domingo, 17 de janeiro de 2010

Jovens - coluna do jornal O Tempo (MG)

Jovens


Oswaldo Braga
obraga@mgm.org.br






Como tradicionalmente acontece, vem aí a campanha de prevenção às DST-Aids do Carnaval 2010. Na mesma linha dos anos anteriores, ela elege um segmento prioritário, com base nos mais atualizados dados epidemiológicos coletados pelo governo.

Em 2010, a prioridade recai sobre a população jovem, com destaque para dois segmentos onde a situação está ainda mais grave: jovens gays e meninas entre 13 e 19 anos. As jovens representam a primeira faixa populacional em que o sexo feminino ultrapassa o masculino: desde 1998, para cada dez meninas infectadas existem oito meninos, invertendo uma tendência histórica da epidemia.

Do outro lado, houve um aumento considerável dos registros de casos de Aids entre os gays na faixa de 13 a 24 anos, que em um período de dez anos passou de 29% para 43,2%. Isso significa que mais de um terço das infecções em rapazes se concentram nos 8,4% que declaram já ter mantido relações sexuais com outros homens.

Na região Sudeste, os últimos dados divulgados revelam que 35,4% dos jovens entre 15 e 24 anos não usaram preservativo na sua primeira relação sexual, apesar do elevado grau de conhecimento sobre a Aids, sua forma de transmissão e prevenção - 95,6% das pessoas sabem que o uso do preservativo é a melhor forma de prevenir a infecção do HIV e 93% têm conhecimento de que não existe cura para a Aids.

Para o diretor da Escola Jovem LGBT, de Campinas, Deco Ribeiro, as estratégias de prevenção voltadas para os jovens gays deveriam mudar sua abordagem: "A informação escrita e falada atinge o lado racional do cérebro, enquanto o ato sexual está no lado emocional. Por isso o alto grau de conhecimento sobre a epidemia não se refletir necessariamente no uso da camisinha". Deco acredita que a solução pode estar na utilização de estratégias mais lúdicas, como a música, o teatro e outras manifestações culturais que envolvem a emoção.

Para o chefe da prevenção do Departamento Nacional DST-Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito, a linguagem das campanhas ainda carece de modernidade e existe um distanciamento grande entre o discurso utilizado e o que efetivamente alcança essa geração. "Não está clara a forma como esses jovens exercem a sua sexualidade".

Ivo acredita que uma das principais barreiras ainda é o acesso à camisinha que não chega aos espaços de socialização dos jovens, principalmente a família e as escolas. "Mesmo entre os colégios que participam dos programas de prevenção desenvolvidos pelo governo, o índice de distribuição de preservativos é baixo", completa.

Reconhecida a importância de se trabalhar esse público, a campanha do Carnaval será apresentada no Rio, no dia 06 de fevereiro.

Camisinha sempre!

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