quinta-feira, 28 de julho de 2011

Felipe Duarte (1993-2011)

  
Felipe Duarte, morto aos 18

O post de hoje eu escrevo em choque. Estão vendo o menino acima? Pois ele foi morto, a facadas, na última segunda-feira.

O crime aconteceu na cidade de São João del-Rei, no sudeste de Minas. O assassino, Rubens Ribeiro Resende, de 31 anos, apresentou-se na polícia civil e, mesmo confessando o crime (!!!), foi liberado. E o pior: Testemunhas do assassinato estão recebendo ameaças de morte, entre elas um adolescente de 15 anos.

E esse cara está nas ruas.

Segundo o MGRV (Movimento Gay da Região das Vertentes), Rubens vinha mantendo um relacionamento com Felipe e não aceitou o término desse relacionamento - principalmente ao descobrir que foi trocado pelo jovem de 15.

Segundo amigos, "o relacionamento foi marcado pela violência, anulação do afeto, manifestação do machismo. Aquele mesmo machismo que faz o homem bater na mulher, assassinar a mulher. O machismo que projeta nas mulheres e gays a imagem de servis, de fracos, de objetos que estão ali para satisfazer os desejos e vontades do macho dominador, mandante da relação, que se sente dono do outro ser humano."


Tenho certeza que tem gente que vai dizer que o crime foi passional, briga de namorados, que não teve nada de homofobia. Será?

Esse assassino me parece ser do tipo HSH - Hétero que faz Sexo com Homens. Do tipo machão, que odeia o feminino - em si mesmo e nos outros. Matou o ex a facadas, agrediu o adolescente a pauladas e ameaça matá-lo e ainda ameaça duas amigas e o pai da vítima. As famílias todas estão em pânico, vários BOs já foram feitos, autoridades todas mobilizadas - mas ninguém faz nada. E ainda tem o garoto de 15 anos sendo ameaçado de morte...

Como diz a Katylene, CADÊ O GOVERNO? Vai ser preciso morrer OUTRO adolescente em São João del-Rei pra tal da "comoção pública" se manifestar?

Se o PLC 122 estivesse em vigor, talvez a caracterização do crime como homofóbico impedisse ese marginal de sair andando, livre, da delegacia...

Mas nada vai trazer o Felipe de volta. =/

ATUALIZANDO: Faltou uma reflexão nesse post. Faltou ressaltar como os mais jovens são também os mais vulneráveis... Sofrem violência dos pais, de quem dependem; sofrem violência na escola, onde deveriam estar seguros; e sofrem violência na mão desses caras que só querem possuí-los, no pior dos sentidos. E quem apoia essa galerinha?

Quem apoiou o Felipe?

Fuja dessas furadas! Não se meta em relacionamentos com caras metidos a hétero, principalmente se forem muito mais velhos. Não se deixe envolver em namoros abusivos, agressivos, violentos. Seja mais você. E procure os grupos que se organizam e lutam por seus direitos. Procure-nos.

Beijo do Deco =]
(saiba mais sobre o caso no blog do Carlos Bem, do MGRV)

terça-feira, 19 de julho de 2011

19/07 - Dia da Juventude LGBT

 
Os jovens mártires Mahmoud e Ayaz

Hoje, 19/07, é o Dia da Juventude LGBT. A data, celebrada por grupos jovens de todo o mundo, é em homenagem a Mahmoud Asgari, 18, e Ayaz Marhoni, 16, enforcados no Irã em 2005 apenas por serem gays...

Aqui em Campinas, vamos realizar um piquenique dia 31, pra gurizada LGBTeen da região. Kem vem??

Celebrando a vida!
 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quem não acredita no amor entre pessoas do mesmo sexo

Faço questão aqui de repostar um texto do Vitor Angelo:

As redes sociais espalharam esse vídeo. Nele, um garoto que nunca viu um casal gay fica admirado como quem vê um rinoceronte ou um arco-íris pela primeira vez. E questiona:



O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau formulou, no século 18, a teoria do bom selvagem. Nela, todo homem nasce naturalmente bom, a sociedade é que o corrompe. O iluminista assim como o senso comum até hoje enxerga na criança um ser dotado de pureza. Mesmo com Freud, um século depois, sexualizando os pequenos, a imagem de inocência permanace no imaginário popular e de alguns estudiosos contemporâneos.

Mas um pouquinho distante dessas teses, o que podemos notar no vídeo é o trabalho que a criança faz com os dados que têm. Isto é, ela age como um viajante diante do desconhecido e usa referências que possui e conhece para entender o estranho, o estrangeiro. O menino se comporta quase como um antropólogo que visita pela primeira vez uma nova tribo e tem como regra estranhar o que é comum a ele e não aos índios, pois só assim ele entenderá a universalidade do conceito ser-humano.

