sábado, 30 de janeiro de 2010

Nascem os Coloridos

Somos todos coloridos  
E a sigla acabou.

Há anos que discutimos, dentro do movimento, se seremos GLBT, GLBTT, LGBT... Há anos procuramos um nome que nos represente, a todos, sem que ninguém se sinta de fora.

E há anos que tudo isso tem sido em vão. Accabamos de mudar a sigla pra LGBT, mas como disse um jornalista na Conferência da ILGA, "pra imprensa o movimento é GAY, a Parada é GAY e pronto."

Era, até a Globo se meter no nosso meio.

Ontem, eu estava andando no centro de Campinas com um guarda-chuva arco-íris e duas crianças apontaram pra mim e disseram: "Alá, mãe, um colorido!" A mãe fez cara de "Hã?" e eles emendaram: "Da tribo dos coloridos!"

Poizé. O Big Brother Brasil fez em um mês o que tentávamos fazer há anos: nos denominar. A Globo, quem diria, nos deu uma identidade de grupo, de tribo, de nação.

E agora? Que vamos fazer com isso?
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SAI A LISTA DOS APROVADOS!

A ESCOLA JOVEM LGBT publicou nesta sexta-feira (29/01) a lista dos inscritos selecionados para os cursos de Dança, Web TV e Fanzine.

"A lista demorou a sair devido ao alto número de inscrições," explicou Deco Ribeiro, diretor da escola. "Os critérios de seleção foram todos muito discutidos. Além disso, tivemos a preocupação de preservar a privacidade dos estudantes, publicando apenas seus primeiros nomes e as cidades de origem." 


Héteros 

Dos alunos selecionados, 4 são heterossexuais. "É uma alegria ver a sociedade se abrindo para a cultura LGBT. É assim que se acaba com a homofobia," afirmou o diretor Deco Ribeiro. No total, foram aprovados jovens de 14 a 30 anos, em sua grande maioria gays e bissexuais, dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e até da Bahia e do Amazonas.  

Confira abaixo a lista com os 60 aprovados: 








Bolsas de estudo 

OS SELECIONADOS PRECISARÃO CONFIRMAR A MATRÍCULA EM CAMPINAS (SP) NO SÁBADO DIA 6 DE FEVEREIRO. Todos receberão e-mails com as instruções de local, horários e documentação. No mesmo dia e local serão aplicadas as provas de seleção de bolsas de estudo. 

As matrículas não confirmadas serão reabertas para a lista de espera. Inscrições serão reabertas na próxima semana para a lista de espera e para novos cursos (veja mais no site www.e-jovem.com).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"A educação é essencial na luta contra a homofobia"

Tinha até esquecido dessa entrevista que dei pro site A Capa, que achei por acaso hoje. Pra variar, estou falando da Escola Jovem LGBT... =D

"A educação é essencial na luta contra homofobia", diz diretor da Escola Jovem LGBT
Por Marcelo Hailer, do site A Capa:



Deco Ribeiro é ativista do movimento gay de Campinas (SP) e fundador do Grupo E-Jovem, que atua na questão da diversidade sexual entre adolescentes. Um dos pontos fortes e inovador do grupo foi que fizeram da internet instrumento para agregar novos atores. Hoje a ONG é uma das mais importantes e já pode ser considerada uma rede.

Agora, Deco Ribeiro e sua trupe dão mais um passo.  No fim do ano passado foram selecionados pelo governo do Estado de São Paulo e pelo Ministério da Cultura, a partir do projeto Pontos de Cultura, e firmaram parceria onde foi fundada a Escola Jovem LGBT, que começa a funcionar em março deste ano.

Na entrevista a seguir Deco Ribeiro, que foi escolhido como diretor da Escola Jovem LGBT, conta que a ideia do projeto surgiu de uma conversa informal com a drag queen de Campinas e presidente do E-Jovem, Lohren Beauty. "Ela reclamava da falta de atenção aos jovens gays e de como seria bom se houvesse uma escola pra ensinar a ser drag", conta Deco.

Na entrevista, o ativista também rebate a ideia de que não existe uma cultura gay, defendida por muitas pessoas. "Cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade". Confira a seguir.

