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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cold Star

Não é preciso dizer nada. Simplesmente assistam. Em tela cheia, por favor.


Perfeito.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Felipe Duarte (1993-2011)

  
Felipe Duarte, morto aos 18

O post de hoje eu escrevo em choque. Estão vendo o menino acima? Pois ele foi morto, a facadas, na última segunda-feira.

O crime aconteceu na cidade de São João del-Rei, no sudeste de Minas. O assassino, Rubens Ribeiro Resende, de 31 anos, apresentou-se na polícia civil e, mesmo confessando o crime (!!!), foi liberado. E o pior: Testemunhas do assassinato estão recebendo ameaças de morte, entre elas um adolescente de 15 anos.

E esse cara está nas ruas.

Segundo o MGRV (Movimento Gay da Região das Vertentes), Rubens vinha mantendo um relacionamento com Felipe e não aceitou o término desse relacionamento - principalmente ao descobrir que foi trocado pelo jovem de 15.

Segundo amigos, "o relacionamento foi marcado pela violência, anulação do afeto, manifestação do machismo. Aquele mesmo machismo que faz o homem bater na mulher, assassinar a mulher. O machismo que projeta nas mulheres e gays a imagem de servis, de fracos, de objetos que estão ali para satisfazer os desejos e vontades do macho dominador, mandante da relação, que se sente dono do outro ser humano."


Tenho certeza que tem gente que vai dizer que o crime foi passional, briga de namorados, que não teve nada de homofobia. Será?

Esse assassino me parece ser do tipo HSH - Hétero que faz Sexo com Homens. Do tipo machão, que odeia o feminino - em si mesmo e nos outros. Matou o ex a facadas, agrediu o adolescente a pauladas e ameaça matá-lo e ainda ameaça duas amigas e o pai da vítima. As famílias todas estão em pânico, vários BOs já foram feitos, autoridades todas mobilizadas - mas ninguém faz nada. E ainda tem o garoto de 15 anos sendo ameaçado de morte...

Como diz a Katylene, CADÊ O GOVERNO? Vai ser preciso morrer OUTRO adolescente em São João del-Rei pra tal da "comoção pública" se manifestar?

Se o PLC 122 estivesse em vigor, talvez a caracterização do crime como homofóbico impedisse ese marginal de sair andando, livre, da delegacia...

Mas nada vai trazer o Felipe de volta. =/

ATUALIZANDO: Faltou uma reflexão nesse post. Faltou ressaltar como os mais jovens são também os mais vulneráveis... Sofrem violência dos pais, de quem dependem; sofrem violência na escola, onde deveriam estar seguros; e sofrem violência na mão desses caras que só querem possuí-los, no pior dos sentidos. E quem apoia essa galerinha?

Quem apoiou o Felipe?

Fuja dessas furadas! Não se meta em relacionamentos com caras metidos a hétero, principalmente se forem muito mais velhos. Não se deixe envolver em namoros abusivos, agressivos, violentos. Seja mais você. E procure os grupos que se organizam e lutam por seus direitos. Procure-nos.

Beijo do Deco =]
(saiba mais sobre o caso no blog do Carlos Bem, do MGRV)

terça-feira, 19 de julho de 2011

19/07 - Dia da Juventude LGBT

 
Os jovens mártires Mahmoud e Ayaz

Hoje, 19/07, é o Dia da Juventude LGBT. A data, celebrada por grupos jovens de todo o mundo, é em homenagem a Mahmoud Asgari, 18, e Ayaz Marhoni, 16, enforcados no Irã em 2005 apenas por serem gays...

Aqui em Campinas, vamos realizar um piquenique dia 31, pra gurizada LGBTeen da região. Kem vem??

Celebrando a vida!
 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Parada da Juventude LGBT


A 15ª Parada do Orgulho LGBT (de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) de São Paulo aconteceu ontem, domingo (26), e tomou a Av. Paulista com cerca de 4 milhões de participantes - em sua maioria adolescentes e jovens LGBT.

Lohren Beauty: "A Parada sempre foi da juventude!"
(foto: Rafael Fernandes/E-jovem) 

"A Parada sempre foi da juventude!," comentou a drag queen Lohren Beauty, que também é conselheira do CONJUVE. "Muitos que ainda não frequentam o meio gay têm nas paradas a única oportunidade de conhecer a comunidade, de estar em meio aos seus, de se soltar um pouco, de se expressar sem a repressão que encontram em casa ou na escola." Lohren saiu de Campinas, a 93km de São Paulo, em uma excursão com vários jovens da Escola Jovem LGBT, um projeto cultural de combate à homofobia da ong E-jovem.

(foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
Juventude LGBT: expressão sem repressão
(foto: Cris Fraga/UOL)

Apesar de algumas críticas conservadoras atacarem o tom "carnavalesco" do evento, que privilegiaria apenas as figuras exóticas e as pessoas sem roupa, não foi isso o que a conselheira viu: "A mídia enfoca muito o que é extravagante, mas a realidade da Parada é esse mar de GENTE, homos, héteros, de todos os tipos. Pessoas comuns, lutando por igualdade."

Parada LGBT: ao contrário das críticas, menos carnaval e
mais engajamento de pessoas comuns, lutando por igualdade.
(foto: Daigo Oliva/G1)

Para Lohren, o evento serviu para recarregar as energias, pois no próximo domingo, dia 3 de julho, é a vez da Parada de Campinas, que ela organiza. "Vamos levar 150 mil pessoas às ruas para celebrar a juventude e a diversidade, com o tema 'Eu pago meus impostos, exijo meus direitos!'"

quinta-feira, 14 de abril de 2011


Poderia ser SEMPRE assim, não poderia? Tirou pedaço de alguém? Alguém morreu? Um mundo onde coisas dese tipo acontecem é um mundo melhor ou pior? Vamos refletir!! #nãohomofobia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por que lutamos?

À direita, a jovem lésbica Adriele, 16, antes de encontrar
o pai e o irmão de sua namorada. À esquerda, depois.

Essa foto é só para dar um choque de realidade naqueles que reclamam da militância LGBT, falam que somos muito chatos, que só ficamos falando de homofobia, homofobia, homofobia...

É por ISSO que lutamos. Para que atos dessa monstruosidade não mais aconteçam.

Tem mais o que falar...? =/

Tem sim.

Sinto muita VERGONHA de saber que existem eleitores que votam em parlamentares que defendem esse tipo de violência.

E tristeza, por tudo.

Quem quiser saber mais do caso da Adriele, pode clicar aqui.

sábado, 9 de abril de 2011

Jovens gays de SP se unem contra a homofobia

 O estudante de jornalismo Luis Alberto, de 23 anos,
atingido por lâmpadas fluorescentes, na Av. Paulista

O Estado de São Paulo só perde para a Bahia no ranking dos estados que mais matam homossexuais. Só em 2010, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), 23 paulistas foram brutalmente assassinados simplesmente por serem LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros). Um aumento de 64% com relação a 2009.

O Grupo E-jovem, rede nacional de defesa dos direitos da juventude LGBT, teve acesso aos dados completos do GGB e revelou que a grande maioria dos envolvidos nesses crimes são adolescentes e jovens. Dos crimes em que a idade dos envolvidos era conhecida, 57% das vítimas e 76% dos assassinos tinham menos de 29 anos.

"É fácil de entender esses números," explica o novo presidente do Fórum Paulista da Juventude LGBT, Bruno Campos, do E-jovem de Piracicaba. "Adolescentes e jovens não têm independência. Eles vivem sob a guarda da família, da escola, e quem mais deveria protegê-los é, muitas vezes, quem mais os trata com violência". O Fórum reúne diversos grupos de adolescentes e jovens que lutam contra a homofobia no estado.

"Tanto a sociedade quanto o governo devem prestar mais atenção aos jovens, não é possível que adolescentes continuem matando e sendo mortos sem que se faça nada a respeito," declarou Lohren Beauty, presidenta do E-jovem. "Vou levar essa questão ao Conselho Nacional de Juventude e ao Conselho Nacional LGBT," disse a drag, que é membro dos dois conselhos, ligados à Presidência da República.

No próximo dia 15, o Grupo E-jovem lançará em todo o Brasil a campanha Escola Amiga, que divulgará os 6 passos para combater a homofobia no ambiente escolar. em São Paulo, a campanha ficará a cargo do Fórum Paulista da Juventude LGBT. Mais informações pelo site http://www.e-jovem.com/ ou pelo e-mail escola@e-jovem.com.

