dentro do movimento. Afinal, os Azuis mais escuros tinham uma clara clarofobia e nunca pensavam nos tons mais suaves do espectro.


Foi a gota d'água.


O Movimento, que fora tão bem-sucedido no passado, começava a emperrar. Perdia-se um tempo precioso em discussões de segmentos e não no combate à avafobia. Reuniões sérias, de proposição de soluções a desafios importantes, empacavam na grafia da carta-manifesto: o título seria “Avafobia Mata!” ou “Avafobia, Verdefobia, Laranjofobia e Roxofobia Matam!”??


A sociedade em geral via a todos como aberrações. “É tudo Vermelhado mesmo!” Nem os próprios AVAVLR, os não-militantes, sabiam o que significava a sigla ou qual sigla era a mais em voga da vez. Potenciais aliados Brancos e Pretos eram constantemente corrigidos – às vezes, e deselegantemente, em público – e não entendiam o porquê. Não estavam lutando todos pela diversidade? Por que confundir tanto?


Era preciso fazer alguma coisa.


Foi chamado um grande Encontro pelo presidente Preto (o primeiro, depois de mais de um século de presidentes Brancos), exclusivamente para se discutir a questão AVAVLR. O presidente sabia das coisas, tendo vindo de um passado de militância.


“Companheiros,” discursou o presidente na abertura do evento, “É preciso sim reconhecer e respeitar as diferenças de cada segmento. Mas é fundamental que vocês, enquanto Movimento, encontrem e se concentrem naquilo que os une, não no que os diferencia.”


Isso ficou na cabeça de muita gente. E enquanto alguns continuavam a discutir as letrinhas ou quantas fobias diferentes cabem numa frase, esses outros passaram a buscar a tão sonhada união. Uma unidade na diversidade.


“O que somos TODOS?", "O que nos distingue da sociedade?”, "Temos algo em comum?", "Podemos expressar isso numa só palavra?", pensavam.


A resposta veio como um raio. Não ficou registrado quem foi o primeiro a dizer a frase em voz alta, mas ela logo corria o Movimento. “Somos CORES.”


Vermelho é uma COR. Azul é uma COR. Amarelo, Verde, Laranja, Roxo, Azul-Claro... CORES.


O Movimento passou a se chamar MOVIMENTO COLORIDO. E, como símbolo, foi escolhida a bandeira do arco-íris.


A União entre as CORES, um desejo antigo do Movimento, foi finalmente aprovada pelo restante da sociedade. Assim como a Criminalização da Corfobia. Em poucas gerações, Brancos e Pretos já aceitavam as CORES como parte de si.


E viveram todos felizes para sempre.


“O que somos TODOS?", "O que nos distingue da sociedade?”, "Temos algo em comum?", "Podemos expressar isso numa só palavra?"


Será que um dia seremos simplesmente CORES? Ou estamos fadados a ser eternamente um Movimento que não ousa (porque não sabe) dizer seu nome?


Deco Ribeiro 
   

Cabeleira do Zezé

  
Essa é do blog Te Dou um Dado:

Se existisse vestibular para fofoqueiro, essa notinha da Retratos da Vida cairia na questão de interpretação de texto:




“Reynaldo Gianecchini anda soltinho pela noite carioca. Discretíssimo, ele conta com a ajuda de amigas para fazer as abordagens em possíveis pretendentes. Ele pega o número do telefone e o encontro acontece fora da boate. Quase ninguém percebe.”

Responda em poucas palavras:

O texto acima quis insinuar que ________________
 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Aceita-se Héteros

Um trechinho de uma manchete do portal R7, referente à Escola Jovem LGBT, me chamou a atenção hoje:



Repararam? "Colégio é de Campinas e aceita heteros". Não sei por que, mas me senti MUITO BEM lendo essa frase. Ou melhor, acho que sei sim por quê.