Existe uma cultura gay?
Sim. Cultura é a forma como um povo se expressa  e temos exemplos óbvios de expressão genuinamente LGBT nas Paradas ou nas drag queens. Saindo da obviedade, cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade. É a heteronormatividade que censura beijos gays nas novelas, que proíbe as escolas tradicionais de abordar a homossexualidade de maneira positiva, que força os meninos a usarem azul e as meninas, rosa. Uma cultura fruto do machismo e da xenofobia, opressões que alimentam o sistema capitalista.

De que maneira a educação pode ajudar no combate a homofobia?
Se entendermos a educação como o principal modo de reprodução do sistema em que vivemos (capitalista, machista, homofóbico etc), fica claro que influir nesse processo é não só importante, mas essencial na luta contra a homofobia. Não adianta nada lutar contra o preconceito entre os adultos se a escola continuar, ano após ano, a criar novos homofobicozinhos...

Alunos da capital também podem participar? Como será o processo seletivo?
Podem, claro. Para esses alunos de fora de Campinas será oferecida uma bolsa no valor de 200 reais por mês, para que eles possam vir a Campinas estudar toda semana. As turmas de sábado estão sendo reservadas pra essa galerinha. O processo seletivo, se as inscrições ultrapassarem o número de vagas, ocorrerá dia 31/01, em Campinas, e constará de uma análise da ficha de inscrição e uma audição com os professores de cada curso.

Acredita que háverá alunos héteros matriculados?
Sim, nem que sejam amigos e amigas de LGBT.

Como surgiu a ideia do projeto?
Foi de um comentário da Lohren Beauty, drag de Campinas e presidente do E-Jovem. Ela reclamava da falta de atenção aos jovens gays e de como seria bom se houvesse uma escola pra ensinar a ser drag, por exemplo. Diante de um "E por que não?", sentamos e viabilizamos o projeto.

As escolas deveriam tratar da questão LGBT em sala de aula? Por quê?
Sim. Porque ignorar essa questão é uma violência contra milhões de adolescentes e jovens LGBT que passam momentos de terror na escola, chegando a abandonar as aulas ou a viver uma mentira que seja aceita pela heteronormatividade. Eles só gostariam de ser felizes sendo o que são de verdade. E é dever da escola garantir isso.  

 

Vamo pulá!!

Adoooro o blog TDUD. Olha um dos últimos posts deles:


No blog da Fabíola Reipert:

Todo mundo escrevendo pra gente querendo saber de quem se trata, mas ó, vocês podem pular pular pular que a gente não conta.
  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Entenda a diferença entre GLBT, LGBT e GLS


Publicado em 20.01.2010 por Márcio Claesen, no site ParouTudo:
 

Em um programa conhecido pela sigla BBB (Big Brother Brasil), foi outro conjunto de letras iniciais que deu um nó no apresentador, Pedro Bial, e nos participantes do reality show nesta terça-feira 19. Entrou em questão, por iniciativa de Bial, se a sigla pela qual o movimento tem se intitulado nos últimos dois anos, LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), é uma forma excludente dos simpatizantes em comparação com a super difundida GLS (gays, lésbicas e simpatizantes).
Bial, como jornalista, fez bem em perguntar. O feio mesmo foram os quatro representantes arco-íris da casa, Dicesar, Sérgio, Angélica e Eliane, nem terem reconhecido direito a sigla. Quem tentou ajudar foi a simpatizante Elenita, que tampouco conseguiu esclarecer o ponto. Michel Platini, presidente do Estruturação - Grupo LGBT de Brasília, explica. "GLS foi criada pelo jornalista André Fischer, dono do site Mix Brasil, há mais de uma década, e tem mais a ver com atividades comerciais, como sites, boates, cafés etc, que atendem tanto não-heterossexuais quanto héteros sem preconceito. A questão muda quando se trata do movimento social. Por exemplo, lutamos pelos direitos LGBT, como no caso da adoção. Aí, seria errado colocar o "s" de simpatizante. Pois os simpatizantes, ou seja, os héteros já podem adotar. O mesmo caso é com a união civil. Esse direito é negado a LGBT, mas não aos simpatizantes. Assim, tudo bem uma boate ser GLS ou mesmo LGBT, mas não há como falarmos de um projeto de lei pró-GLS ou de cidadania GLS."
E então, exclui-se os simpatizantes? "Claro que não! Essa categoria, simpatizante, só existe praticamente no Brasil. Temos orgulho tanto disso quanto de ser o único movimento social que faz referência sempre a quem não o integra de forma mais estrita, mas que o apóia. Só é bom as pessoas saberem as situações às quais cada sigla se adequa melhor", frisa Platini.
O ato em comemoração ao 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT, em Brasília, é exemplo de um híbrido entre as duas posições. O nome oficial do evento tem a sigla LGBTS. "Somos uma das poucas paradas do Brasil que tem simpatizante na sigla oficial, talvez a única. Fizemos isso porque tem todo o sentido falar em orgulho simpatizante, orgulho de ser uma pessoa sem preconceito e que repele a homofobia. E como os simpatizantes são fundamentais! Na nossa parada, 27,5% dos participantes não são LGBTs (aqui minúsculo para indicar plural. Quando maiúsculo, indica simpatizante), diz Sônia Regina, coordenadora da parada da capital federal.
LGBT, GLBT ou LGBTTT?