Números
17 casos de vítima entre 12 e 18 anos (11%)
72 casos de vítima entre 19 a 29 anos (46%)
12 casos de assassinos de 12 a 18 anos (17%)
41 casos de assassinos de 19 a 29 anos (59%)

156 casos com idade das vitimas (60% do total)
69 casos com idade dos assassinos (26% do total)

23 LGBT mortos em SP em 2010
14 LGBT mortos em SP em 2009

260 total de assassinatos LGBT em 2010
(fonte: Grupo Gay da Bahia - GGB)

terça-feira, 5 de abril de 2011

HOMOFOBIA: Jovens são maioria entre vítimas e assassinos

(Foto: AFP)

O número de assassinatos de gays, travestis e lésbicas cresceu 31,3% em 2010, em relação ao ano anterior, com 260 casos, ante 198 em 2009. Foi o que informou ontem o Grupo Gay da Bahia (GGB).

O Grupo E-jovem, rede nacional de defesa dos direitos da juventude LGBT, teve acesso aos dados completos do GGB e revelou que a grande maioria dos envolvidos nesses crimes são adolescentes e jovens. Dos crimes em que a idade dos envolvidos era conhecida, 57% das vítimas e 76% dos assassinos tinham menos de 29 anos.

"Tanto a sociedade quanto o governo devem prestar mais atenção aos jovens, não é possível que adolescentes continuem matando e sendo mortos sem que se faça nada a respeito," declarou Lohren Beauty, presidenta do E-jovem. "Vou levar essa questão ao Conselho Nacional de Juventude e ao Conselho Nacional LGBT," disse a drag, que é membro dos dois conselhos, ligados à Presidência da República.

Mais alarmante ainda é o índice dos menores de 18 anos: 11% das vítimas e 17% dos assassinos eram adolescentes. É o caso do jovem Alexandre Ivo, de 14 anos, assassinado por três neonazistas logo após um jogo da Copa.


"É preciso investir em educação," afirmou Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT. "As escolas precisam ser ambientes seguros, com uma política anti-bullying que estimule o debate, apoio aos estudantes, material LGBT nas bibliotecas e o que mais for preciso para garantir uma educação sem homofobia."
 
No próximo dia 15, o Grupo E-jovem lançará em todo o Brasil a campanha Escola Amiga, que divulgará os 6 passos para combater a homofobia no ambiente escolar. Mais informações pelo site http://www.e-jovem.com/ ou pelo e-mail escola@e-jovem.com.  
 
Números
17 casos de vítima entre 12 e 18 anos (11%)

72 casos de vítima entre 19 a 29 anos (46%)
12 casos de assassinos de 12 a 18 anos (17%)
41 casos de assassinos de 19 a 29 anos (59%)
156 casos com idade das vitimas (60% do total)

69 casos com idade dos assassinos (26% do total)

260 total de assassinatos LGBT em 2010
(fonte: Grupo Gay da Bahia - GGB)

sábado, 11 de dezembro de 2010

E-CAMP elege nova presidente

O E-CAMP, Grupo E-jovem em Campinas, realizou na noite desta sexta, 10, sua eleição anual de nova diretoria. Ao todos, 63 adolescentes e jovens, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros fizeram fila pra votar. A chapa vencedora, com 60 votos, foi encabeçada por Vinícius Saraiva, 17, que personifica a drag queen Saraivetty Close Beauty.

Saraivetty (à direita), presidente eleita

Perguntada a que atribuía a expressiva votação, Saraivetty respondeu: "Acho que foi o meu número de candidato, 24!" Essa eleição marca um novo momento para o grupo, que, pela primeira vez, recolheu votos em plena praça do Sucão, o principal ponto de encontro dos jovens LGBT de Campinas. "Todos podiam votar," explica a presidente eleita. "A gente já vinha fazendo campanha há algumas semanas e aqui é partir pro corpo a corpo." Os eleitores preenchiam um cadastro e já estavam aptos a votar.



Votam jovens trans, lés e gays: cidadania LGBT

"A ideia de fazer a votação dessa forma foi para aproximar a ong da comunidade, dos jovens," explica Lohren Beauty, presidente nacional do E-jovem. "Afinal, representamos essa galerinha em muitas instâncias. É justo que eles escolham diretamente seu representante. Legitima mais o processo e faz com que eles se envolvam mais com o grupo, se sintam mais parte desse todo nosso."