Essa frase foi uma ação afirmativa para os héteros: não se preocupem, vocês não serão discriminados por serem heterossexuais. E, geralmente, quem se utiliza de ações afirmativas somos nós, as minorias fragilizadas.

Eu me senti bem porque pela primeira vez me vi num mundo onde não somos apenas nós, os gays, que nos sentimos excluídos. Héteros estão passando por isso agora também.

É uma sensação ruim, não é, héteros? E é bom quando reafirmam nossas identidades e deixam claro, numa notícia, por exemplo, que não seremos discriminados, não é? Dá segurança, não dá?

Poizé, quem sabe com esse pequeno exemplo os héteros possam começar a entender um pouco o que passam os LGBT e por que as ações afirmativas - como Paradas e demais ações de visibilidade - nos são tão importantes.

É bom se sentir aceito. E horrível se sentir excluído.

P.S. Aproveitando: entrem no mural do R7, "Você estudaria numa escola para gays?". As mensagens estão bem interessantes e incrivelmente equilibradas, entre contra e a favor. Alguns textos MUITO bons, com o do leitor Breno Queiroz: http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/mural/voce-estudaria-em-uma-escola-para-gays-.html
  

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Escola Jovem LGBT na CAPA do portal R7, da Record

E fizemos várias capas do portal R7 (http://www.r7.com/) hoje...


CAPA do portal geral



CAPA da seção de NOTÍCAS



CAPA da seção de EDUCAÇÂO




Luxo, né?

Bjo do Deco =]
  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Matrículas abertas na primeira escola gay do país





A Escola Jovem LGBT, a primeira do gênero no país, abriu nesta quarta-feira (6/01) processo seletivo para seus primeiros cursos. O projeto, coordenado pelo GRUPO E-JOVEM, pretende formar em três anos jovens especialistas em Cultura LGBT. 

“Cultura LGBT é a cultura que enfrenta a homofobia, essa cultura perversa que nega às pessoas LGBT mais de 70 direitos, como o de construir família e patrimônio, e estimula o assassinato e o suicídio de pessoas LGBT,” explica Deco Ribeiro, diretor da escola.

Em 2010, serão três os cursos oferecidos a partir de março: Expressão Artística – Dança, Expressão Cênica – WebTV e Expressão Gráfica – Criação de Fanzines. “Mas temos muitos professores que se ofereceram como voluntários, o que pode levar à abertura de mais cursos ainda este ano,” afirma a drag queen Lohren Beauty, presidente do GRUPO E-JOVEM


A Escola Jovem estará selecionando alunos e professores até o dia 22/01.


Veja mais informações em www.e-jovem.com.

P.S. "Escola Amiga" não é o nome da escola, mas sim o de uma campanha que o E-JOVEM lançou em 2009 para que escolas tradiccionais se tornem menos homofóbicas...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Escola Jovem no Diário de S.Paulo

E acabo de saber que saiu hoje matéria no jornal Diário de S.Paulo sobre a Escola Jovem LGBT. Tirando a manchete (que contradiz o próprio texto, já que a escola não é só para gays), a matéria foi ótima! Confiram:


Clique na foto para ampliar

Uma escola gay para todos


Artigo meu no jornal Correio Popular de hoje se aprofunda um pouco mais nessa história de Escola LGBT e tira dúvidas sobre a tal Cultura LGBT... Existe? Não existe? É gueto? Não é? Leia.

Deco =]

P.S. As inscrições começam essa semana para os cursos de Dança, WebTV e Criação de Fanzine. Amanhã devo soltar texto com mais detalhes.

Publicada em 5/1/2010
na pag. A3 do jornal Correio Popular
Campinas/SP


Uma escola gay para todos









No último dia 16/12, o governo de São Paulo assinou convênios com 300 entidades culturais. O objetivo era destinar R$ 54 milhões do Fundo Nacional de Cultura, da Lei Rouanet, para os Pontos de Cultura, que tem a missão de “desesconder o Brasil”, isto é, reconhecer e reverenciar a cultura viva do nosso povo.