O que a criança tinha de conhecimento? Um casal é feito por esposa e marido e ainda, eles ficam juntos porque se amam. Através dessas premissas, o menino conclui que pode existir casais do mesmo sexo - pois está vendo empiricamente um na sua frente -, e eles só são casais porque se amam. Ele só chega a esse resultado de pensamento porque alarga os conceitos de seu mundo, isto é, os estranha e permite a novidade. Com esse exercício, ele também ressalta a universalidade do amor, ela permanece intacta, para todos (o mundo do garoto e do casal gay / o que é conhecido e o que é estrangeiro) e em todos os tempos.

Essa lógica aparentemente simples feita pelo menino traduz a complexa construção mental dos que aceitam e dos repudiam casais do mesmo sexo. Os primeiros estão dentro da chave do amor, isto é, dos que permitem no seu mundo aquilo que é estranho e os segundos residem na intolerância pois nada que é diferente - o medo do estranho - ou estrangeiro a eles pode ter sua existência permitida, legalizada, vivenciada. Isso também explica – em parte - como muito do sentimento homofóbico está conectado com o racismo, a misogenia e a xenofobia, pois procedem da mesma raiz de pensamento.

Escrito por Vitor Angelo às 22h37

Assinadíssimo embaixo!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

LEI ALEXANDRE IVO

Nos últimos dias, fomos tomando ciência de que o PLC 122 tinha subido no telhado. Pelo menos com esse nome. Segundo a relatora Marta Suplicy e o presidente da ABGLT, Toni Reis, seria muito complicado aprovar o PLC 122 depois da demonização que os evangélicos conseguiram fazer. Basta dar uma googlada por "pl 122" para entender o que digo... A proposta seria apresentar um novo texto para o projeto, uma outra numeração, e recomeçar o diálogo - inclusive com a bancada evangélica, do zero.

Aí hoje eu comecei a pensar algo... Não tem a Lei Maria da Penha? Ninguém sabe o número, mas todo mundo a conhece e sabe pra que serve. É impossível deixar de pensar na mulher e na violência que ela sofreu só de ouvir o nome da lei. E me deu um estalo: Temos que sair da frieza dos números para a realidade da carne!

EU APOIO A LEI ALEXANDRE IVO!!!


Eu proponho que a PLC 122 ou qualquer que venha a ser a lei aprovada que torne a homofobia CRIME seja chamada de "Lei Alexandre Ivo."

Quero ver os religiosos fazerem campanha contra o nome de um menino de 14 anos, morto estrangulado por 3 brutamontes homofóbicos...

Se vc também apoia a LEI ALEXANDRE IVO, curta, comente e compartilhe!!

ATUALIZAÇÃO: Acabo de receber por e-mail a proposta do texto da nova lei, que substituirá o PLC 122. Ou seja, com vocês, a...

LEI ALEXANDRE IVO
EMENDA - CDH (SUBSTITUTIVO)
Projeto de Lei da Câmara 122, de 2006

Criminaliza condutas discriminatórias motivadas
por preconceito de sexo, orientação sexual ou
identidade de gênero e altera o Decreto-Lei nº
2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal
para punir, com maior rigor, atos de violência
praticados com a mesma motivação.


O CONGRESSO NACIONAL decreta:



Art. 1º Esta Lei define crimes que correspondem a condutas discriminatórias motivadas por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero bem como pune, com maior rigor, atos de violência praticados com a mesma motivação.


Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo é utilizado para distinguir homens e mulheres, o termo orientação sexual refere-se à heterossexualidade, à homossexualidade e à bissexualidade, e o termo identidade de gênero a transexualidade e travestilidade.


Discriminação no mercado de trabalho
Art. 3º Deixar de contratar alguém ou dificultar a sua contratação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:


Pena – reclusão, de um a três anos.


§ 1º A pena é aumentada de um terço se a discriminação se dá no acesso aos cargos, funções e contratos da Administração Pública.


§ 2º Nas mesmas penas incorre quem, durante o contrato de trabalho ou relação funcional, discrimina alguém motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.


Discriminação nas relações de consumo
Art. 4º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:


Pena – reclusão, de um a três anos.


Indução à violência
Art. 5º Induzir alguém à prática de violência de qualquer natureza motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:


Pena – reclusão, de um a três anos, além da pena aplicada à violência.


Art. 6º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passa a vigorar com as seguintes alterações:


“Art. 61.......


II...............


m) motivado por discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”


Art. 121..


§ 2º...........


VI - em decorrência de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)


Art. 129...