Lohren Beauty: o E-jovem mais próximo de sua base

A nova presidenta do E-jovem em Campinas deve tomar posse no próximo sábado, dia 18, em uma grande festa na Escola Jovem LGBT.

Confira mais fotos da votação:


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sejam vocês

Repasso, já em clima de boas festas, mensagem recebida hoje pelo site do E-JOVEM. PRa gente não perder a esperança no nosso trabalho com a juventude... os trechos em negrito foram ressaltados por moi e o estilo da escrita foi preservado:

(foto ilustrativa de @roohcordeiro)

Sejam Vocês

Olá Gente tudo bom com vocês?

Meu nome é Lucas tenho 14 anos e estou aqui para contar para vocês minha experiência sobre o tema bissexualidade.

Tudo começou quando eu tinha uns 10 anos eu comecei a sentir atração por homens, isso refletia no meu jeito de ser e muitas vezes meu pai ficava incomodado com isso, era sempre zombado na escola e sempre fui excluído.

O tempo foi passando, eu fui crescendo, e esta atração por homens foi crescendo cada vez mais.

Desde pequeno meus pais sempre me obrigaram a ir ao psicólogo eu passei por muitos ate que com os meus 13 anos eu encontrei um psicólogo que eu tive coragem e contei essa atração.

Primeiramente eu neguei essa atração, eu fiz de tudo, sai com meninas (também sinto atração por meninas), tentei namorar, mas não consegui fugir dessa atração que aparecia toda vez que um menino bonito passava perto de mim.

Realmente vivi tempos muito ruins nesta fase, eu fiquei muito triste, não queria fazer mais nada, não saia mais com os amigos, não queria mais comer.

Quem me ajudou a sair desta fase e realmente assumir o que eu sou e principalmente me aceitar do jeito que eu sou , sem me importar com os outros, foi meu psicólogo e aqui, o E-Jovem, com o apoio dos dois eu consegui me assumir e aceitar o jeito que eu sou.

Passei a gostar mais de mim, passei a me arrumar mais, a olhar mais pros meninos, e principalmente eu fiquei mais confiante em mim, na minha personalidade, quem eu sou, e fiquei mais confiante na minha confiança sabe parece que fiquei mais seguro de mim ( e isso e impressionante parece que atrai os garotos , um menino um dia chegou pra mim e falou que me admirava muito por que eu era muito confiante em mim *não eu não peguei ele :/)

Mas com tudo isso eu quero dizer a vocês que sejam quem vocês são , e que não tenham medo da opinião dos outros por que esta feliz com você , e ser feliz do jeito que você realmente é e miiiil vezes mais importante que a opinião de qualquer outra pessoa!!!

Bjinhos...

Lucas

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Jogo dos erros

Juventude do Serra (ou do Reinaldo Azevedo?)

Essa é a juventude tucana.

Encontre um negro.

Um pobre.

Uma travesti.

Juventude com Dilma: diversidade

Essa é a juventude que está com Dilma.

É outra coisa...! =D


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Célio Turino 6513 - Entrevista e Plenária Final

Galera,

No próximo dia 30/09 (quinta-feira), às 19h, no Teatro de Arte e Ofício, realizaremos a Plenária Final do Célio Turino, em Campinas. Contamos com a sua presença e pedimos, gentilmente, que confirme presença por e-mail ou pelos fones (19) 3201.0561 ou 3201.0560.



Segue entrevista que o Célio concedeu ao portal Vermelho.

Na Câmara, Turino quer defender cultura como riqueza da nação

Célio Turino se sente em casa em meio a fanfarras, cururus e catiras oferecidas a ele pelo povo paulista como amostra de sua identidade cultural nas viagens do candidato pelo estado. Depois de sua passagem pelo Ministério da Cultura, onde criou, entre outras ações, os Pontos de Cultura, o paulista de Indaiatuba virou referência em círculos que vão do popular ao erudito. “A cultura é a riqueza das nações. Isso sintetiza o meu entendimento do papel da cultura”, diz, em referência ao seu jingle.

A trilha de sua campanha (ouça abaixo), aliás, é uma amostra do reconhecimento ao seu trabalho. Foi gravada pelo ex-ministro Gilberto Gil. Outra demonstração veio da revista Caros Amigos que, em sua edição de setembro apontou Turino como um dos candidatos a deputado federal apoiados pela publicação. Além disso, países latinoamericanos têm reproduzido a experiência dos Pontos de Cultura.