Dentre os projetos, havia um único destinado ao fazer e saber de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Uma ideia da drag queen Lohren Beauty, de Campinas, que quis criar um espaço de aprendizagem, valorização e reprodução dessa gaia cultura: a Escola Jovem LGBT, a primeira do País.

A notícia foi matéria de capa deste 
Correio, em 23/12, e ganhou manchetes nacionais. Recebemos centenas de e-mails de jovens interessados na escola, de professores das mais diversas áreas se oferecendo para dar aulas. Mas, com as manchetes, vieram também as críticas.

Muita gente se deixou levar pelo nome “Escola Gay” ou “Escola para gays” e nem se deu ao trabalho de buscar mais informação antes de sair falando em guetos e passados sombrios. Besteira. A escola nunca se propôs a ser um ambiente fechado, só para gays. Assim como gays, lésbicas e travestis podem circular e expressar sua sexualidade em todos os lugares, qualquer pessoa, de qualquer orientação sexual, é muito bem-vinda na Escola Jovem.

Outros questionamentos foram mais inteligentes: existe mesmo uma cultura LGBT? Por que há a necessidade de estimular essa cultura?

Vejam só: a escola nem abriu ainda e já está cumprindo seu objetivo maior que é o de estimular o debate e vencer o preconceito. Afinal, pré-conceito é um conceito formado quando há falta de conhecimento sobre determinado assunto. Para combater a homofobia, o preconceito contra homossexuais, é preciso debater, divulgar e dar visibilidade ao universo LGBT — não só entre legebetês, mas em toda a sociedade.

Para isso, a Escola Jovem LGBT possui duas estratégias. Uma é ser uma escola gay, sim, mas aberta a todos. A todos, claro, dispostos a conhecer e respeitar o universo gay. Não à minoria mais reacionária e homofóbica, irracionalmente contra os homossexuais independentemente de qualquer explicação. Essas pessoas, infelizmente, não estão abertas ao diálogo.

Nossa outra estratégia envolve oferecer ferramentas necessárias para que a própria população LGBT possa fazer o que lhe é negado: expressar-se. E aqui entra a explicação sobre o que é essa cultura LGBT e por que é essencial apoiá-la.

Cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade. É a heteronormatividade que censura beijos gays nas novelas, que proíbe as escolas tradicionais de abordar a homossexualidade de maneira positiva, que força os meninos a usarem azul e as meninas, rosa. E essa cultura perversa que nega às pessoas LGBT mais de 70 direitos, como o de construir família e patrimônio, e estimula o assassinato e o suicídio de pessoas LGBT. Uma cultura fruto do machismo e da xenofobia, opressões que alimentam o sistema capitalista.

Apoiar a cultura LGBT é dar ferramentas para que o jovem LGBT se expresse e construa a cultura na qual prefere viver. É estimular esses jovens a encontrar a felicidade na diversidade, na construção de suas verdadeiras identidades, sem precisar fingir que são heteros.

Como diz Célio Turino, criador dos Pontos de Cultura, o nome surgiu do discurso de posse do ministro Gilberto Gil, que falava em “um do-in antropológico, um massageamento de pontos vitais da Nação”. A Nação para a qual olhamos não é um conjunto de estereótipos e tradições inventadas. É um organismo vivo, pulsante, envolvido em contradições e que necessita ser constantemente energizado e equilibrado.

É dessa acupuntura social que a Escola Jovem LGBT é parte. Ou seja, o que está em questão não é o que vamos ensinar, mas, sim, o que todos nós, campineiros e brasileiros, vamos aprender com essa nova juventude gay.

Deco Ribeiro, jornalista e educador, é diretor da Escola Jovem LGBT, fundador do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados (www.e-jovem.com) e conselheiro nacional de juventude junto à presidência da República

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