§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade ou em motivada por discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)


Art. 140.


“§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:


....” (NR)


“Art. 288....


Parágrafo único – A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é armado ou se a associação destina-se a cometer crimes por motivo de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.


Art. 7º Suprima-se o nomem iuris violência doméstica que antecede o § 9º, do art. 129, do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal.


Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Sala da Comissão,


Presidente Frente LGBT

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Por um Brasil sem homofobia

Pioneira no Brasil, Escola Jovem LGBT atende adolescentes que buscam informações e apoio para lidar com temas como sexualidade e preconceito

REVISTA CRIATIVA - EDIÇÃO 267 - JULHO DE 2011
Bruno Yutaka Saito • Foto Raquel Espírito Santo

Unidos pela diversidade: Raí Santos, William Bernardo, Lohren Beauty, Anderson Arruda e Deco Ribeiro

Deco Ribeiro é uma agência de notícias ambulante. Tem, na ponta da língua, os mais recentes crimes cometidos contra homossexuais. “Em Ilhéus (BA), um rapaz foi assassinado e queimado; em Cuiabá (MT), um jovem foi estrangulado e jogado no esgoto”, relembra o jornalista de 39 anos à CRIATIVA. Não é apenas a profissão que o mantém atualizado. Militante antidiscriminação sexual, Deco fundou a pioneira Escola Jovem LGBT, dedicada a lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

“Quanto mais aumenta nossa visibilidade, mais aumenta a resistência”, diz Deco. Sediada em Campinas (SP), a escola, que começou a funcionar em 2010, oferece cursos a jovens, inclusive heterossexuais, interessados em entender e discutir a diversidade sexual. Atualmente são 30 alunos que se dividem entre as aulas de música, criação de revistas e dança/teatro, aos sábados e domingos. Deco diz que a escola confunde. “Tem gente que vê preconceito invertido, pensando que somos fechados para os héteros.”

Para compreender o projeto é necessário entender a história de Deco, que por sua vez é a história de milhares de jovens no Brasil. Nascido no Rio de Janeiro, mas com uma adolescência entre São Paulo e Mato Grosso, Deco diz que informações sobre sexualidade eram escassas nos anos 80. “Não tinha internet. Minhas únicas fontes de informação eram livros que consideravam a homossexualidade uma fase passageira.”

Essa “fase”, no entanto, nunca passou. Deco evitava o assunto com os familiares. Até os 26 anos, viveu “no armário”. Foi nessa época, em 1998, que o jornalista conheceu virtualmente pessoas com problemas semelhantes. Era uma sala de bate-papo com outros jovens gays. Centenas de pessoas do Brasil inteiro se conectavam para tirar dúvidas, conversar e paquerar. Algumas questões eram frequentes: “Quero me assumir, mas não sei como contar para meus pais”; “Sofro preconceito na escola. O que fazer?”. Surgiu daí a ideia de criar um site que reunisse respostas para perguntas como essas. Em 2001, Deco e outros internautas criaram o E-Jovem. “Dentro da comunidade gay não havia espaço para o jovem. Tudo era voltado para os gays mais velhos.”

O sucesso foi rápido, com um mailing de 4 mil contatos. O encontro real só veio no ano seguinte, quando se reuniram para fazer um curta-metragem. Após a experiência, surgiu a vontade de falar mais sério. E, em 2004, o E-Jovem virou ONG de combate à homofobia.

São mais de 20 grupos (virtuais) espalhados pelo Brasil. Em 2009, a ONG recebeu uma verba anual de R$ 60 mil (durante três anos) dentro do projeto Ponto de Cultura, parceria do governo de SP com o Ministério da Cultura. Foi a oportunidade para a criação da escola, que também é sede da ONG e residência onde Deco vive com o namorado e presidente nacional do E-Jovem, Chesller Moreira (a drag Lohren Beauty).

Com a verba, a escola paga três professores e oferece bolsas para seis alunos. O restante vai para equipamentos, impressos etc. O curso de jornalismo, por exemplo, resultará em duas edições de uma revista com tiragem de 500 a mil exemplares cada uma. “Antes da verba, o dinheiro vinha de nossos bolsos. Fazíamos vaquinhas.”

Para Deco, o projeto da Escola Jovem tenta responder a uma questão social preocupante: “A taxa de suicídio de adolescentes gays é entre três e quatro vezes maior que entre héteros. No Brasil gays ainda são espancados. Temos muito por que lutar.” Entre seus planos está a campanha “Escola Amiga”, que pretende levar às instituições de ensino diretrizes para acabar com a homofobia. É um plano a longo prazo que vislumbra uma sociedade formada por cidadãos educados desde cedo para aceitar a diversidade.
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