quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"A educação é essencial na luta contra a homofobia"

Tinha até esquecido dessa entrevista que dei pro site A Capa, que achei por acaso hoje. Pra variar, estou falando da Escola Jovem LGBT... =D

"A educação é essencial na luta contra homofobia", diz diretor da Escola Jovem LGBT
Por Marcelo Hailer, do site A Capa:



Deco Ribeiro é ativista do movimento gay de Campinas (SP) e fundador do Grupo E-Jovem, que atua na questão da diversidade sexual entre adolescentes. Um dos pontos fortes e inovador do grupo foi que fizeram da internet instrumento para agregar novos atores. Hoje a ONG é uma das mais importantes e já pode ser considerada uma rede.

Agora, Deco Ribeiro e sua trupe dão mais um passo.  No fim do ano passado foram selecionados pelo governo do Estado de São Paulo e pelo Ministério da Cultura, a partir do projeto Pontos de Cultura, e firmaram parceria onde foi fundada a Escola Jovem LGBT, que começa a funcionar em março deste ano.

Na entrevista a seguir Deco Ribeiro, que foi escolhido como diretor da Escola Jovem LGBT, conta que a ideia do projeto surgiu de uma conversa informal com a drag queen de Campinas e presidente do E-Jovem, Lohren Beauty. "Ela reclamava da falta de atenção aos jovens gays e de como seria bom se houvesse uma escola pra ensinar a ser drag", conta Deco.

Na entrevista, o ativista também rebate a ideia de que não existe uma cultura gay, defendida por muitas pessoas. "Cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade". Confira a seguir.

Existe uma cultura gay?
Sim. Cultura é a forma como um povo se expressa  e temos exemplos óbvios de expressão genuinamente LGBT nas Paradas ou nas drag queens. Saindo da obviedade, cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade. É a heteronormatividade que censura beijos gays nas novelas, que proíbe as escolas tradicionais de abordar a homossexualidade de maneira positiva, que força os meninos a usarem azul e as meninas, rosa. Uma cultura fruto do machismo e da xenofobia, opressões que alimentam o sistema capitalista.

De que maneira a educação pode ajudar no combate a homofobia?
Se entendermos a educação como o principal modo de reprodução do sistema em que vivemos (capitalista, machista, homofóbico etc), fica claro que influir nesse processo é não só importante, mas essencial na luta contra a homofobia. Não adianta nada lutar contra o preconceito entre os adultos se a escola continuar, ano após ano, a criar novos homofobicozinhos...

Alunos da capital também podem participar? Como será o processo seletivo?
Podem, claro. Para esses alunos de fora de Campinas será oferecida uma bolsa no valor de 200 reais por mês, para que eles possam vir a Campinas estudar toda semana. As turmas de sábado estão sendo reservadas pra essa galerinha. O processo seletivo, se as inscrições ultrapassarem o número de vagas, ocorrerá dia 31/01, em Campinas, e constará de uma análise da ficha de inscrição e uma audição com os professores de cada curso.

Acredita que háverá alunos héteros matriculados?
Sim, nem que sejam amigos e amigas de LGBT.

Como surgiu a ideia do projeto?
Foi de um comentário da Lohren Beauty, drag de Campinas e presidente do E-Jovem. Ela reclamava da falta de atenção aos jovens gays e de como seria bom se houvesse uma escola pra ensinar a ser drag, por exemplo. Diante de um "E por que não?", sentamos e viabilizamos o projeto.

As escolas deveriam tratar da questão LGBT em sala de aula? Por quê?
Sim. Porque ignorar essa questão é uma violência contra milhões de adolescentes e jovens LGBT que passam momentos de terror na escola, chegando a abandonar as aulas ou a viver uma mentira que seja aceita pela heteronormatividade. Eles só gostariam de ser felizes sendo o que são de verdade. E é dever da escola garantir isso.  

 

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