Mais bolas foras dos participantes homo e bissexuais do BBB. Bial falou primeiramente a sigla LGBT, mas logo foi corrigido por muitos brothers e sisters, que disseram GLBT. E aí? "Podemos dizer que ninguém está errado. LGBT é a ordem das letras aprovada na I Conferência Nacional LGBT, realizada em junho de 2008. Desde então, de forma oficial, o movimento brasileiro e o governo federal deixaram de usar o GLBT. Foi uma decisão recente, logo estará mais difundida", diz Platini.
A troca fez com que o movimento arco-íris nacional se alinhasse, de forma atrasada, à sigla mais utilizada na Europa e na América do Norte. A letra l na frente é uma forma de dar destaque à luta das lésbicas, que sofrem com o machismo e a invisibilidade social. Quanto à letra t dobrada ou até triplicada, algumas entidades pelo Brasil as adotam, mas, como foi aprovado em 2008, na sigla oficial, um único t serve para representar tanto travestis, quanto transexuais e transgêneros.
Sopa de letrinhas

Você ficou meio confuso com tantas siglas, calma, não é tudo. Há variações pelo mundo à fora. Um exemplo vem da Colômbia, que é conhecida no movimento por usar mais comumente LGBTTQI. O que são as duas últimas letras? Q de queer, cujo significado é ser estranho, mas que é muito utilizado de forma negativa para xingar uma pessoa de gay nos países de língua inglesa. Como meio de atuação política, o movimento, alguns gays e parte de estudiosos do tema utilizam a expressão de forma a dar-lhe um sentido positivo. Quanto ao i, trata-se das/os intersex, de forma mais simples, os hermafroditas (que nascem com orgãos sexuais de homem e de mulher).

Sobre tantas letras, Platini recorre à história para defendê-las. "No início da década de 80, se falava movimento gay ou homossexual. Isso era errado porque não reconhecia a luta, as identidades e as bandeiras de bissexuais, das pessoas trans e, no primeiro caso, de lésbicas. À medida que fomos amadurecendo, vieram as siglas. Elas são importantes. Muitos falam de sopa de letrinhas, que é confuso etc. Preferimos esclarecer o que pode figurar como chato a ceder a um simplismo que reforçaria algo contra o que lutamos: discriminação, invisibilidade."
Cuidado com a diversidade

Na procura por denominar a diversidade LGBT, surgem nomes bastante impróprios. Embora adotada até por alguns governantes em órgãos oficiais, parte do ativismo LGBT rejeita a expressão diversidade sexual, que trataria da diversidade de sexo, aí se referindo a homem ou mulher ou a práticas de coito. E não se trata disso. "Se for para utilizar a palavra diversidade, que ela seja usada de forma correta: diversidade de orientação sexual (homo, bi e heterossexual) e de identidade de gênero (pessoas trans). Algo fora disso não está correto.", afirma Platini.
Aprenda e dê uma aula sobre nossas siglas no próximo BBB
GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) - mais aplicado ao mercado (bares, cafés, restaurantes etc) que tem como foco homossexuais, bissexuais e pessoas trans, mas que recebe sem nenhuma restrição heterossexuais que não possuem preconceito.
LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) - sigla mais adequada ao lado político do tema. Aplicado em expressões como cidadania LGBT, preconceito contra LGBT, parada LGBT etc. Adotada oficialmente no Brasil desde 2008.
GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) - forma anterior a 2008 para se referir ao caráter político do movimento social arco-íris. Está caindo em desuso.