Recentemente, foi apresentado no parlamento argentino um projeto de lei com essa proposta. E o jornal britânico The Guardian estampou em uma de suas manchetes que seu país tinha muito que aprender com o projeto brasileiro.

O comunista, que atua há mais de 30 anos junto a movimentos culturais e sociais pelo país, busca agora uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde quer levar adiante sua visão da cultura como bem comum emanado a partir do povo e elemento transformador da sociedade. “Minha postura como parlamentar não seria apenas de um representante, mas de um mediador, de alguém que será instrumento da mobilização e da organização popular”, explica nesta entrevista.

Com uma campanha modesta, mas baseada em forte participação militante e voluntária, Turino já percorreu mais de duas centenas de cidades, realizando pequenas reuniões onde procura resgatar na população o sentido da cultura nacional. “A cultura é a base do desenvolvimento porque ela diz respeito à identidade; o próprio povo brasileiro, que tem avançado em sua auto-estima, tem percebido essa necessidade”, argumenta.

Acompanhe a seguir a íntegra deste bate-papo.

Partido Vivo: O que sua experiência no Ministério da Cultura trouxe para você e para uma possível atuação sua na Câmara?


Célio Turino: Trouxe a base dos meus compromissos. Uma das minhas bandeiras é justamente transformar os Pontos de Cultura e o Cultura Viva em projetos de lei. Mas, quero desdobrar essas experiências para uma série de outras, como Pontos de Cultura nas escolas, algo exequível e que custaria R$ 5 mil por mês por escola; em cada uma, poderia haver uma rádio, um estúdio multimídia para os estudantes desenvolverem suas atividades audiovisuais, teatro, dança oficinas de hip-hop etc. Acredito que isso tem um componente forte na recuperação da escola como um espaço de educação num sentido mais amplo.

Outra questão é a Lei do Protagonismo Juvenil. Fiz uma ação quando ocupei a Secretaria de Cultura de Campinas e depois no Ministério da Cultura, envolvendo 11 mil jovens, e que consistia em fazer com que os jovens recebessem uma bolsa equivalente a 60% do salário mínimo durante um ano para ter uma capacitação não para o mercado de trabalho, mas para trabalhos comunitários, atuando como agentes de lazer e de cultura. Teria o sentido de um serviço civil: todo jovem, de 16 a 24 anos, poderia fazer durante um ano. Nós já admitimos como sociedade o serviço militar. Por que não introduzir o serviço civil? E um não exclui o outro. Fiz um cálculo e vi que se atingirmos um milhão de jovens, o custo seria de 3,6 bilhões de reais por ano, valor que é não uma despesa, mas um grande investimento. O Brasil pode avançar muito com propostas realistas e de baixo custo.

Os Pontos de Mídia Livre é outra proposta sobre a qual tenho feito muita discussão nos espaços de mídia independente. Desenvolvemos este projeto em duas edições quando eu estava no Ministério da Cultura e agora quero transformar em lei. Trata-se de fazer com que 20% de toda verba de publicidade – seja do governo federal, estadual ou municipal – seja destinada por edital público à mídia livre. Não é compra de propaganda; é o financiamento da mídia livre entendida enquanto um direito fundamental para a construção da democracia. É preciso ter em mente que mídia não é mercadoria. Esta é uma proposta que tem tido bastante eco e apoio, tanto é que muita gente da área de comunicação tem me apoiado.

Partido Vivo: E o que seria a Lei dos Mestres e Griôs ?


CT: Minha postura como parlamentar não seria apenas de um representante, mas de um mediador, de alguém que será instrumento da mobilização e da organização popular. E isso se reflete muito neste projeto, uma lei de iniciativa popular para a qual já estão sendo colhidas assinaturas. Essa lei tem um significado muito importante porque são mestres de folia de reis, de capoeira, rezadeiras, pajés, etc., discutindo uma lei para eles mesmos, lei essa que garante o reconhecimento do saber tradicional transmitido por via oral. Com a garantia de pelo menos um salário mínimo, esses mestres poderiam continuar fazendo o que sempre fizeram, mas em melhores condições e mantendo relação com os aprendizes e com a escola.

Partido Vivo: Um dos carros-chefes de sua atuação no MinC foram os Pontos de Cultura – inclusive a Argentina tem um projeto de lei para reproduzir a iniciativa no país . Que balanço faz deles? O programa consegue cumprir seu papel?


CT: Entendo que sim. É difícil me dissociar dos Pontos de Cultura porque tive o papel de pensá-lo, idealizá-lo, implementá-lo e acompanhá-lo durante seis anos. Conseguimos desenvolver um processo muito rápido e intenso de afloramento de manifestações do nosso povo que sempre existiram e não eram reconhecidas e legitimadas. Hoje, com os Pontos de Cultura, isso acontece. Tanto que hoje o projeto está presente em mais de mil municípios; são mais de 3 mil pontos no país atendendo cerca de oito milhões de pessoas. Tenho ouvido muitos depoimentos sobre o significado que têm os Pontos de Cultura; um exemplo diz respeito à Faculdade de Educação da USP, que tem dois Pontos: um sobre o direito de brincar e outro sobre memória escolar. A experiência trouxe maior aproximação da universidade com a sociedade. Os Pontos de Cultura têm esse significado virótico; são como um vírus subversivo que vai entrando na sociedade e colocando as partes para dialogar. Um grupo de dança experimental, contemporânea pode dialogar com um grupo de cultura tradicional ou sócio-educativo; ao se encontrarem, vai acontecendo um processo de modificação de comportamentos, entendimentos etc.

Partido Vivo: A cultura, por muito tempo, foi uma espécie de bandeira secundária de governos, parlamentares e candidatos. Quando isso começou a mudar? Do ponto de vista do candidato, é possível ter a cultura como bandeira central?


CT: Isso ocorria até mesmo na esquerda. A cultura é a base do desenvolvimento porque ela diz respeito à identidade; o próprio povo brasileiro, que tem avançado em sua auto-estima, tem percebido essa necessidade. O marco principal, eu diria, foi a vitória de Lula; significou a gente ter alguém com a cara do povo ocupando com muita dignidade a principal cadeira da República. Isso desencadeou na sociedade um efeito simbólico, um desejo de participar, de falar. E abriu a possibilidade para que programas como o Cultura Viva e os Pontos de Cultura florescessem com mais intensidade. Como historiador, diria que daqui a 50, 100 anos, quem estudar este período do Brasil vai periodizá-lo em função disso: a vitória do presidente Lula teve um efeito muito mais cultural e simbólico do que até mesmo político, que é uma decorrência dos outros dois.


Partido Vivo: Qual o papel da educação e da juventude no processo de transformação da cultura em algo mais próximo da realidade do povo?


CT: A juventude vive certo desencanto. A geração que está com 20 anos hoje foi formada dentro do pensamento não apenas político, mas filosófico, ético e moral ditado pelo hegemonismo neoliberal, que pressupõe a ambição desmedida, o egoísmo, o hedonismo, características deste período. E as pessoas querem soluções muito rápidas porque tudo é rápido, efêmero. A cultural, ao contrário, tem o sentido de permanência, o que traz uma profundidade maior até do ponto de vista existencial e a juventude tem essa necessidade, tem se encontrado nesse sentido. Quando a gente conjugar de fato essa aproximação de uma maneira mais intensa – que percebo que tem ocorrido, mas ainda em alguns segmentos – a gente dará um salto para um novo patamar de civilização. Tanto que em minha campanha eu falo do terceiro salto civilizacional. Entendo a cultura com este sentido: como a mola propulsora desse salto. No campo educacional, a gente constata hoje a falência total desse padrão de educação instrumental dissociado da cultura. A educação tem sido um bom exemplo do que ocorre quando a atividade meio suplanta a atividade fim. E na realidade, a finalidade da educação é a cultura; a educação é um meio de transmissão da cultura, só que ela virou um mero meio de formatação das pessoas, formatação esta feita a partir do pensamento hegemônico. O neoliberalismo não foi apenas um movimento político; ele tem uma base ideológica, filosófica e ética muito forte. Por isso conseguiu a hegemonia; lógico que isso agora vai se desfazendo, mas se a gente quiser realmente dar saltos civilizacionais, com maior compromisso com a sociedade, precisamos ir à raiz do problema.

Partido Vivo: Ainda há no Brasil muitos problemas no âmbito cultural. Para citar alguns exemplos, a lei Rouanet em geral beneficia os projetos e artistas já consagrados; há a grande concentração dos meios de comunicação e a pouca valorização da cultura regional e da cultura das periferias nos meios de comunicação. Mas, estas são ainda questões difíceis de serem mudadas, dada a resistência de setores mais conservadores e elitistas. Como mudar esses e outros pontos ainda problemáticos da cultura nacional?


CT: Creio que uma saída seria a estratégia adotada nos Pontos de Cultura, que é ir mudando a cultura por baixo – trato sobre isso no livro Pontos de Cultura: O Brasil de Baixo pra Cima. Trato da mídia livre, do fomento, do protagonismo e da autonomia cultural do povo. Na medida em que a gente vai fortalecendo essa contracorrente mais protagonista, descentralizada, outros mecanismos vão fenecendo, perdendo força moral no sentido gramsciano. Por exemplo, a lei Rouanet é uma excrescência porque ela é a melhor representação desse pensamento neoliberal. É a transferência de recursos públicos para a esfera privada a partir de critérios de mercado – quem decide são os gerentes de marketing das empresas. A natureza do mercado é concentradora; então a natureza da lei Rouanet é igualmente concentradora. É contra isso que o Ministério da Cultura e o Juca Ferreira têm se colocado. Só que como ainda há um campo que se beneficia e depende da Lei Rouanet, não seria acertado extingui-la de um dia para o outro. A gente vai fortalecendo a ideia do fundo público; a PEC 150 vai nesse sentido: delimita um orçamento mínimo para a cultura de 2% na União, 1,5% nos estados e 1% nos municípios. Com essas ações, diria que a gente vai provocando uma transição.

Partido Vivo: Como você procura vincular sua atuação no meio cultural com sua visão comunista e com o projeto nacional de desenvolvimento que o PCdoB tem defendido? O que é ser comunista do Brasil do século 21?


CT: Em todas as reuniões que tenho feito, falo do salto civilizatório e me coloco como comunista. E isso significa defender o bem comum, que é tudo aquilo que enquanto humanidade não está no campo das mercadorias. Para isso, uma plataforma mínima deve contemplar saúde, educação, meio ambiente, cultura, a água, o ar, elementos que ao longo do tempo foram virando mercadoria, elementos de compra e venda. E a ideia do bem comum recoloca o sentido do público, do direito coletivo a esses e outros bens. Olhando a etimologia da palavra comunista, ela vem de comunhão, comunidade, bem comum. O meu jingle, inclusive, começa com uma síntese muito simples: a cultura é a riqueza das nações. Isso sintetiza do meu entendimento do papel da cultura.


Da redação,
Priscila Lobregatte

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Deco e Lohren no ACRE

E não é que semana passada voamos eu e Lohren Beauty para o ACRE?? =D

Convidados pela AHAC (Associação de Homossexuais do Acre), eu fui dar uma palestra sobre sexualidade, juventude e educação LGBT. Também falei sobre o E-jovem e, claro, a Escola Jovem LGBT. Faleipara um auditório lotado de alunos do ensino médio do CERB, Colégio Estadual Barão do Rio Branco, um dos mais tradicionais da cidade de Rio Branco, capital do Acre.

O bom e velho "4 Pilares da Sexualidade"

Já Lohren deu uma oficina sobre preconceitos e estereótipos - que, diga-se de passagem, AHAZOU, claro. Totalmente dinâmica, a oficina terminou com todos os participantes pintando a bandeira do movimento LGBT do Acre. Ficou muito linda! Será emoldurada e exibida no Centro de Referência LGBT de Rio Branco.


Lohren, toda diva, coordenando sua oficina

E ainda deu pra passear um pouquinho!! Rio Branco é belíssima, conhecemos o Palácio Rio Branco, o centro antigo restaurado (Gameleira), o Mercado Velho, as praças da Revolução Acreana e dos Povos da Floresta, as pontes sobre o Rio Acre...


Deco & Lohren, um romance amazônico! Ao fundo, o rio Acre...

Agradecimentos, milhões, ao Germano e à Rose, verdadeiros líderes da AHAC e do movimento LGBT do Acre, e à galera do grupo ELA (Entidade Lésbica do Acre) que também ajudou na organização da Semana da Diversidade. Ontem eles tiveram Parada, tomara que tenha dado tudo certo!!

Atualização: E deu SUPER certo, 100 mil pessoas na Parada do Acre!!

AHAZARAM!!!